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Projeto

Cinema mudo: narrativas sem palavras, expressão de sentimentos

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Convide a turma a elaborar o roteiro, gravar e editar um filme feito à moda antiga, com recursos simples de filmagem. O resultado será exibido em uma mostra de cinema mudo na escola

Objetivos
- Apontar os aspectos centrais, características gerais e o contexto da produção cinematográfica no fim do século 19, na Europa e nos Estados Unidos, e sua rápida difusão pelo mundo.
- Apresentar os avanços dos pioneiros da fotografia e do cinema, através dos inventos de Louis Daguèrre, Le Prince, Thomas Edison, Lumière, Willian Dickson e George Eastman, que revolucionaram a técnica de projeção no século 19 e permitiram o surgimento do cinema.
- Demonstrar a rápida evolução da linguagem cinematográfica, de simples técnica a narrativa sofisticada, entre os anos de 1895-1907.
- Apresentar o trailer do filme “O Artista”, de Michel Hazanavicius, indicado ao Oscar de melhor filme pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, em 2012.
- Demonstrar os gêneros cinematográficos (documentário, drama, terror, suspense, aventura, western, ficção científica e animação) e as técnicas de filmagem (travelling, fusão, cortes, efeitos especiais, câmera lenta e invertida, iluminação, entre outras trucagens), surgidas já nos primórdios do cinema mudo e até hoje utilizadas nas produções contemporâneas.
- Produzir o roteiro e gravar as cenas de um filme preto e branco de, no máximo, 5 minutos.

Cinema mudo. Charles Chaplin

Conteúdos
- História do Cinema.
- A produção cinematográfica entre 1896 e 1927.
- Cinema contemporâneo.
- Leitura e produção de textos.
- Produção cinematográfica na escola.

Tempo estimulado
Seis aulas.

Materiais necessários
- Cópias da reportagem “Um prazer simples”, de Isabela Boscov (Veja, edição 2256, 8 de fevereiro de 2012) para todos os alunos.

 

- Exibição de filmes dos irmãos Lumière, Georges Méliès, da Pathé Fréres, e do trailer do filme “O Artista”, de Michel Hazanavicius, disponíveis nos links abaixo:
Trailer de “O Artista”: http://www.youtube.com/watch?v=OK7pfLlsUQM
Os primeiros filmes dos Irmãos Lumière http://www.youtube.com/watch?v=4nj0vEO4Q6s
“Viagem à lua” http://www.youtube.com/watch?v=7JDaOOw0MEE e “O homem da cabeça de borracha” http://www.youtube.com/watch?v=Ikboz1LFKZ4), de Méliès.
“História de um crime” http://www.youtube.com/watch?v=4fzObxlvOC8 e “Cozinha incomum” http://www.youtube.com/watch?v=t6VD170FfTg, da Pathé.
“Uma viagem à Marte”, de Thomas Alva Edison http://www.youtube.com/watch?v=np7VImsSMQM
“A uma da madrugada”, com Charlie Chaplin http://www.youtube.com/watch?v=Hn13PoIlGJo
“The goat”, de Buster Keaton http://www.youtube.com/watch?v=53FSGl1yev8

- Computador com programas básicos de edição (a sugestão é o MovieMaker, parte do pacote do Office); duas câmeras digitais simples, com possibilidade de gravação de filmes, configuradas em preto-e-branco ou sépia; tripé; data-show e áudio; material para confecção de cenografia e figurinos, como cartolina, papelão, papel craft, materiais recicláveis, maquiagem, tecido, roupas, objetos etc.

Algumas recomendações: verifique o que há disponível na própria escola. Caso não haja disponibilidade de todos os materiais, faça um levantamento com seus alunos sobre os materiais que eles possam disponibilizar. É muito importante contar com pelo menos duas câmeras e dois tripés, além de todo material a ser utilizado na produção da cenografia, objetos e figurinos. Negocie com a escola a disponibilidade de espaços, em horários pré-determinados, para a produção do filme. Salas de aula, pátio, biblioteca, salas da direção, coordenação e dos professores, jardim, horta, e a própria calçada no entorno da escola podem ser usados como cenários. É muito importante realizar uma pré-produção. Esta ação, realizada com base nas indicações do roteiro, deve ser meticulosa e criativa.

