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Plano de Aula

A Nuvem é de Tijolos? Computação em nuvens

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Promover uma reflexão sobre os alcances e os limites da computação em nuvens, a nova onda das tecnologias de informação e comunicação.


Conteúdos
Ciências Sociais, Sociologia, Interdisciplinar, Internet e Computação.


Tempo estimado
Quatro aulas


Material Necessário

Os alunos precisarão de cópias da matéria publicada na VEJA e também de recursos para a exibição do filme "Todos os Homens do Presidente" (138 minutos).


Introdução
VEJA desta semana traz uma matéria interessantíssima sobre o futuro do armazenamento de dados eletrônicos, a computação em nuvens. A partir deste artigo, propõe-se que os alunos reflitam sobre o seu alcance, seus riscos e, sobretudo, desenvolvam a capacidade de discernimento para conseguirem aproveitar esta maravilhosa inovação tecnológica da maneira mais segura possível.


Desenvolvimento


1ª Aula
Entregue aos alunos cópias do artigo "A nuvem é de tijolos" e discuta com eles as formas conhecidas por eles de armazenamento de dados - os sites de relacionamento, como Orkut e face book, e os programas de mensagens podem ser considerados exemplos de formas de computação em nuvens. Aponte a importância das bibliotecas, dos centros de documentação e dos arquivos históricos públicos e privados. Sejam estes de domínio público ou particular, estes locais têm, historicamente, servido para a manutenção, o armazenamento, a segurança e a garantia da possibilidade de reflexão e aprendizado sobre países, cidades, governos, culturas, exércitos e, inclusive, empresas e seus produtos.

 

Texto de Apoio

A computação em nuvens nada mais é do uma forma de centralização do armazenamento de dados eletrônicos. Estes são compostos por todos e quaisquer arquivos que podem ser "salvos" em um computador, sejam eles arquivos de texto, tabelas, fotos, filmes, músicas, programas, jogos, enfim, qualquer tipo de informação digital. Mas como é possível compreendê-la de forma simplificada? Como refletir sobre seus riscos e seus benefícios?

De forma análoga aos serviços de fornecimento de água ou eletricidade no Brasil, que são centralizados em grandes empresas distribuidoras de energia e água, responsáveis por facilitar o acesso da maior parte da população a estes serviços, a computação em nuvem se propõe a reduzir os custos e as dificuldades encontradas pelas pessoas para o armazenamento de seus documentos eletrônicos.

Assim como, no Brasil, a água e a eletricidade não são mais coletadas, produzidas e distribuídas pelos usuários finais, os dados eletrônicos, na computação em nuvens, são armazenados em centrais, as fazendas de servidores, às quais qualquer computador ou aparelho eletrônico - como aparelhos de videogames, Tablets, smartphones e aparelhos de TV Digital, por exemplo - podem se conectar, desde que possuam os requisitos mínimos para tanto e uma conexão à internet.

Nesta tecnologia, o usuário final não precisa mais se preocupar com a capacidade de armazenamento do seu aparelho, mas com sua conexão a internet. Tanto os usuários comuns, quanto empresas e órgãos públicos não necessitarão investir na ampliação, na manutenção ou no funcionamento da sua capacidade de armazenamento de dados eletrônicos, pois esta é terceirizada. Estas nuvens de armazenamento podem ser oferecidas gratuitamente, geralmente utilizadas por usuários comuns - por exemplo, os serviços oferecidos pelo Gmail ou os anunciados pela Apple na matéria da VEJA - ou pagos, geralmente utilizados por empresas e/ou órgãos públicos, aos quais o acesso é limitado àquelas pessoas associadas a estas empresas ou órgãos.

Além da economia advinda da redução de gastos com o armazenamento dos dados, a computação em nuvens permite, a princípio, que os usuários acessem seus dados de qualquer lugar do mundo que ofereça conexão à internet e ampliem a possiblidade de compartilhamento de dados. Uma vez na nuvem, desde que assim autorizado, o dado pode ser acessado por qualquer um. Isto representa uma grande agilidade especialmente para empresas que precisam tomar decisões rapidamente.

