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Passado, presente e futuro das metrópoles

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Centros do conhecimento, do progresso e do multiculturalismo ou fontes de caos e desigualdade? Resgate com os alunos o surgimento das grandes cidades e proponha um debate sobre seus rumos

Objetivos
- Discutir a origem das grandes metrópoles, destacando suas atuais características e desafios em relação ao futuro

metropoles

Conteúdos
- História das cidades
- Processo histórico da formação das metrópoles modernas
- As metrópoles brasileiras: características e desafios para o futuro

Tempo estimado
- Três aulas

Material necessário 
- Cópias da entrevista "Quanto mais gente, melhor", publicada em VEJA (Ed. 2262, 28 de março de 2012) para todos os alunos
- Cópias da letra e videoclipe da música A Cidade, de Chico Science & Nação Zumbi
- Computador com acesso à internet ou TV com aparelho de DVD

Introdução
Desde seu nascimento, impulsionado pelas transformações econômicas geradas pela Revolução Industrial, as metrópoles modernas têm gerado opiniões contraditórias em relação à sua existência. Tais opiniões oscilam entre o elogio ao fato de serem o centro da inovação, do progresso e do multiculturalismo; e a condenação como sendo fonte de desigualdade e caos. Aos críticos da vida nas metrópoles, o economista norte-americano Edward Glaeser avisa: "o futuro de nossa espécie reside nas aglomeradas ruas das grandes cidades". A entrevista Quanto mais gente melhor, concedida por Glaeser a VEJA é o ponto de partida para uma discussão sobre a trajetória histórica das metrópoles, suas características atuais e seus desafios para o futuro.

Desenvolvimento

1ª aula
Inicie a aula solicitando aos alunos que façam uma rápida comparação entre o campo e as metrópoles, destacando as características de cada espaço, além de emitir a opinião que têm a respeito. Aproveitando as informações fornecidas pela turma, informe que a aula discutirá justamente o processo de formação das primeiras cidades e das metrópoles modernas, destacando sua relação com o campo e características atuais, além de procurar refletir a respeito de seus problemas e perspectivas para o futuro.

Explique que a necessidade de subsistência e abrigo contínuos acabou por indicar à humanidade as vantagens de sua fixação em assentamentos permanentes. Buscando, primeiramente, fácil acesso à água, as primeiras cidades se apresentaram como uma solução para a fome e o perigo gerado por predadores, ou mesmo grupos rivais.

Não há exatamente um consenso em relação ao período fundador da vida em cidades, mas indícios mostram que os primeiros núcleos populacionais surgiram no Oriente, mais especificamente nos vales dos rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia, por volta de 3500 a.C. A região que hoje compreende o Iraque é o berço de cidades como Ur e a Babilônia, que podem ter abrigado, respectivamente, populações que alcançaram o número de 50 e 80 mil pessoas.

A proximidade e dependência da água foi um fator determinante para a fundação das primeiras cidades, que por isso também são conhecidas como "civilizações hidráulicas". Assim como Ur e Babilônia, outros núcleos urbanos da antiguidade nasceram às margens de grandes rios: as egípcias, Mênfis e Tebas, no vale do Nilo; Mohenjodaro, no vale do Indo, região centro-norte da Índia; Pequim e Hang-chou, no vale do rio Amarelo, China. Com água disponível e terras férteis, o domínio da agricultura tornou possível a permanência de grandes contingentes humanos nas primeiras cidades.

Na antiguidade clássica, entre os séculos VIII a.C e V d.C., as cidades gregas e romanas, tendo como exemplos máximos Atenas e Roma, são a principal referência sobre o florescimento dos grandes ajuntamentos humanos no Ocidente. Considerada o berço da cultura ocidental, Atenas se destacou entre as cidades-Estado gregas, tendo chegado a comportar uma população de 250 mil habitantes, além de ter sido o centro de poder e principal expoente da cultura helenística em seu período de ouro (500 a.C. a 300 a.C), marcado pela organização da política, pelas artes e pela filosofia. Já a capital do Império Romano foi o maior centro urbano do Ocidente, durante a antiguidade, chegando a abrigar a incrível soma de 1 milhão de habitantes no século I d.C. O cenário urbano da capital de todos os romanos foi marcado pela constante preocupação de seus governantes em relação ao controle social da população, em parte exercido através do chamado "pão e circo" (panem et circenses), constituído de grandes espetáculos públicos, abrigados em arenas, como o Anfiteatro Flávio, mais conhecido como Coliseu, construído por volta do ano 80 d.C., palco dos combates de gladiadores.

