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Plano de Aula

Um novo panorama na imigração brasileira

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Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Analisar as novas rotas e padrões da imigração interna no Brasil, bem como levantar hipóteses de suas causas e análises das previsões

Conteúdos

Demografia. Imigração. Fluxo migratórios. Milagre Econômico

Tempo Estimado
Duas aulas

Desenvolvimento


Introdução

Mal começamos a conhecer alguns dados do novo recenseamento demográfico do IBGE de 2010, mas alguns deles já chamam atenção. É o que acontece com dados sobre migrações internas, que foram divulgados essa semana pela Fundação Seade, órgão responsável por compilações estatísticas do governo do Estado de São Paulo.

Esses dados destacam que o fluxo migratório em direção ao Estado de São Paulo diminuiu sensivelmente. Isso, a princípio, poderia significar um fato localizado sem tanta importância. Porém, diante do papel que São Paulo representou desde os anos 1950, como principal centro de recepção de migrantes brasileiros de outras regiões, o fato agora detectado é bastante relevante.

Ele indica mais do que algo que afeta São Paulo. Indica uma alteração importante na própria dinâmica dos fluxos migratórios internos em todo o território brasileiro. Certamente, estamos começando a perceber mudanças significativas a lógica geográfica de distribuição da população brasileira.

1ªAula
Para debater

Leve para a sala de aula dados que ilustrem o contexto migratório e demográfico dos anos 1970 no Brasil. Nesse momento a população do Estado de São Paulo era de 17.770.975 habitantes. Atualmente, após 40 anos, esse número chegou à 41.252.160, um crescimento de 2,5 vezes. Se compararmos ao total da população do Brasil, vamos encontrar números um pouco mais modestos. A população atual do país é de 190.732.694 e, em 1970, era de 91 milhões, pouco mais da metade. A diferença na média geral não é tanta, mas há uma diferença notória, detectada na última década principalmente.

São Paulo possuía 37.032.403 habitantes no ano 2000 e saltou, em 2010, para 41.252.160. Isso corresponde a um ritmo de crescimento anual de 1,08% ao ano. Se compararmos com a evolução da população total do Brasil no mesmo período encontraremos um ritmo de crescimento maior: 1,17% (em 2000 era de 169.799.170). Na tabela que segue, nota-se o ritmo decrescente dessa taxa.

Gráfico 1

Agora peça para a turma comparar o ritmo de crescimento de São Paulo na última década, com o ritmo do Brasil. Eles verão que o ritmo de crescimento da população total é maior que o da megalópole e, se compararmos o período de 1970 até 2010, São Paulo agora está na frente.

Explique que, considerando que o estado de São Paulo, nos anos 1970, já possuía a maior metrópole do país, além de outros espaços urbanos importantes, não é, um fato surpresa seu crescimento mais acelerado. Afinal, as taxas de natalidade e fecundidade (número de filhos por mulher) são menores em áreas urbanas.

Mas ainda é preciso encontrar outro fator que justifique esse crescimento acelerado da população do estado no período. Pergunte à sala então o que era mais acelerado naquele momento, e não é mais agora.

Explique quais eram as condições econômicas do Brasil nos anos 1970, que vivíamos um período econômico que ficou conhecido como "Milagre Econômico".

O que caracterizava boa parte da vida econômica brasileira era: 1. A presença de grandes obras em especial, em São Paulo; 2. Uma aceleração do crescimento industrial, cujo foco era a indústria automobilística, também em São Paulo. Grandes usinas hidrelétricas e construção de outras infraestruturas, expansão importante da construção civil na cidade de São Paulo, e crescimento industrial na região do ABC, implicaram numa demanda importante de mão-de-obra que foi atendida por um forte processo de migração interna de outras regiões do Brasil para São Paulo.

Comente que as outras regiões do Brasil, em especial o Nordeste, nesse período, enfrentava condições econômicas que favoreciam a saída de migrantes (emigração).

