Assine Nova Escola
Revistas do mês
Nova Escola
Gestão Escolar
publicidade

Sequencia Didatica

Liberdade com igualdade?

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
- Trabalhar os conceitos de igualdade e liberdade.

Conteúdos
- As noções de liberdade, igauldade e a vida em sociedade.
- Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau.
- Nazismo e fascismo.
- Comunismo.

Tempo estimado
Duas aulas

Material necessário
Cópias da reportagem "Fora da gaiola mental" (Veja, Ed. 2231, 24 de agosto de 2011) para todos os alunos.

Introdução
Como destaca a reportagem de Veja, a tensão entre liberdade e igualdade deixou o século 20 em estado de desordem, especialmente entre o início da Primeira Guerra Mundial e o fim da Segunda Guerra Mundial (1914-1945). Como veremos a seguir, esta polêmica antítese remonta a pelo menos desde a segunda metade do século 18, quando o lema “Liberdade, igualdade, fraternidade” passa a iluminar uma nova era sócio-política no ocidente. Será mesmo? Utilize a reportagem como ponto de partida para refletir com a turma sobre as noções de liberdade e de igualdade.

Desenvolvimento
1ª aula
O homem nasce livre e por toda parte se encontra acorrentado”. Comece a aula escrevendo na lousa esta conhecida frase do livro “Do Contrato Social”, do filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1798), um dos pensadores mais importantes e influentes para o Iluminismo e a Revolução Francesa. Em seguida, indague a turma sobre significado da frase: o que o autor quis dizer com esta proposição? Os alunos concordam com ele? Por quê?

Promova um breve debate com a classe perguntando se, na opinião da turma, a liberdade é um privilégio de alguns ou um direito de todos. Discuta se este direito é respeitado na prática e em quais situações ele não prevalece, apesar de ser garantido pela Declaração dos Direitos do Homem, onde se lê: “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em seus direitos”.

Na sequência, explique que a sentença de Rousseau toca em uma questão nuclear no processo de formação das sociedades modernas: como conciliar as liberdades individuais com as necessidades impostas pela vida em sociedade?

Esclareça que, assim como em outras áreas do conhecimento, compreender a ideia de natureza é fundamental para construir uma nova ordem social - em oposição tanto ao mundo teocrático feudal, quanto às monarquias absolutas que ainda prevalecem em grande parte da Europa às vésperas das chamadas revoluções burguesas da Idade Média, no século 14.

Ressalte que o cerne das discussões políticas que marcam o advento da modernidade (ou Idade Moderna, a partir do século 16) refere-se precisamente à urgência de se harmonizar as liberdades e os direitos individuais, entendidos como inatos à própria natureza humana. As exigências das novas formas de vida em sociedade e o surgimento da ideia de sujeito (como alguém que é consciente de seus pensamentos e responsável por seus atos) culminam na noção de respeito ao direito do outro.

Mas como lidar com essa nova realidade social? Explique que o filósofo Thomas Hobbes (1585-1679) foi um dos primeiros a oferecer uma solução para tal desafio, partindo de uma concepção da natureza humana bastante negativa ou pessimista. Por considerar o homem como intrinsecamente agressivo, Hobbes sustenta que “o homem é o lobo do homem”, em sua principal obra, "Leviatã".

Isso significa que, para ele, sem a mediação de um Estado forte, o ser humano é cegamente movido por desejos e paixões pelos quais não hesitaria em repudiar, violentar e mesmo destruir seus semelhantes. Segundo Hobbes, o poder soberano (do governante) surge como mecanismo regulador para impedir que o estado de natureza prevaleça, permitindo não apenas a sobrevivência como a tão almejada coexistência pacífica entre os homens. Para isso, uma transferência parcial de poderes dos indivíduos para o soberano é um pré-requisito fundamental para o estabelecimento de um pacto social através do qual a sociedade civil organizada se protege da ameaça do que Hobbes chama de “guerra de todos contra todos”.

Depois de explicar os conceitos de Hobbes, faça um contraponto ao expor as ideias de Rousseau. O filósofo suíço toma como ponto de partida para o seu pensamento uma concepção da natureza humana essencialmente positiva e otimista, portanto, radicalmente distinta daquela defendida por Thomas Hobbes. Para ele, “o homem nasce bom, é a sociedade que o corrompe”. Ao contrário do autor do “Leviatã” (Hobbes), a teoria do contrato social de Rousseau diz que a soberania política pertence ao conjunto dos membros da sociedade, e seu fundamento é a vontade geral.

Conte à turma que, segundo Rousseau, a vontade particular e individual de cada um diz respeito a seus interesses estritamente privados, mas enquanto cidadão e membro de uma comunidade de iguais, o indivíduo deve possuir também uma vontade pautada pelo interesse coletivo, pelo bem comum. Teórico fundador da pedagogia moderna, Rousseau afirma que é papel da Educação a formação desta vontade geral, capaz de transformar o indivíduo em cidadão pleno, consciente de seus direitos e obrigações.