Informe aos alunos que o fim do Império Romano do Ocidente no século V, provocado, entre outros fatores, pelas chamadas "invasões bárbaras", acabou por também provocar a decadência das grandes cidades da antiguidade. A partir de então, a Europa passou por um processo de ruralização que só começou a ser revertido por volta do século X, quando as trocas comerciais ganharam força, tendo as cidades como palco principal. Contudo, foi o conjunto de transformações econômicas impostas pela Revolução Industrial, ocorrida em fins do século XVIII, que determinaram o crescimento vertiginoso e desordenado das cidades europeias, que culminou com o nascimento dos grandes centros urbanos, hoje conhecidos como metrópoles.

A partir da Inglaterra, os primeiros ventos da expansão capitalista adentraram o século XIX, impulsionando um duro processo de êxodo rural, cujo produto foi o inchaço populacional de cidades industriais, sedentas por mão de obra. O crescimento vertiginoso das cidades, comandado pelas novas forças de produção, não transformaram apenas as relações das pessoas com o trabalho, mas também suas percepções em relação ao espaço e ao tempo. Mudou a relação com o espaço vivido, em constante crescimento e transformação, assim como com o tempo, que passou a ser controlado, contado e monetizado: "tempo é dinheiro".

Adentrando o século XX, o processo de urbanização alcançou praticamente todo o globo. A partir da década de 1950, o fenômeno, antes circunscrito às nações do Hemisfério Norte, com alto índice de industrialização, chegou com toda força ao mundo em desenvolvimento. Nações antes majoritariamente rurais e agrícolas, como era o caso do Brasil - que observou na década de 1950 a aceleração de seu processo de industrialização -, presenciaram um rápido e vertiginoso deslocamento de sua população do campo em direção aos principais centros urbanos, necessitados de mão de obra para a indústria em crescimento, mas, na maioria das vezes, completamente despreparados para receber seus novos ocupantes. Na década de 1940, a população das cidades consistia em 30% do total de habitantes do Brasil. Três décadas depois, em 1970, 55,9% dos brasileiros já moravam em cidades grandes; percentual que aumentou para 81,2% em 2000, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os últimos dados censitários, válidos para o ano de 2010, mostraram que a população urbana aumentou para 84,4% do total, sendo que a região sudeste é a mais urbanizada, abrigando as duas maiores metrópoles do país: São Paulo, com 11.253.503 habitantes, e Rio de Janeiro, que possui 6.320.446 habitantes.

Esse processo de urbanização que tomou conta do mundo nos últimos três séculos pode ser encarado como uma moeda de duas caras: de um lado as vantagens, de outro os problemas. A industrialização criou um confronto entre o campo - não entendido apenas como espaço rural, mas toda área fora das grandes aglomerações urbanas -, e a cidade, representada pelas metrópoles modernas e suas áreas de influência. Uma guerra de "prós" e "contras" de cada espaço tem ocorrido desde então, tendo ganhado bastante força nos dias atuais, diante dos desafios impostos pela poluição, pelo inchaço populacional, entre outros problemas.

Nesse confronto, a metrópole ora é adjetivada como o espaço do progresso, da modernidade e da racionalidade, ora como espaço da desordem e do caos social. Já o mundo "rural", recebe a pecha de fonte de atraso e monotonia, ao mesmo tempo em que pode ser indicado como berço da paz e da vida simples. Contudo, a metrópole não é apenas fruto das forças produtivas, das engrenagens da economia. É também resultado de ações humanas socialmente construídas, que agregam diferentes sentidos à sua estrutura física, às suas ruas e praças, apesar de seu caráter muitas vezes segmentado, individualizado e excludente.

Por sua vez, as pequenas cidades, apesar de ainda se verem livres do trânsito caótico ou da falta de tranquilidade, se encontram em desvantagem em relação aos grandes centros quanto a oferta de serviços e de trabalho (mesmo que esta não seja suficiente na metrópole), além de, muitas vezes, impedir o exercício do anonimato, pela visibilidade que uma população diminuta dá ao indivíduo, ou, ainda, impedir que se possa ter contato com a diversidade, o que é plenamente possível nas metrópoles, sempre repletas de pessoas das mais variadas origens.