- Uma boa fonte de consulta para elaboração didática da aula é o livro Vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo, de Celso Sabadin (Lemos Editorial). O livro narra em detalhes a história do cinema mudo, desde as invenções que antecederam a fotografia e o cinema, passando pela história dos pioneiros franceses e norte-americanos, os grandes estúdios cinematográficos, e dedica um capítulo inteiro ao cinema produzido no Brasil no início do século 20.

Produto final
Mostra de cinema mudo, com a exibição de filmes produzidos pelos alunos.

Introdução
O Cinema surgiu no contexto de vários experimentos técnicos que marcaram a chamada Segunda Revolução Industrial, em meados do século 19. As invenções surgidas no período transformaram a sociedade e marcaram o início da passagem do mundo rural para o mundo industrial e urbano. Entre vários inventos inovadores, destacam-se a lâmpada elétrica incandescente; o motor de combustão interna; os corantes sintéticos, que proporcionaram o surgimento de vários produtos, da aspirina ao celuloide (utilizado pela indústria da fotografia e do cinema); o telefone, o telégrafo e o rádio; e finalmente, a fotografia e o cinema.

A partir do desenvolvimento da fotografia – através de experimentos de inventores – como os franceses Louis Daguèrre (1787-1851) e Joseph-Nicéphore Niépce (1765-1833) – foi possível captar imagens com nitidez de detalhes cada vez mais claros. No início, a técnica apresentava dificuldades: a foto conhecida como “A mesa posta”, de Niépce, necessitou de 14 horas de exposição à luz para ser realizada, em 1823. No entanto, a partir de 1850 já era possível fazer uma fotografia em poucos segundos.

O elo entre a fotografia e o cinema surgiu quando, em 1872, Leland Stanford, governador da Califórnia, apostou com um amigo que um cavalo, ao correr, tirava simultaneamente as quatro patas do chão, durante o galope – o que era impossível determinar pelo olho humano. O fotógrafo Eadweard Muybridge, contratado para resolver a questão, utilizou 24 câmeras fotográficas, cada uma armada com um disparador automático, ao longo de um percurso percorrido pelo cavalo. Ao final do experimento, ficou comprovada a tese do governador Stanford: o cavalo realmente fica com as quatro patas no ar durante o galope.

Para o cinema, entretanto, mais importante que essa constatação, foram as tomadas fotográficas. Realizadas em curto intervalo entre si, quando exibidas rapidamente, proporcionavam a ilusão de movimento do cavalo. Apesar de ainda não ser utilizado o recurso da projeção, pode-se afirmar que esta sequência de fotos foi essencial para o desenvolvimento do cinema, alguns anos mais tarde.

O aperfeiçoamento de rolo de papel fotográfico, e posteriormente o rolo de celuloide, desenvolvidos pelo norte-americano George Eastman (1854-1932), simplificaram o processo fotográfico. Eastman, mais tarde, fundaria as indústrias Kodak, que se tornaram um símbolo da fotografia em todo mundo, durante todo o século 20.

Outros inventores e precursores, como Louis Augustin Le Prince (1841-1890), na França, Thomas Alva Edison (1847-1931) e seu assistente Willian Kennedy Dickson (1860-1935), nos EUA, deram continuidade às pesquisas com imagens em movimento, e acabaram criando os primeiros filmes propriamente ditos.

Em 1895, os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948) inventaram o cinematógrafo, que possibilitou gravar, revelar e projetar filmes, com uma única máquina. A data oficial da primeira projeção cinematográfica, fora do circuito científico, dirigida para o público comum, é 28 de dezembro de 1895: “A chegada de um trem à estação da cidade”, exibido para aproximadamente 100 pessoas, no subsolo do Grand Café, em Paris, era um filme que mostrava uma locomotiva se aproximando de uma estação ferroviária. Visto hoje, mais de cem anos depois de sua primeira exibição, o filme dos Lumière pode nos parecer bastante ingênuo, mas durante aquela exibição, houve quem saltasse espantado da cadeira, temendo que o trem “invadisse” a sala de cinema improvisada.

Os Lumière lucraram muito com o cinematógrafo. Ao transformar um invento técnico em instrumento de entretenimento, os franceses possibilitaram a projeção de imagens em movimento para muitas pessoas ao mesmo tempo, em salas espalhadas por várias partes do mundo. Isso popularizou o cinema rapidamente: entre 1895 e 1896, países distintos como Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Noruega, Rússia, África do Sul, Índia, Tunísia, Romênia, Portugal, Guatemala, Brasil, Argentina, Uruguai, México, China, Cuba, Tailândia, Japão, entre outros, realizaram exibições de filmes utilizando cinematógrafos.