É bem verdade que a computação em nuvens, embora nos pareça nova, é uma ferramenta que já faz parte da internet desde muito tempo. Servidores de e-mail, salas de bate-papo, blogs, jogos on-line e tantas outras ferramentas só são possíveis por conta de alguma central de armazenamento fora do computador pessoal.

A nuvem, no entanto, não significa que o armazenamento está no ar, em algum tipo de tecnologia imaterial, mas sim que a "biblioteca" está fora do computador, acessível pela internet. Embora extremamente prático, este sistema de armazenamento está sobreposto de tal maneira que faz parecer estar no ar. Aos olhos do usuário final, seja o usuário comum, a empresa, ou o órgão estatal, o problema advindo da necessidade de armazenamento de dados é tornada invisível. Torna-se apenas mais uma camada sobreposta de um complexo sistema - composto por associações de inúmeros elementos humanos e não humanos - cujo funcionamento é compreensível a poucas pessoas. Mais intrigante ainda é o fato de que o seu controle e a sua manutenção passa a ser terceirizado.

Da mesma maneira como a maior parte da população é desprovida do conhecimento necessário para o conserto de um carro, que "apagou geral" numa rodovia deserta durante uma madrugada chuvosa, se abre mão do controle sobre os nossos dados, nossas informações e registros eletrônicos. Realmente, a não ser por uma vontade justificável de assegurar-se o direito à privacidade absoluta, o cidadão comum não parece ter motivos para opor-se à computação em nuvens e às suas vantagens. No entanto, deveriam as empresas e os governos confiar plenamente nesta nova tecnologia? Dados confidenciais, informações importantes - de segurança nacional ou capazes de garantir a vantagem competitiva no mercado - podem estar mais vulneráveis nas nuvens do que em seus servidores próprios.

Assim como diversas outras inovações tecnológicas, a computação em nuvens não é politica e economicamente neutra, ela incorpora valores e interesses de grupos que irão se beneficiar da centralização das informações. Seja pela agilidade nas negociações, seja na redução de custos do poder público com o armazenamento de dados eletrônicos. Além disso, aponta fragilidades que precisam ser mais detalhadamente debatidas. Por exemplo, os sistemas de armazenamento redundantes são suficientes para garantir o contínuo tráfego de dados sob quaisquer situações? Os mecanismos de segurança são mais eficientes do que aqueles disponíveis para o armazenamento em servidores próprios das empresas e dos governos? No entanto, mesmo a partir destes questionamentos, a computação em nuvens não deve ser demonizada, mas tampouco considerada uma panaceia digital. É preciso aceita-la ajustando-a aos mais amplos interesses, anseios e recursos de seus usuários.

Após a apresentação oral, oriente os alunos que nas próximas duas aulas eles assistirão a um filme e que deverão fazer anotações, relacionando-o ao tema discutido em sala. Após assistirem ao filme, os alunos deverão entregar uma redação, com base nas suas anotações.

2ª e 3ª Aula
Utilize o tempo das duas aulas para a exibição do filme "Todos os Homens do Presidente"

4ª Aula
Nesta última aula, destine o tempo para a turma começar a escrever a redação, individual, com base em suas anotações individuais.
Neste momento, o professor pode sanar dúvidas quanto à redação e conversar com os alunos em grupos. A entrega da redação deve ser feita no início da aula seguinte e cada aluno deve entregar, junto à redação, suas anotações do filme.


Avaliação
Analise a compreensão dos alunos sobre o tema a partir dos comentários deles em sala de aula. Observe o comprometimento e a disciplina deles durante o tempo em que estiver passando o filme. Observe o interesse dos alunos na atividade. Avalie as redações de acordo com os seguintes indicadores:
- Adequação do texto à atividade proposta;
- Encadeamento das ideias;
- Clareza dos argumentos;
- Abordagem sobre os pontos propostos;
- Disciplina dos alunos durante o cinema;
- Uso de novas fontes de informação sobre computação em nuvens;
- Criatividade, dedicação e outros critérios que julgar mais adequados para a sua realidade em sala de aula
 

Consultor Rafael Bennertz
Sociólogo, mestre e doutorando em Política Científica e Tecnológica pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Pesquisador do Grupo de Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia - Unicamp

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