Comente com a turma que o constante aumento da população acaba por representar novas demandas em relação à infraestrutura, compreendendo aí uma oferta maior de transporte público, atendimento de saúde, saneamento e habitação. A insuficiência dos serviços públicos básicos acaba por gerar marginalização social de uma porção importante de sua população. De acordo com estimativas da ONU, cerca de 30% da população mundial que habita as grandes cidades vivem na absoluta pobreza, sendo que entre 20 milhões e 40 milhões de famílias não têm onde morar. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD), de 2008, indicaram que seria necessária a construção de mais de 5,5 milhões de moradias para acabar com o déficit habitacional existente. De acordo com a mesma pesquisa, a região sudeste, a mais populosa, concentra cerca de 36,9% do total do déficit habitacional brasileiro.

2ª aula
Retome o conteúdo abordado na aula anterior, relembrando informações acerca da origem das metrópoles e de seus problemas. Em seguida, divida a turma em grupos e distribua cópias da letra da música A Cidade, de Chico Science & Nação Zumbi (abaixo), assim como da entrevista Quanto mais gente melhor, de VEJA. Avise aos alunos que exibirá o videoclipe da música (disponível aqui), sendo que a letra discute justamente os problemas de uma metrópole brasileira, no caso Recife.

A Cidade
Chico Science & Nação Zumbi
O Sol nasce e ilumina as pedras evoluídas,
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas.
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas,
Não importa se são ruins, nem importa se são boas.
E a cidade se apresenta centro das ambições,
Para mendigos ou ricos, e outras armações.
Coletivos, automóveis, motos e metrôs,
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.
A cidade se encontra prostituída,
Por aqueles que a usaram em busca de saída.
Ilusora de pessoas e outros lugares,
A cidade e sua fama vai além dos mares.
No meio da esperteza internacional,
A cidade até que não está tão mal.
E a situação sempre mais ou menos,
Sempre uns com mais e outros com menos.
A cidade não pára, a cidade só cresce
E de cima sobe e o de baixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus.
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus.
Num dia de Sol, Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.

Após a exibição do videoclipe, solicite que os alunos façam a leitura da letra, tentando observar como ela discute os problemas das metrópoles. Observe se os grupos conseguem articular, de forma clara, as informações anteriormente trabalhadas com a crítica presente na música.

Aproveitando a discussão, faça a leitura da entrevista "Quanto mais gente, melhor" junto com a turma, procurando destacar a forma como a opinião do economista Edward Glaeser vai no sentido contrário da quase totalidade das informações abordadas na aula anterior. Procure ainda destacar algumas das principais afirmações feitas pelo entrevistado, como a de que as metrópoles não geram desigualdade e pobreza, sendo, ao contrário, fonte de riqueza e melhor renda em comparação com o campo; de que as grandes cidades não representam uma ameaça ambiental, como se tem propalado atualmente.

Comente ainda a indagação oferecida pelo entrevistado, ao questionar a conservação de paisagens urbanas, como a de Paris, explicando que os patrimônios culturais, como é o caso da capital francesa, fazem parte da identidade de grupos sociais. Ao contrário do que o economista afirma (ou mesmo negligencia), a cidade, suas ruas, prédios, monumentos, todo seu espaço, possuem valor não mensurável, diretamente relacionado à forma como um povo, uma nação, constituem sua memória e identidade. Sendo assim, como pensar na destruição deste patrimônio em nome do "livre mercado"?

Solicite aos grupos que desenvolvam um trabalho relacionando os argumentos presentes na música de Chico Science & Nação Zumbi à entrevista concedida por Edward Glaeser, relacionando-os com as impressões pessoais que eles têm acerca das metrópoles. Por fim, peça que aos grupos que, além de comparar os discursos, que incluam ao final do trabalho um exercício imaginativo, tentando prever como as metrópoles serão daqui a 100 anos, pensando principalmente nos argumentos de Glaeser. Explique que as informações coletadas deverão ser apresentadas na forma de seminário em sala de aula, a fim de que as impressões de cada grupo possam ser discutidas com todos os colegas.

3ª aula
Apresentação de seminários e debates.

Avaliação
Observe, durante a apresentação dos seminários e debates em sala, se todos compreenderam os aspectos referentes à formação histórica das metrópoles, suas principais características e problemas. Não obstante, avalie se os grupos foram capazes de estabelecer um diálogo entre os conteúdos abordados e os diferentes discursos acerca da metrópole, presentes na música e na entrevista.

 

Consultor Luiz Gustavo Cota
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense


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