Se por um lado o cinema proporcionava a possibilidade técnica de gravação de imagens em movimento e exibição em larga escala, por outro ainda não havia desenvolvido uma linguagem específica que impulsionasse sua expansão. Em pouco tempo, o que era uma grande novidade que maravilhava o mundo, corria o risco de se tornar uma moda passageira, já que com o passar do tempo, as pessoas se desinteressariam em assistir a filmes que exibiam trens em movimento, saídas de funcionários de seu trabalho, bebês se alimentando, além de carros, animais e pessoas em situações diversas – basicamente, os temas dos primeiros filmes dos Lumière.

Esses filmes, simples e curtos, eram rodados em plano único e com a câmera sempre fixa. O uso da câmera em movimento (o “travelling”) foi, como muitas das descobertas do cinema, uma obra do acaso: o cinegrafista chefe dos Lumière estava em Veneza e resolveu fazer uma tomada de dentro de uma gôndola em movimento. O resultado surpreendente fez com que, depois disso, os filmes passassem a abusar do recurso, utilizando carros, carroças, elevadores, barcos como suporte para as câmeras. A partir de 1897, entretanto, os Lumière diminuíram sua produção, demitiram funcionários de suas fábricas e passaram a explorar a fabricação de cinematógrafos novos e distribuição da grande quantidade de pequenos filmes que já haviam produzido. Por se tratarem de industriais de grande visão empresarial, e não de “artistas”, os Lumière não foram capazes de perceber que estava no tipo de filmes produzidos, e não no cinematógrafo, o motivo para o desinteresse pelo cinema.

Foi Georges Méliès (1861-1938) quem, a partir de 1896, iniciou a rodagem de filmes em curta-metragem utilizando recursos técnicos como o stop motion, a fusão, a transposição de imagens, a utilização de estúdios e figurantes, a iluminação artificial, a construção de cenários. Tais técnicas proporcionaram a renovação de que o cinema necessitava. Méliès foi ator e ilusionista, o que facilitou transportar a técnica do teatro e da mágica para o cinema. Produziu centenas de filmes, hoje marcos na história do cinema: “A viagem à Lua”, filme que mostra astronautas de fraque e cartola, viajando em um foguete que atinge o rosto da Lua; a primeira adaptação de 20 mil léguas submarinas, de Julio Verne; ou O túnel sob o Canal da Mancha, que antecipava em 90 anos a construção do Eurotúnel, entre França e Inglaterra. O realismo de cenas de decapitação em seus filmes fez com que o governo francês proibisse a exibição de cenas parecidas em filmes. Foi a primeira censura a uma obra cinematográfica.

Apesar do sucesso e dos avanços, Méliès era um grande artista que não conseguia explorar comercialmente suas inovações. Desta forma, em 1913 o francês parou de filmar e voltou a atuar como mágico e ilusionista. Abriu falência em 1915 e ficou esquecido por vários anos.

Aos 70 anos de idade, Georges Méliès trabalhava como vendedor de doces na estação ferroviária em Paris. Morreu aos 78 anos, num apartamento cedido pelo governo, onde viveu seus últimos momentos, longe da fama e da fortuna.
Charles Pathé (1853-1957) fundou em 1896 a Pathé Fréres, em associação com seu irmão Émile e com ajuda de Ferdinand Zecca (1864-1947). A empresa foi a primeira a realizar cinema em escala industrial e com distribuição global. A Pathé se tornou, a partir de 1902, uma indústria de gravação e reprodução de rolos de celuloide, e também um estúdio de produção cinematográfica, que rodava um filme a cada dois dias. Em 1903, começaram a exportar seus filmes para vários países. Pathé investia o dinheiro, montava os estúdios e organizava a distribuição; enquanto Zecca criava roteiros, cenários, dirigia e atuava nos filmes. Essa associação fez com que o cinema pela primeira vez se tornasse uma arte de grande popularidade mundial. E também distinguiu a figura do produtor executivo do diretor/roteirista. O esquema industrial de produção – que fazia com que cada filme produzido tivesse milhares de cópias, fez com que, em 1907, Charles Pathé se tornasse o primeiro magnata da história do cinema.

Todo esse processo histórico de rápida evolução foi interrompido durante a Primeira Guerra Mundial. O início da guerra afetou os negócios, e Pathé viajou para os Estados Unidos. Continuou a produzir filmes por lá, junto com Zecca, ambos retornando à França ao final da guerra. Desativaram os negócios cinematográficos em 1929, e abandonaram o cinema.

