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Plano de Aula

Campo, cidades e municípios: o grande salto do Brasil urbano

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
- Entender o que é a urbanização.
- Diferenciar cidades de municípios.
- Compreender as transformações decorrentes do processo brasileiro de urbanização.
- Analisar os fatores que impulsionam o crescimento das cidades brasileiras de médio porte.

Conteúdos
- Urbanização.
- Campo, cidade e município.
- Cidades brasileiras de médio porte (com mais de 200 mil habitantes).

Tempo estimado
Uma aula.

Materiais necessários
Cópias da reportagem “A economia que pulsa no interior do país” (Veja, ed. 2241, 02 de novembro de 2011, Especial Cidades) para todos os alunos.

Introdução
Veja desta semana traz uma série de reportagens especiais sobre o desenvolvimento das cidades brasileiras de médio porte – com mais de 200 mil habitantes. A reportagem “A economia que pulsa no interior do país” é um bom mote para discutir com os alunos os avanços do processo de urbanização e os fatores que influenciam no desenvolvimento econômico e social das cidades.

Desenvolvimento
1ª etapa
Inicie a aula contando à turma que vocês irão discutir os avanços econômicos e sociais decorrentes do processo de urbanização do país. Lembre os alunos de que este processo é recente e que há poucas décadas a maioria de nossa população ainda vivia na zona rural.

Para contextualizar o assunto, explique três aspectos que se destacam no chamado “Brasil urbano”:

1. Hoje, a maioria da população (mais de 80% dos brasileiros) vive no mundo urbano. Este índice aproxima o Brasil de vários países desenvolvidos, o que faz cair por terra o argumento de que a urbanização é um fenômeno apenas de países ricos.

2. A urbanização brasileira é marcada por um grande processo de metropolização, ou seja: são numerosos os centros urbanos que são metrópoles de grande porte, com mais de 1 milhão de habitantes. Sem contar São Paulo que está entre as 10 maiores metrópoles do mundo. As metrópoles somadas produzem mais de 50% do PIB brasileiro e reúnem os recursos econômicos e culturais mais importantes da sociedade nacional

3. O fortalecimento cada vez mais notório de “uma rede de cidades médias” – que são aquelas com mais de 200 000 habitantes. As cidades interioranas, quando longe da influência das metrópoles, se mantinham muito em função das economias agrícolas. E isso não lhes garantia uma dinâmica de crescimento econômico e populacional. O que vem mudando é o fato de haver, agora, uma urbanização que leva ao crescimento de muitas cidades de porte médio, e que têm economias dinâmicas, realmente urbanas e com certa autonomia em relação às metrópoles.

E a reportagem de Veja trata, justamente, desse terceiro aspecto da urbanização brasileira, apresentando vários dados e detalhando alguns aspectos relevantes.
Com base nessas informações, distribua as cópias da reportagem aos alunos e sugira que façam uma leitura compartilhada. Em seguida, questione os alunos: afinal, todos sabem o que é a urbanização?

2ª etapa

Com base na leitura de Veja e nas respostas dos alunos, ajude-os a definir o que é mundo urbano, ou o que é a urbanização. Embora pareça um conceito simples e nítido, não é óbvio. Há muitas controvérsias e, mesmo confusões a respeito da ideia de “urbano”. Há, inclusive, uma linha de pesquisadores de grandes universidades brasileiras (como a USP e a Unicamp) que consideram equivocada a forma pela qual o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) identifica o que é o mundo urbano. Para esses estudiosos, o Brasil urbano não representaria mais que 60% da população. Por isso, professor, você deve conhecer a fundo algumas definições conceituais para organizar as discussões em sala de aula. A seguir, algumas sugestões para orientar esta etapa da aula.

Comece explicando aos alunos o que é cidade, o que é rural e o que é município: não é incomum encontrarmos o uso das palavras cidade e município como sinônimos, mas elas não possuem o mesmo significado. Populações rurais também vivem em municípios. De um modo geral, todos os municípios têm população urbana e população rural. Mas você pode perguntar aos estudantes: onde vive a população urbana de um município? Espera-se que eles respondam que é na cidade, que está situada dentro do município. E onde vive a população rural? No campo, que também se situa dentro de um município.

Em seguida, pergunte aos alunos: existem municípios sem população urbana, sem cidade? É esperado que eles respondam não, porque para um município existir ele terá que ter uma cidade como ponto principal do seu território.

Entretanto, pode haver um município sem campo, logo sem população rural. Há municípios em que a cidade tomou todo o território, como acontece com as cidades metropolitanas. Aliás, é por isso que muitas vezes tratamos os municípios como sinônimos de cidades, porque estas, em alguns casos, representam a totalidade dos municípios.

Mas, então, o que é a cidade? Explique que trata-se da aglomeração humana e de atividades vivendo na menor distância possível. A cidade reúne as atividades administrativas e políticas do município, enquanto que o campo é a área do município de população dispersa, que vive em torno das atividades agropecuárias.

Para fechar esta etapa da aula, lance uma pergunta ao alunos: será que as cidades médias ficam em municípios que ainda têm campo, têm vida rural? Certamente sim. Por isso, vale ressaltar que dizer que um município tem mais de 200 mil habitantes não significa afirmar que a cidade tenha essa população: é preciso descontar a população rural, que em alguns municípios brasileiros de médio porte é grande: de 20 a 30% do total.

