Conteúdo relacionado
Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
Objetivos
- Promover a discussão sobre o uso da ferramenta de busca Google, sua utilidade e suas limitações.
- Fomentar uma percepção crítica em relação aos resultados de pesquisas na Internet e sua utilização no ambiente escolar.
Conteúdos
- Ciências Sociais.
- Internet.
- Ferramentas de busca.
- Google.
Tempo estimado
Duas aulas
Material necessário
Cópias da reportagem "Mil e uma maneiras de perguntar ao Google" (Veja, Ed. 2234, 14 de setembro 2011) para todos os alunos. Além disso, será necessário ambiente para que a turma tenha acesso à Internet (como a sala de informática) ou um computador conectado com recursos de projeção para o professor.
Introdução
Atualmente, "dar um Google" - isto é, fazer uma pesquisa de conteúdo, páginas ou vídeos sobre determinado assunto na mais popular das ferramentas de busca - é uma atividade praticamente obrigatória no uso cotidiano da Internet. Sem a facilidade dos sites de busca, encontrar um conteúdo específico na imensidão da rede pode ser uma atividade muito difícil. A reportagem publicada em Veja oferece orientações importantes para melhorar as pesquisas e facilitar nossas buscas na Internet
Com base nas indicações do texto de Veja, em discussões sobre o histórico e o funcionamento do Google e por meio do uso prático da ferramenta, problematize com os alunos sua utilidade e limitações, destacando os pontos positivos e negativos de sua utilização nas atividades escolares.
Desenvolvimento
1ª aula
Inicie a aula com uma discussão sobre o uso da Internet: pergunte aos alunos se eles possuem acesso à rede, que tipo de acesso é este (banda larga? Acesso discado?), qual a frequência de uso e quais os principais serviços e páginas acessados. Conduza a discussão sobre o uso da Internet para a realização de atividades escolares, tais como exercícios, trabalhos ou até mesmo preparação para provas, procurando averiguar como os alunos costumam usar os mecanismos de busca e, de maneira específica, o Google.
Se os alunos estiverem na sala de informática, peça que realizem buscas, utilizando o Google, sobre assuntos relacionados ao cotidiano: incentive-os a pesquisar sobre o nome da escola, a rua onde moram, o bairro e a cidade. Você pode propor outros temas de busca que julgar mais relevantes para a sua turma, de acordo com sua realidade local. No caso de existir apenas um computador com acesso à Internet disponível, deixe que os alunos tenham liberdade para propor alguns assuntos e eleja alguns voluntários para realizar a pesquisa.
Em seguida, solicite que os alunos façam uma avaliação sobre as buscas realizadas: os resultados apresentados diziam respeito aos assuntos procurados? As primeiras páginas sugeridas pelo mecanismo de busca eram as mais relevantes e confiáveis? Foi possível perceber alguma inconsistência ou dados incorretos que apareceram como resultado de busca? Os alunos se sentiram motivados a aprofundar as pesquisas?
Distribua as cópias da matéria "1001 maneiras de perguntar ao Google", publicada em Veja, leia com a turma e peça que os alunos refaçam as buscas, utilizando as dicas apresentadas. Certifique-se de que eles utilizem, também, os recursos de busca por imagens e por notícias e tire dúvidas enquanto a turma refaz as buscas.
Por fim, peça que os estudantes relatem os resultados de suas novas pesquisas, comparando-os com as buscas anteriores. Faça com que a turma se sinta à vontade para comparar as experiências e avaliar a utilidade dos novos parâmetros de pesquisa. Se for necessário, peça que eles repitam as buscas de alguns dos exemplos apresentados na reportagem.
2ª aula
Utilizando o texto de apoio abaixo, inicie a aula com uma discussão sobre o uso da Internet para realização de pesquisas com finalidades educacionais.
TEXTO DE APOIO
Atualmente, a Internet é constituída por uma grande variedade de serviços de informação e de comunicação. Depois do e-mail, o serviço mais utilizado na rede é, provavelmente, a world wide web (ou apenas www), isto é, o conjunto de páginas de hipertexto [o texto em formato digital, que pode agregar links e outras informações relevantes, mudando o sentido convencional da leitura e conduzindo o usuário à navegação pela Internet] que acessamos por meio de nossos navegadores de Internet e que vasculhamos com o auxílio de serviços como os mecanismos de busca - como os mais conhecidos Google e Bing. Trata-se de um conjunto virtualmente infinito de conhecimentos e informações concentrados em uma única mídia ou meio de acesso.
Ainda que o tamanho e a complexidade dessa "rede de conhecimento" sejam inegáveis, a ideia não é tão nova quanto parece. A origem dos mecanismos de busca pode ser vinculada, por exemplo, ao movimento enciclopedista. No século 18, na França, um grupo de filósofos liderados por Denis Diderot editou a primeira enciclopédia (composta por mais de vinte volumes), procurando reunir e sistematizar a totalidade dos conhecimentos humanos até então produzidos pela humanidade.