Depois da guerra, os americanos passaram a dar as cartas no mundo do cinema. A fundação dos grandes estúdios, entre as décadas de 1910 e 1920, posteriormente tornou Hollywood a principal referência do cinema no mundo.
Nomes como D. W. Griffith, Edison, Porter, e companhias pioneiras como Biograph e Vitagraph, proporcionaram a fundação de uma grande indústria. Os grandes estúdios da Universal, Mutual, Keystone, Paramount, United Artists, Columbia, surgiram na época e dinamizaram a produção cinematográfica.

Depois, vieram Charlie Chaplin, Buster Keaton, o Gordo e o Magro, protagonistas de comédias que até hoje mantém sua aura de brilhantismo e são capazes de encantar.

A primeira fase do cinema terminava, afinal, proporcionando as bases daquilo que marcaria a produção de cinema durante todo o século 20. A partir desses eventos pioneiros, o cinema se desenvolveu, até o aparecimento, em 1927, do filme O cantor de Jazz, que marcou o início do cinema falado, e levou muitos atores, estúdios, diretores do cinema mudo à decadência.

É um pouco sobre isso que trata o filme O Artista, que pode ser o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar em 80 anos. O filme retrata, entre outras coisas, a decadência vertiginosa de muitos atores da passagem do cinema mudo para o filme falado. O diretor dialoga com as técnicas simples empregadas pelas produções pioneiras, como uma homenagem à sétima arte.

Nesta semana, Veja destaca o sucesso do filme O Artista. A reportagem é um excelente ponto de partida para se trabalhar o contexto da produção cinematográfica na escola, e produzir pequenos filmes com os alunos, à maneira dos pioneiros do cinema.

Desenvolvimento
Antes de dar início às aulas, pesquise previamente e selecione as cenas dos filmes que vai exibir para a turma. Também investigue os principais termos técnicos da produção cinematográfica, e as técnicas básicas de produção de um roteiro. Você pode montar uma espécie de glossário e compartilhar com os alunos.

A reportagem de Veja destaca a simplicidade do filme O Artista como a principal característica que o tornou um sucesso de crítica, levando à sua indicação ao Oscar. O texto destaca que, sem usar recursos de superprodução e fazendo uso de técnicas do cinema mudo, o filme de Hazanavicius encanta justamente por contar de maneira simples uma história de amor, em meio à decadência do cinema mudo em sua substituição pelo cinema falado, no início do século 20.

Caso o filme esteja em cartaz em sua cidade, combine com a turma para assistirem a uma seção.

1ª aula
Para iniciar, pergunte aos alunos se eles já assistiram a algum filme mudo, ou conhecem atores que realizaram filmes mudos. Questione qual a opinião da turma a respeito de produções antigas. Com base nas respostas, faça a exposição do contexto histórico e cultural que levou à criação do cinema, primeiro enquanto técnica, depois enquanto linguagem e finalmente, enquanto indústria.

Em seguida, distribua as cópias do texto “Um prazer simples”, de Veja, e faça uma leitura conjunta com a turma. Aponte no texto, o que seriam as principais qualidades que levaram O Artista a ser o primeiro filme mudo em 80 anos a concorrer ao Oscar de melhor filme. Enfatize que, apesar de simples, as produções do início do século não deixavam de cativar as pessoas.

Demonstre, também, que já nos primórdios do cinema mudo, foram estabelecidos tanto os gêneros consagrados (ação, comédia, western, ficção científica, drama, documentário, terror e suspense) quanto as técnicas de filmagem (slow motion, stop motion, fusão, sobreposição, iluminação artificial, cenários, figuração, câmera invertida, planos, cortes, travelling etc.). Deixe claro, porém, que no início, houve dificuldades em compreender todas as possibilidades da técnica cinematográfica, e que só aos poucos, com produções variadas de produtores distintos, como Méliès e Pathé, o cinema conseguiu criar uma linguagem que foi a síntese entre a técnica, o entretenimento e a indústria.

Contextualize as principais invenções do período e seus criadores: Louis Daguèrre e o daguerreotipo; Thomas Edison e o cinetofone; os Irmãos Lumière e o cinematógrafo; Méliès e o desenvolvimento da linguagem narrativa; Pathé e a criação da indústria cinematográfica.