Lembre os alunos de que o município é uma unidade territorial administrativa e política do estado brasileiro – assim como os estados e a federação. Ele em si, não é um fenômeno geográfico. Mas o campo, a cidade ou os tipos de cidades podem ser estudados como fenômenos geográficos.

3ª etapa
Prossiga na aula expositiva diferenciando as verdadeiras cidades médias do que podemos chamar de “pseudo cidades médias”. Conte aos alunos que a confusão entre município e cidade gera um grave mal-entendido. O principal exemplo brasileiro é o da cidade de São Paulo. Nas estatísticas internacionais São Paulo aparece como a 5ª maior cidade do mundo (conforme a ONU), com a população de 18,84 milhões. E vejam só: o município de São Paulo não possui mais que 11,5 milhões de habitantes. Haveria aqui algum equívoco? Não. A cidade de São Paulo (seu processo de urbanização) não só tomou todo o território do seu município (urbanizando o campo), como extrapolou as fronteiras políticas do município e invadiu a área dos municípios vizinhos: eliminou o campo que havia neles e envolveu os seus núcleos urbanos numa mesma trama urbana. Esses 7 milhões “excedentes” resultam da somatória das populações dos municípios vizinhos, que estão incluídos nas cidades de São Paulo.

Explique que não se pode, em termos geográficos, tratar esses municípios como cidades autônomas, próprias, por diversas razões.

Em primeiro lugar, eles não têm uma economia própria, limitada ao seu território. Estão integrados ao quadro econômico da metrópole. Isso fica nítido em relação ao mercado de trabalho: não existe mercado de trabalho, por exemplo, do município de Osasco, pois boa parte da população habitante no município trabalha no mercado de trabalho de outra escala (a da metrópole), quer dizer: preenchem vagas em outros municípios (em especial, no principal município da cidade, que é o de São Paulo); e boa parte dos empregos gerados em atividades do município é preenchida por habitantes de outros municípios. Isso significa que podemos dizer que São Paulo é uma cidade multimunicipal.

Observe, também, que o mesmo fenômeno acontece em outras cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro (ainda principal responsável pelo desenvolvimento do município de Niterói), Recife, Salvador, Porto Alegre etc. A chamada ‘área metropolitana’ é a cidade verdadeira, integrada por um único mercado de trabalho, por uma única sociedade que nela mora, trabalha, estuda e pratica o lazer na cidade e não no município. Portanto, um município que constitui uma metrópole, e que tenha 200 mil habitantes, não pode ser chamado de “cidade média”. Ele é, na verdade, uma pseudo cidade média, pois é parte da metrópole.

Mas seus alunos devem estar se perguntando: o que é uma verdadeira cidade média? Explique que é aquela que não está integrada a uma metrópole, que não faz parte dela. Trata-se de um núcleo urbano próprio, autônomo economicamente, com mercado de trabalho próprio preenchido em grande medida por seus moradores, com crescimento populacional e econômico determinado por suas atividades econômicas. Enquadram-se nesta categoria várias cidades gaúchas, paulistas, paranaenses e de vários estados das regiões Norte e Nordeste, como Campina Grande na Paraíba. Observando o conjunto dessas cidades percebe-se de fato um dinamismo, e vale discutir por que isso acontece.

4ª etapa
Debata com a turma o dinamismo das cidades médias verdadeiras e as disparidades regionais. As cidades médias antes eram mais ‘raquíticas’ e muito dependentes das atividades agrícolas do município. Mas algo vem mudando: aos poucos, essas cidades passaram a desenvolver atividades urbanas (indústria, comércio, serviços educacionais e médicos, turismo etc.) mais significativas.

Investigue com os alunos o que impulsiona esse novo crescimento. Mas antes de ouvir a opinião dos estudantes, forneça a eles uma pista: hoje, as cidades médias são capazes de desenvolver atividades que antes só eram possíveis em grandes aglomerações urbanas. Algumas cidades médias recebem empresas transnacionais e, com isso, acabam mantendo um contato mais intenso com as grandes cidades, que abrigam as matrizes dessas empresas.

Outro aspecto notório e que fica evidente na reportagem de Veja, diz respeito à manutenção das disparidades regionais do país. Todos os itens destacados sobre as cidades médias são ilustrados com rankings sobre as “melhores” e as “piores” cidades médias. Vale retomar o texto com os alunos e pedir que verifiquem se esses rankings seguem uma lógica regional (os melhores estão sempre em certas regiões e os piores em outras) ou não. Peça que os alunos debatam brevemente os resultados dessa análise.

Para concluir, proponha que os alunos escrevam um texto a respeito das cidades onde vivem, classificando-as de acordo com os conceitos estudados na aula e relatando algumas das atividades econômicas da localidade.

Avaliação
Com base na participação dos alunos nas discussões em sala e nos textos produzidos, observe se todos compreenderam o que é a urbanização, quais as principais diferenças entre cidades e municípios e como é possível classificar as cidades de médio porte. Leve em conta os objetivos estabelecidos no início desta aula e, se julgar necessário, proponha algumas questões que devem ser respondidas por escrito pelos alunos.

Consultoria Jaime Tadeu Oliva
Geógrafo, professor do Instituto de Estudos Superiores da USP, e autor de livros didáticos.

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