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Plano de Aula

O país dos santos e orixás

Planeta Sustentável

Objetivos
Perceber as origens do sincretismo e as razões da atual resistência a ele.

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Reportagem da Veja:

Reportagem:

Introdução
O texto "Abaixo os Santos" aborda o universo do candomblé, focalizando o sincretismo - fusão de elementos culturais diferentes ou até antagônicos. Essa fusão hoje é recusada por algumas personalidades do candomblé, em nome da pureza do culto. Mas será que o sincretismo não é irreversível? Não seria ele a expressão de uma religiosidade que não é católica nem africana, mas afro-brasileira? O plano de aula vai ajudar você a discutir essa questão com os alunos. Com ele é possível ainda analisar as relações entre as manifestações culturais e o modo de vida das comunidades nas quais elas se desenvolveram.

Atividades
1. Peça que os alunos leiam a reportagem e discutam por que "os expoentes do candomblé baiano não querem mais saber do sincretismo com os católicos".

2. A seguir, proponha que eles façam pesquisas sobre as condições de vida dos escravos no Brasil e sobre as rebeliões negras, como a Revolta dos Malês, no século XIX. Explique que os donos de terras procuravam impedir que escravos de uma mesma etnia trabalhassem lado a lado: quanto maior a diversidade étnica e lingüística entre os negros, mais difícil seria a unidade da massa escrava e menor o risco para os senhores. A elite perseguiu, em especial, os negros adeptos do islamismo (na Bahia chamados de Malês), que sabiam ler e escrever e encontravam na religião um meio de resistência.

3. Leia o trecho abaixo, que complementa as pesquisas anteriores e ajuda a desfazer a crença de que nosso sincretismo foi fruto apenas de relações pacíficas e cordiais:
"Uma colônia escravista estava pois fadada ao sincretismo religioso. Outorgado, talvez, num primeiro momento, pela camada dominante, o sincretismo afro-católico dos escravos foi uma realidade que se fundiu com a preservação dos próprios ritos e mitos das primitivas religiões africanas. Cultuava-se São Benedito, mas cultuava-se também Ogum, e batiam-se atabaques nos Calundus [termo angolano para os rituais religiosos] da colônia. Nas estruturas sociais que lhes foram impostas, os negros, através da religião procuraram ´nichos´ em que pudessem desenvolver integradamente suas manifestações religiosas. (...) A religião africana vivida pelos escravos negros no Brasil tornou-se assim diferente da de seus antepassados, mesmo porque não vinham todos os escravos de um mesmo local, não pertencendo a uma única cultura." (Laura de Melo e Souza, O Diabo e a Terra de Santa Cruz)

Após a leitura, analise com seus alunos os seguintes aspectos:
O que o título do livro sugere sobre o imaginário religioso dos colonizadores europeus católicos no Brasil?
Como e por que ocorreram as primeiras formas de sincretismo religioso no Brasil?
Por que aqui a religião dos negros se tornou diferente da original africana?

4. Encomende pesquisas sobre remanescências pagãs no catolicismo.

5. No Brasil predomina o candomblé jêje-nagô, resultante da fusão entre essas duas tradições. Existem no país outros rituais de origem africana? Quais são?

6. Sugira que a turma levante informações sobre os orixás abaixo.

7. Na Mensagem ao Povo Brasileiro, documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre os 500 anos de catolicismo no Brasil, elaborado neste mês, a Igreja Católica pede perdão aos negros por ter imposto uma religião aos seus ancestrais escravizados. Discuta com os alunos essa autocrítica dos bispos brasileiros.

Mestiços do Brasil

O antropólogo Darcy Ribeiro, o romancista Jorge Amado e outros autores mencionam com orgulho, em seus livros, a cultura mestiça de nosso povo. Entre os representantes dessa mestiçagem cultural, é possível destacar os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil e também o francês Pierre Verger. Fotógrafo, Verger veio para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial, e se apaixonou pela paisagem e pela gente da Bahia. Depois se tornou adepto do candomblé: por suas fotos, Jorge Amado chamou-o de "os olhos de Xangô". Verger pesquisou o tráfico de escravos entre o Brasil e a África, e naquele continente foi iniciado no culto de Ifá, o orixá do oráculo. Recebeu então o título hierárquico de babalaô - que não existe mais no candomblé brasileiro - e passou a usar o nome de Pierre Fatumbi (que nasceu de novo, em Ifá) Verger.

1. Encarregue seus alunos de pesquisar, em livros e na internet, a obra de Pierre Fatumbi Verger (especialmente o livro Orixás) e a de Darcy Ribeiro (em especial O Povo Brasileiro).

2. Peça que a classe crie um painel com fotos de Verger, imagens de orixás - inclusive as elaboradas por outro nome que contribuiu para nossa mestiçagem cultural, o artista plástico argentino Carybé (autor das ilustrações desta página) - e músicas de Caetano e de Gil que abordem os orixás do candomblé e a cultura afro-brasileira.

 

Consultoria José Geraldo Vinci de Moraes
Professor de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo

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