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As intervenções dos EUA no Afeganistão e no Iraque

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
- Fazer um balanço da política dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque.

Conteúdos
- Intervenção dos EUA no Afeganistão e no Iraque.
- Governo George W. Bush.
- Governo Barack Obama.

Tempo estimado
Duas aulas

Material necessário
Cópias da reportagem "Guerra necessária, guerra contestada" (Veja, Especial Dez Anos Depois, Ed. 2233, 7 de setembro de 2011) para todos os alunos.

Introdução
A reportagem de Veja sobre os custos e os impasses da intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque é um excelente ponto de partida para você e seus alunos fazerem um balanço da política externa e interna dos EUA, dez anos depois dos atentados terroristas que marcaram o início do século XXI.

Desenvolvimento
1ª aula
Distribua a reportagem de Veja para todos os alunos e peça que leiam, em silêncio. Após a leitura do texto, pergunte à turma: Qual é o saldo dessas duas guerras? Elas promoveram o avanço da democracia? O fim do terrorismo? Favoreceram a economia americana? Registre as respostas dos alunos - em um cartaz, se você achar conveniente - com o objetivo de confrontá-las com a opinião deles ao final da sequência de atividades.

Comece pelo ataque ao Afeganistão, ainda em 2001. Peça que os estudantes apontem os aspectos que, segundo a reportagem, fizeram desse conflito uma "guerra necessária". Eles provavelmente vão mencionar os laços entre o regime do Talibã e a organização terrorista Al Qaeda. Contudo, uma vez derrubados os líderes do Talibã, era mesmo necessário ficar no país até hoje?

Pergunte se alguém sabe a data de retirada das tropas americanas e de países aliados no Afeganistão. Caso seja necessário, informe que 33.000 soldados já voltaram para os EUA e outros 10.000 devem fazê-lo até o final de 2011, e para 2012 está prevista a remoção de mais 23.000. Franceses e espanhóis pretendem retirar suas tropas no mesmo ritmo. Acrescente que o Talibã prossegue na luta e sua força aumenta, o que, segundo vários analistas, enfatiza a necessidade de uma solução negociada para o impasse afegão.

Será que os EUA não sabiam onde estavam se envolvendo? Afinal, não faltam lições sobre o Afeganistão. A mais recente havia sido a intervenção soviética de 1979 a 1989, que terminou com a retirada desmoralizadora das tropas de Moscou. Muito antes disso, derrotas britânicas evidenciaram que não era difícil invadir o Afeganistão e destituir o governo existente, porém manter o domínio estrangeiro no país era outra história. Em 1839-1842, na Primeira Guerra Anglo-Afegã, tropas britânicas haviam ocupado o território, mas uma insurreição as expulsou; apenas um soldado sobreviveu à retirada. Os britânicos demonstraram mais habilidade na Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-1880), ao entrarem no país, substituindo um monarca por outro e retirando-se em 1881. Os EUA não teriam mais êxito se tivessem imitado os britânicos nesse segundo conflito, em vez de tentarem construir um Afeganistão ocidentalizado, "à sua imagem e semelhança" - algo que a URSS tentou em 1979, com um modelo diferente, socialista, mas que igualmente fracassou?

Encaminhe agora a análise da guerra do Iraque, a "guerra contestada". Solicite que os jovens indiquem passagens do texto de Veja que justifiquem essa designação. Eles podem citar o reforço da influência do Irã, livre do "contrapeso iraquiano". Torne claro que a Al Qaeda e outros grupos fundamentalistas não atuavam no Iraque de Saddam Hussein, mas depois da queda do ditador, seus integrantes passaram a realizar atentados - sobretudo contra os muçulmanos xiitas, majoritários no Iraque e no Irã. Além disso, a invasão ocorreu sob a expressa oposição da Organização das Nações Unidas - ONU, com base numa alegação que depois o então presidente George W. Bush reconheceu ser falsa: a existência de armas de destruição em massa no Iraque.

