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Plano de Aula

A oxitocina e as relações de confiança entre seres humanos

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Explicar a atuação da oxitocina no cérebro, sua importância evolutiva e social.

Conteúdos
Fisiologia do sistema nervoso e teoria evolucionista

Tempo estimado
Duas aulas

Material necessário
Papel colorido para se fazer notas de dinheiro de mentira ou notas de jogos como o Banco Imobiliário

Introdução
VEJA desta semana traz uma reportagem sobre as explicações biológicas para a relação de confiança entre mães e filhos. O texto mostra que o cuidado pode ser explicado pela atuação da molécula oxitocina no cérebro. Aproveite a reportagem e este plano de aula para discutir o tema com a turma.

Desenvolvimento

Aula 1 - Apresentando conceitos

Inicie a aula com a leitura da reportagem "A substância do amor", publicada em VEJA, que trata de uma importante molécula, a oxitocina. Levante com a turma as principais ideias e conceitos apresentados no texto, elencando-os no quadro.

Explique à moçada que a oxitocina ou ocitocina é uma pequena proteína - composta por apenas nove aminoácidos - produzida na região do hipotálamo cerebral, com a função de neurotransmissor. A molécula também funciona como hormônio e provoca a liberação de dopamina em regiões cerebrais associadas a recompensas. Ela é bem conhecida pela ciência por seu papel em estimular as contrações uterinas e o fluxo de leite em mães. Pesquisas mais recentes indicam que a oxitocina interfere também na cooperação em certos mamíferos. Pode ser considerado o hormônio da confiança - mais do que do amor, como é citado na reportagem, já que este também depende de confiança.

Releia o trecho da reportagem em que o neurocientista da Unicamp reflete sobre o papel evolutivo da molécula. Cientistas evolucionários localizam o surgimento da oxitocina como um facilitador da reprodução sexual: a fêmea, ao ovular, ganha confiança e perde o medo, permitindo que o macho se aproxime.

Nos macacos, catar piolho - um ato de afetividade só permitido a quem se confia - aumenta os níveis desse hormônio. Nos homens, a capacidade de criar confiança traz muitos benefícios. Peça que os alunos elenquem alguns deles. Ouça as respostas e conclua com a moçada que, como nossa infância e adolescência são longas, precisamos criar laços com nossos pais enquanto não chegamos à maturidade sexual.

Um efeito colateral desse cuidado prolongado com a criança e com o jovem é a nossa propensão ao relacionamento, que nos faz transformar estranhos em amigos. Não é surpresa também que criemos laços com animais de estimação, lugares, alimentos, carros...

Percebe-se que o desenvolvimento da confiança é uma ferramenta evolutiva e social essencial, que permite às pessoas estabelecer relacionamentos produtivos e significativos. A confiança em humanos não é algo simples de explicar, além do fator biológico, ela que pode ser influenciada por diversos quesitos, como a aparência física da pessoa com a qual queremos estabelecer uma relação, a maneira como fala, como se porta. Proponha à turma que, na próxima aula, realizem um jogo sobre confiança. Não conseguimos, na escola, medir os níveis de oxitocina dos alunos, mas podemos entender como o hormônio atua.

Aula 2 - O jogo da Confiança

Na década de 1990, economistas norte-americanos desenvolveram um experimento capaz de medir a confiança e creditaram à oxitocina os resultados. Uma adaptação simplificada dessa experiência pode ser feita em sala de aula.

Você vai precisa de notas de dinheiro de mentira - podem ser feitas pelos próprios estudantes ou aproveitadas de jogos de tabuleiro, como o Banco Imobiliário -, em cédulas de 1, 5, 10 e 50.

O jogo da confiança

Peça 18 voluntários e explique a atividade. Escolha 12 desses alunos como "cobaias" e organize-os em duplas, sem que saibam quem são seus pares. Eles devem ficar sentados de costas, sem ver os colegas. A comunicação entre as duplas será feita pelos outros seis alunos que participam da experiência.