Exiba aos alunos filmes ou trechos de filmes da época (sugeridos no início deste plano de aula). Destaque a evolução ocorrida entre os filmes dos Lumière, Méliès, Pathé, Edison, Chaplin e Keaton. Demonstre nos filmes a utilização gradual de técnicas mais avançadas. Lembre aos alunos que a evolução do cinema foi muito rápida, não havendo mais de dez anos entre a primeira exibição do filme “A chegada do trem à estação”, dos Lumière, e o estabelecimento da indústria de Pathé e sua transformação no primeiro magnata do cinema.

Junto dos alunos, faça um apanhado daquilo que seriam as principais transformações identificáveis entre os primeiros filmes de Lumière e as propostas de Méliès e Pathé. Mostre o trailer do filme O Artista – caso seja possível assistir ao filme no cinema, peça aos alunos que elenquem as principais características da narrativa, em comparação com as produções históricas assistidas em classe.

Depois, apresente aos alunos imagens das primeiras estrelas do cinema nos Estados Unidos: Mack Sennett, Mary Pickford, as irmãs Dorothy e Lillian Gish, Mary Pickford, Charlie Chaplin, Buster Keaton, o Gordo e o Magro.

Após a exposição desta parte, peça que os alunos exponham, por escrito, sua compreensão das características do cinema mudo, a partir das explicações e leituras e filmes assistidos. Nesta etapa você também pode entregar à turma cópias do glossário de termos cinematográficos, que será importante para dar seguimento às demais etapas deste projeto didático.

Antes de recolher os textos da turma, faça um levantamento sobre os recursos disponíveis na classe para produção de um filme mudo. Descubra quem possui câmeras digitais que possam realizar filmagem em preto e branco ou sépia, se há algum tripé e instrumentos de iluminação etc.

Como lição de casa, divida a turma em grupos (o ideal é que não sejam menos do que duas e mais do que três equipes). Sugira a criação de argumentos (um texto com a síntese da história que será filmada) para elaboração de um roteiro para um filme mudo, que deve ser uma história narrativa curta, com no máximo cinco minutos de duração, a ser rodado e exibido na própria escola. Solicite aos alunos que definam tarefas: quem serão os responsáveis pela produção dos cenários e figurinos, quem vai operar a câmera, quem vai escrever o(s) roteiro(s), quem vai atuar. Também peça que definam o gênero do filme: comédia, drama, terror, documentário, animação, ficção científica etc. Explique que o argumento é o primeiro texto que cada grupo deve produzir e explique que, na próxima aula, todos irão apresentar seus argumentos, com detalhes sobre a produção a ser realizada.

2ª aula
Inicie a aula retomando os conteúdos da aula anterior e peça que os grupos apresentem os respectivos projetos/argumentos produzidos. Faça os destaques e sugestões necessários.
Exponha, usando como exemplo trechos dos filmes já exibidos, as principais técnicas de filmagem utilizadas na produção de um filme.

Explique e demonstre, sempre com exemplos dos filmes, o que é: pré-produção (preparação de cenários, figurinos, marcações), travelling (câmera em movimento), slow motion (câmera lenta), stop motion (técnica de animação de objetos, por meio de filmagem fotograma a fotograma); plano de sequência (cena filmada em uma sequência sem cortes), plano e contra-plano (cenas intercaladas na narrativa); plano americano (enquadramento do personagem acima dos joelhos), enquadramento (seleção de determinada parte do cenário para figurar na tela), close-up (plano caracterizado pelo enquadramento fechado de um objeto ou pessoa); e continuísmo (encadeamento lógico da narrativa, de modo a garantir seu sentido geral).

Inicie, a partir dos argumentos apresentados pelas equipes, a produção de um roteiro para um filme curto, de no máximo cinco minutos.

Explique aos alunos que o roteiro nada mais é do que o desenvolvimento meticuloso e detalhado da narrativa exposta no argumento. No roteiro, além da indicação objetiva de cenas, do enquadramento, de detalhes do cenário, da posição dos atores, do figurino, estão presentes os detalhes da narrativa. Todo roteiro é na verdade a parte escrita daquilo que vai ser filmado.