Para finalizar esta aula expositiva, distribua as cópias da reportagem de Veja para os alunos e peça que a leiam, em silêncio. Solicite que, em casa, os estudantes elaborem um texto argumentativo, apontando as principais semelhanças e diferenças entre as teorias de Hobbes e Rousseau e relacionando-às aos conteúdos discutidos na reportagem. Os alunos devem escolher uma das duas teorias para defender, justificando sua escolha na redação.

2ª aula
Retome os principais conceitos discutidos na aula anterior. Em seguida, introduza o tema desta aula, ponderando que se o século 18 transcorre sob o signo do lema “Liberdade, igualdade e fraternidade” (que ganha força após a Revolução Francesa, em 1789). Conte aos alunos que o século 19, por sua vez, foi marcado pela ascensão imperialista e o consequente fomento de ideias e valores fortemente nacionalistas.

Nesse processo, as discussões políticas se dividirão, grosso modo, em dois grupos teóricos bem definidos: o dos “liberalistas”, que colocarão as liberdades individuais em primeiro plano; e o dos “socialistas”, que defenderão a igualdade entre os indivíduos acima de seus interesses e privilégios particulares.

Explique à turma que, no plano político, tais discrepâncias atingem seu ápice no conturbado século 20, desdobrando-se em duas formas de governo radicalmente opostas entre si e convencionalmente identificadas como manifestações extremas da “direita” e da “esquerda”: de um lado, o nazi-fascismo de Hitler e Mussolini; de outro, o socialismo soviético de Stalin.

Apesar de terem surgido como propostas bastante divergentes de combate aos princípios liberais baseados na exaltação do indivíduo, esses governos acabaram se transformando em regimes totalitários que preservaram vários traços em comum, a despeito das muitas e insuperáveis diferenças ideológicas. O estabelecimento de um partido único, a massificação da propaganda política, a censura ao pensamento autônomo e à liberdade de expressão, o controle total do estado sobre a sociedade e a instauração de campos de concentração são apenas algumas características dentre as mais marcantes.

Mostre aos alunos que o regime nazista perverteu completamente a ideia de uma natureza humana pura (conforme postulado por Rousseau e difundido posteriormente por pensadores do Romantismo), transformando-a em uma abominável forma de política racial difundida pela propaganda em massa para justificar a superioridade da raça ariana. O nazismo encontrava “justificativas” para garantir o direito de subjugar e de exterminar todas as formas de vida “inferiores”, que seriam responsáveis pela suposta degeneração da espécie humana.

Esclareça para os alunos que, com seu fanatismo, Hitler e seus seguidores aniquilaram todas as liberdades individuais anteriormente conquistadas pelas revoluções burguesas em nome da supremacia de uma única lei “natural”: a do sangue (a etnia) e do solo (a pátria).

Também Stalin e tantos outros ditadores corromperam os ideais da igualdade e da justiça social, o que só vem a confirmar que a tensão entre a liberdade e a igualdade permanece como um desafio e também uma tarefa a ser realizada pelas próximas gerações.

Para encerrar a aula, retome as palavras do sociólogo Demétrio Magnoli, coautor de “Liberdade versus Igualdade – O mundo em desordem, 1914-1945” (Ed. Record, 458 págs., 46,90 reais): “O pós-guerra é o tempo da reconstrução dos Estados, da ascensão da socialdemocracia, da derrota do comunismo e da crítica liberal ao Leviatã, ou o estado absoluto. O confronto entre os princípios da liberdade e da igualdade abrange múltiplas hipóteses de conciliação. O jogo, eu diria, está empatado. A moeda gira no ar”. Os alunos concordam ou não com a afirmação do sociólogo? O que eles entendem por “o jogo estaria empatado”? Peça que discutam a afirmação em sala, tomando como base as defesas que fizeram no texto produzido como lição de casa da aula anterior.

Avaliação
Além de observar a participação dos alunos nos debates em sala e considerar a produção do texto argumentativo, peça que elaborem uma nova dissertação sobre o tema “Liberdade com Igualdade”. Neste texto, os estudantes devem expor suas propostas para um novo modelo social que leve em conta a conciliação entre estes dois princípios tão fundamentais para a vida em comum. Ao fazer a correção dos textos, observe se todos compreenderam as noções de liberdade e de igualdade, e se apreenderam as principais ideias dos teóricos apresentados.

Consultoria Aléxia Bretas
Doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

Compartilhe

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários
Compartilhe
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais

Assine suas revistas impressas ou digitais!

Compre suas revistas impressas!

Compre suas revistas digitais e e-books!

Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.