O objetivo do jogo é estabelecer uma negociação financeira entre os dois participantes da dupla, de modo que ambos saiam ganhando. Para isso, cada aluno receberá 10 reais.

Com o dinheiro em mãos, peça que o aluno 1 decida quanto do seu dinheiro quer dar ao aluno 2. Ele deve passar a quantia ao mediador, que irá triplicá-la e entregar ao aluno 2. Digamos que o aluno 1 decida dar 6 reais. O aluno 2 ficará com 28 reais (três vezes 6, mais 10).

A seguir, o aluno 2 deve devolver ao aluno 1 parte da quantia que acumulou, deixando claro que não há necessidade de mandar todo o dinheiro de volta. O valor devolvido é debitado do aluno 2 na proporção de um-para-um. Sendo assim, se o aluno 2 optar por enviar 10 reais ao colega, ficará com 18 e o amigo, com 14.

Faça o jogo com as seis duplas, peça que o restante da turma observe e anote os dados. Em seguida, proponha que coloquem as quantias arrecadadas no quadro e analise com a turma o que aconteceu.

 

Interpretação e discussão do jogo
Observando os resultados apontados no quadro, pergunte à moçada em qual situação os dois participantes saíram ganhando mais? Os alunos devem notar que as duplas que confiaram e apostaram em enviar mais dinheiro ao colega tiveram os melhores resultados. Comente com a classe que, nesse jogo, o aluno 1 encara um importante dilema social: confiar ou não confiar. Apesar de ser mais rentável a primeira opção, ao fazê-la ele corre o risco de ser traído e não receber nada em troca. A transferência do aluno 1 mede a confiança, enquanto a transferência retornada pelo aluno 2 molda o valor da confiança.

Conte à moçada que, nos Estados Unidos, quando essa experiência foi realizada, os pesquisadores fizeram com que uma parte dos entrevistados inalasse oxitocina e outra, apenas um placebo. Pergunte a eles o que deve ter acontecido. Os alunos certamente vão afirmar que aqueles que tiveram contato com a molécula aumentaram seu grau de confiança e entregaram valores maiores aos colegas.

Pergunte a eles, então, se os resultados dessa experiência são os mesmos em todos os países. Ouça as respostas e conte à moçada que, mesmo sob influência da oxitocina, os resultados apresentaram grandes variações. Explique a eles que os pesquisadores fizeram e refizeram o jogo inúmeras vezes e os resultados estão apresentados no gráfico abaixo:

Nível de confiança
Percentual de respondentes que acreditam que a maioria das pessoas é confiável

Fonte: Pesquisa de Paul J. Zak, Robert Kurzban, e William Matzner
Fonte: Pesquisa de Paul J. Zak, Robert Kurzban, e William Matzner "The Neurobiology of Trust" New York Academy of Sciences. (2004) 1032: 224-227 (Accessed 10/16/2008) http://brintmontgomery.blogspot.com/2008/10/oxytocin-love-potion-91.html




Peça que os alunos observem a posição do Brasil no ranking e discuta com a turma os porquês dela. Os estudantes devem comprovar que, além do fator biológico, as condições sociais afetam o nível de confiança. Peça que elenquem algumas características do Brasil responsáveis por esses resultados.

Para finalizar, retome a discussão sobre as vantagens evolutivas do cuidado, do envolvimento afetivo e da confiança. Discuta com a moçada as vantagens das descobertas sobre a oxitocina para as relações humanas. Converse com os alunos a respeito do uso terapêutico da molécula no tratamento de pacientes com dificuldades nas interações sociais, não só do autismo citado em VEJA, mas também da esquizofrenia, depressão, mal de Alzheimer e síndrome do pânico.

Avaliação
Para avaliar o entendimento do tema, prepare uma prova com os principais conceitos ou peça que seus alunos façam um relatório sobre o jogo, descrevendo e analisando os resultados.

 

Consultoria Luiz Caldeira Brant
professor de Metodologia do Ensino da Universidade Federal de Santa Maria/UFSM

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