2ª aula
Com o levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos e depois de estudar as informações apresentadas na reportagem de Veja, nessa segunda aula, faça o exame do contexto político, ideológico e econômico em que ocorreu a ofensiva contra Saddam Hussein. Informe que em 2002 George W. Bush estava no auge do poder. Afinal, havia destruído o regime do Talibã, numa retaliação aos atentados do ano anterior; havia conseguido do Congresso a aprovação de leis que, em nome da "guerra ao terror", fortaleciam o Executivo, restringindo liberdades dos cidadãos americanos e dos estrangeiros no país; e preparava-se abertamente para invadir o Iraque, integrante do "eixo do mal". Cerca de 90% dos americanos apoiavam o presidente. Parecia que o governo estava conseguindo moldar o país segundo o projeto neoliberal republicano.

Que projeto era esse? Destaque alguns elementos abordados no texto.

1. Identificação entre política externa agressiva e democracia: os EUA, única superpotência após o colapso da URSS, ignoravam as recomendações da ONU e agiam como autonomeada "polícia do mundo" porque sustentavam que "a instalação de um regime democrático em Bagdá serviria como um modelo de liberdade para os outros países árabes. (...) com o florescimento da democracia, o terror suicida perderia seu apelo". Mas esse processo não ocorreu. O Afeganistão, o Iraque e os países vizinhos estão longe de ser democracias, e Washington conserva laços com regimes tirânicos como o da Arábia Saudita.

2. Condução neoliberal da guerra: o Estado mínimo e a redução dos impostos são marcos da política neoliberal. Fiel a esses princípios, o governo Bush financiou as duas invasões com empréstimos no exterior, enquanto diminuía os impostos. Mas quando a economia americana e mundial começou a sofrer abalos, essa política mostrou-se desastrosa. Para verificar isso, solicite a análise do gráfico da reportagem. Aponte que até o final de 2003 - quando já haviam sido depostos os governos afegão e iraquiano - a guerra impulsionou o crescimento do Produto Interno Bruto - PIB americano. Mas a partir de 2004, como ressalta o texto, a alta nos juros começou a encarecer o financiamento da guerra; e a crise mundial iniciada em 2007-2008 tornou a situação insustentável. A soma de relativo insucesso militar no exterior e absoluta recessão econômica levou o apoio ao presidente a menos de 30% no final de 2008, contribuindo para a vitória do candidato democrata Barack Obama nas eleições presidenciais.

O governo Barack Obama ofereceu uma alternativa real à política republicana? Observando o gráfico é possível inferir que não houve nenhuma guinada positiva, e sim um mergulho cada vez mais profundo na crise econômica. A retirada de tropas prossegue lentamente no Afeganistão e no Iraque. No terreno ideológico, terminou a louvação da tortura, mas a prisão de Guantânamo - ícone da repressão, para onde eram enviados os suspeitos de laços com o terrorismo - continua aberta, e os presos em seu interior permanecem sem julgamento.

Para terminar, coloque em debate as palavras do vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos em 2003, Paul Wolfowitz. Indagado por que Washington buscava o diálogo com a Coreia do Norte, potência nuclear do "eixo do mal", enquanto invadia o Iraque, Wolfowitz respondeu: "A maior diferença entre a Coreia do Norte e o Iraque é que, economicamente, não tínhamos escolha no Iraque. O país nada num mar de petróleo". No entanto, se a ideia era controlar o petróleo iraquiano, esse projeto não se realizou, como mostra o quadro "Em benefício dos outros", de Veja. Em que medida a preferência iraquiana por empresas turcas, italianas e francesas pode ser vista como um ato disfarçado de retaliação ao agressor? Discuta com a turma.

Avaliação
As atividades vão fornecer elementos para a resposta às questões do início do plano de aula: qual foi o saldo da intervenção militar norte-americana no exterior, iniciada por George W. Bush e mantida por Barack Obama? Peça que os alunos elaborem um pequeno texto dissertativo sobre essa questão. Recolha os textos e compare com as ideias prévias que eles tinham no início da sequência de atividades. Espera-se que os alunos percebam que a intervenção dos EUA no Afeganistão e no Iraque não promoveu o avanço da democracia, nem o fim do terrorismo, e muito menos favoreceu a economia americana. Mais ainda, as pesquisas sobre o governo Obama devem mostrar que sua incapacidade de revigorar a economia americana - o que talvez exigisse o corte radical dos gastos militares, com ampla redução do número de soldados no exterior, além de aumento de impostos -, está desestimulando o eleitorado democrata e tornando os republicanos cada vez mais ferozes em sua mobilização para a eleição presidencial de 2012.

Consultoria Carlos Eduardo Matos
Jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.

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