O roteiro expõe a história contada através de imagens, planos, descrições, além das técnicas empregadas, o enquadramento e o movimento empregado pela câmera. Portanto, no roteiro devem estar presentes todas as ideias, técnicas e narrativas detalhadas, necessárias para contar a história a ser filmada. No caso do roteiro proposto para este projeto didático, com o objetivo de produção de um filme de cinco minutos, é importante que os alunos deixem bem demarcadas as cenas correspondentes ao início, ao desenvolvimento e ao fim. Também é importante frisar que, para a atividade proposta e devido às limitações de tempo e recursos técnicos, o roteiro deve usar do bom senso para produção: nada de superproduções, objetos caros ou difíceis de transportar, ou ainda, efeitos mirabolantes.

Lembre os alunos que o roteiro deve apresentar título e autor(es). Pode ser desenvolvido coletivamente.

Como lição de casa, peça que as equipes finalizem o roteiro e iniciem a pré-produção do filme (que deve incluir a seleção dos objetos, figurinos, maquiagem, cenários necessários para realização do filme).

3ª aula
Leia os roteiros produzidos pelas equipes. Faça as sugestões e acertos finais. Confira se todos os materiais constantes da pré-produção estão disponíveis. Inicie a produção do filme, fazendo orientações gerais sobre a filmagem. Demonstre aos alunos que as cenas a serem filmadas não precisam, necessariamente, seguir a ordem estabelecida pelo roteiro: elas serão organizadas posteriormente, na edição (montagem) do material bruto. Não esqueça você, professor, é o coordenador-geral, o produtor principal e orientador das filmagens, mas os diretores de cada uma das equipes têm a tarefa de garantir que as filmagens sejam realizadas com o mínimo de repetições possível.

Estabeleça prazos e metas: quantos encontros serão necessários, o que, de que forma e quanto do filme vai ser rodado em cada um deles. O prazo máximo para filmar não pode ultrapassar dois dias.

É importante também que você esteja presente, na medida do possível, durante a filmagem e que assista ao material bruto de cada um dos grupos.
E não esqueça: para evitar a perda ou extravio, é recomendado realizar um backup de todo material bruto filmado.

4ª e 5ª aulas
Inicie, junto com os alunos, o processo de edição/montagem do filme produzido. Esta etapa talvez seja a mais difícil, pois envolve a tomada de decisões, a inserção de efeitos, os cortes e as cenas que serão utilizadas. Utilize o tempo da aula para orientar a edição, mas caso não seja possível a finalização em um único encontro, indique aos alunos que terminem o processo em horários extraclasse. Se você não souber utilizar o MovieMaker, veja o tutorial disponível em http://explore.live.com/windows-live-essentials-movie-maker-get-started ou solicite auxílio para o responsável pela sala de informática da sua escola.

Antes da exibição coletiva, assista a todos os filmes produzidos.

6ª aula
Com todos os filmes finalizados, organize uma mostra de cinema mudo na escola. Cada equipe deverá exibir seu filme e explicar quais foram as referências, de onde surgiu a inspiração para o argumento e que recursos foram utilizados.

Avaliação
Após a finalização das produções, avalie se seus alunos conseguiram: 1) compreender as principais características dos pioneiros do cinema mudo; 2) diferenciar os gêneros e técnicas de filmagem; 3) produzir um filme de no máximo cinco minutos, em preto e branco, a partir das indicações do argumento e do roteiro, com o uso de técnicas simples. A avaliação deve levar em conta os roteiros e os filmes. Ao final da mostra, disponibilize os filmes da turma em um canal no Youtube ou no Vimeo.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Dicionário de Cinema – Os diretores
. Jean Tulard, L&PM, 1996.
O primeiro cinema. Flávia Cesarino Costa. Editora Escrita, 1995.
Subjetividade, tecnologias e escolas. Márcia Leite e Valter Filé (org.). DP&A Editora, 2002.
Vocês ainda não ouviram nada – a barulhenta história do cinema mudo. Celso Sabadin. Lemos Editoria, 2000.

FILMOGRAFIA
À uma da madrugada. Charlie Chaplin. P&B. EUA, 1916. 27 minutos.
O artista. Michel Hazanavicius. P&B, França/Bélgica, 2011. 100 minutos.
Cozinha incomum. Ferdinand Zecca. França, 1908. 3 minutos.
The goat. Buster Keaton. P&B. EUA, 1921. 3 minutos.
The Lumière Brothers’ First Films. Auguste & Louis Lumière. P&B. França, 1897. 7 minutos
Uma viagem a Marte. Thomas Edison. P&B. EUA, 1910. 10 minutos.
Viagem à Lua. Georges Méliès. P&B, França, 1902. 10 minutos.

 

Consultoria André Luis Rosa e Silva
Professor de Literatura e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), PR.

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