De fato, durante muitos anos, as enciclopédias foram a principal "porta de entrada" para o conhecimento: através de seus verbetes logicamente organizados e cuidadosamente redigidos e certificados, um estudante poderia iniciar uma pesquisa sobre determinado assunto, encontrando a partir da enciclopédia algumas informações essenciais sobre um tema e possivelmente novas indicações de leitura.
Com a chegada das tecnologias de informação e comunicação (principalmente o computador pessoal e a Internet), este processo foi amplificado enormemente. Hoje, a quantidade de informações disponíveis e a rapidez para acessá-las superam infinitamente as condições da época do enciclopedismo, e nunca a produção do conhecimento foi tão democrática.
Diante de tamanha grandiosidade, algumas perguntas surgem naturalmente: como não se perder diante de tantas informações? Onde encontrar a informação correta? As respostas para essas perguntas surgem, ainda nos princípios da world wide web, na forma dos mecanismos de busca - sistemas computacionais que catalogam e organizam as páginas de Internet existentes, de acordo com seus conteúdos e palavras-chave, e fornecem estas informações aos usuários.
No entanto, é importante observar que esses mecanismos de busca não são o equivalente digital de um bibliotecário, que indica aos estudantes a fonte (livro, filme ou enciclopédia) mais adequada para suas necessidades. Os mecanismos de busca na Internet são produtos comerciais e possuem uma lógica que segue os interesses de seus criadores. Em muitos casos, os resultados apresentados por esses serviços de busca não são classificados apenas por sua relevância cultural e educacional: no caso do mecanismo de buscas Google, por exemplo, muitas vezes os primeiros resultados apresentados para uma busca estão ali porque os "donos" das páginas pagaram ao Google para que suas informações, produtos ou serviços aparecessem com destaque nas buscas dos internautas. Além de uma maneira de classificar e organizar os dados, os mecanismos de busca são também serviços de publicidade.
Isso não significa que os resultados sejam incorretos ou irrelevantes. Muitas vezes, eles servem exatamente aos nossos propósitos. No entanto, isso pode ser também um indício de que devemos fazer buscas mais criteriosas, principalmente quando realizamos algum trabalho escolar. Portanto, uma busca um pouco mais cuidadosa e a utilização de diversas fontes são sempre bem-vindas! Sempre que possível, um estudante deve procurar utilizar mais de uma fonte de informações, comparando-as e buscando fazer uma síntese daquilo que foi encontrado. Vale até mesmo dar uma passadinha na biblioteca e conferir se as informações encontradas estão de acordo com os livros didáticos e as enciclopédias. E uma última orientação: evitar ao máximo copiar e colar diretamente da Internet. Ao fazer isso, o aluno corre o risco de copiar alguma informação incorreta e até mesmo de seu professor descobrir sua malandragem com a ajuda dos mecanismos de busca.
Outro texto que pode contribuir para a sua reflexão antes de discutir com os alunos em sala chama-se "Tecnologias móveis: amigos ou inimigos disfarçados", da pesquisadora Martha Gabriel, disponível em http://abr.io/1OAI (páginas 66-79). Você pode consultar, ainda, a reportagem de Nova Escola que oferece um mapa da pesquisa confiável na Internet.
Depois de ler o texto de apoio com os alunos, organize a turma em duplas ou em grupos, de acordo com a disponibilidade de acesso à Internet. Explique que eles deverão realizar uma pesquisa na Internet e então produzir um texto curto (de três a cinco parágrafos) sobre algum dos assuntos abordados acima (enciclopedismo, world wide web, Google). Turmas com uma boa compreensão sobre o uso da Internet podem enviar o texto através de e-mails para você ou para um grupo de e-mails criado entre os alunos.
Incentive os estudantes a seguir as orientações da matéria de Veja e a utilizar fontes diversas de pesquisa. É importante ressaltar que os alunos devem anotar as fontes utilizadas (sites, blogs, artigos) e citá-las sempre que possível, com a data de acesso (já que tudo pode mudar a todo instante na rede). Se existir apenas um computador para uso na sala, faça uma apresentação usando o texto de apoio, realize algumas buscas utilizando o Google e permita que os grupos usem o computador para refazer as buscas e verificar alguns dados. No caso dos alunos se sentirem motivados a pesquisar na biblioteca, permita que eles utilizem também fontes tradicionais como livros didáticos, livros técnicos, dicionários e enciclopédias.
Avaliação
Com base na participação dos alunos e nas atividades propostas, verifique se houve entendimento sobre o uso seguro e diverso das ferramentas de busca na Internet. Analise também se a turma é capaz de analisar criticamente os resultados das pesquisas feitas no Google em sala de aula e se conseguiu melhorar a utilização dessa ferramenta no ambiente escolar. Lembre-se: não avalie os alunos por conta de sua facilidade ou apenas pelos conhecimentos que eles já têm sobre o uso da Internet, mas principalmente pela capacidade de compreensão crítica do tema abordado.
Consultoria Maiko Rafael Spiess
Sociólogo, mestre e doutorando em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Pesquisador do Grupo de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia - UNICAMP.