Reflita com a moçada sobre o seguinte: tudo isso se mantém, ou houve alterações importantes na lógica do desenvolvimento econômico do Brasil, a ponto de interferir nos fluxos de migrantes para São Paulo?


A população brasileira e de São Paulo no século XXI e a dinâmica migratória:

O ritmo de crescimento geral da população brasileira vem caindo. Mas, isso não significa que ele seja homogêneo no território brasileiro. Vimos que São Paulo ostentou um ritmo de 1,07% ao ano, enquanto que o Brasil teve um ritmo mais elevado: 1,17%. Ora, o estado paulista representa cerca de 20% da população brasileira, logo seu peso é grande no conjunto.

Para que o Brasil tenha ritmo superior de crescimento populacional em relação a São Paulo é preciso que outros estados e regiões (que são originalmente menos populosos que São Paulo) detenham taxas de crescimento mais elevadas. Observem alguns dados sobre o período de 2000 a 2010:

Região Norte - 2,09
Região Nordeste - 1,07
Região Centro-Oeste - 1,90
Região Sudeste - 1,05
Região Sul - 0,87

O que chamam a atenção são os dados mais elevados das regiões Norte e Centro-Oeste. Alguns estados da região Norte, como Roraima e Amapá, chegam a ultrapassar índices de 3%. São estados pouco populosos, mas estados mais populosos como Pará e Amazonas estão crescendo a um ritmo de mais de 2%. São estados que certamente estão recebendo migrantes novos. O mesmo se dá como o Mato Grosso e o Distrito Federal (Centro-Oeste) que estão com crescimento também na faixa de 2%. Como podemos saber imediatamente que estes estados da região Norte e Centro-Oeste estão com um saldo positivo no processo migratório (entram mais migrantes do que saem)?

Porque são áreas do interior do país que funcionam como uma espécie de fronteira para novas atividades, para abertura de novas terras agrícolas, e que já há certo tempo, atraem imigrantes. Mas, será que as regiões brasileiras que estão num patamar de crescimento abaixo da taxa geral do Brasil (Nordeste, Sudeste e Sul), estão com seus papéis diminuídos no conjunto do fluxo migratório do país? Do ponto de vista lógico, uma região (ou um estado) não pode receber muitos migrantes, mas ao mesmo tempo perder população que migra para outras regiões e o saldo ser algo neutro? Observe os mapas a seguir:

Fonte: IBGE, Censo 2000

Esses mapas respondem em parte à questão. O Sudeste ainda é a região que mais recebe migrantes de outras regiões, mas ele também perde população que migra para outras regiões.

Chamam atenção dois fluxos especialmente:
1. Nordeste para Sudeste = 1.033.457
2. Sudeste para Nordeste = 458.924

Esse fluxo se deu de 1995 a 2000. Durante cinco anos, cerca de um milhão de nordestinos vieram ao Sudeste, mas quase a metade desse número retornou.
No mesmo período o Sudeste sofreu uma emigração para outras regiões em torno de 500 mil. No final, o saldo positivo (mais migrantes entram do que saem) para o Sudeste foi bem pequeno nesse período. E, certamente, caiu ainda mais na década inicial de 2000, como os dados, agora divulgados pela Fundação Seade, sobre a migração para São Paulo demonstram.

Chame a atenção para o fato de que esses números estão baixos. Nas décadas de 1960, 70 e 80 eles eram bem mais significativos. Isso tudo quer dizer que o processo migratório interno no Brasil está menos intenso e o que existe está sofrendo umas mudanças de direção. Em direção ao Norte e Centro-Oeste, e uma migração expressiva de retorno ao Nordeste.

 

O caso de São Paulo

Gráficos divulgados recentemente pela Fundação Seade demonstram que o processo migratório para o Estado de São Paulo está diminuindo. Sem dúvida, de toda a migração para a região Sudeste, a capital canaliza a maior parte. O que significa que a diminuição da migração para essa região vai repercutir especialmente sobre São Paulo. Observe os gráficos:

Reprodução
Fonte: IBGE

Esse primeiro gráfico mostra que a década de 1990-2000 foi de fluxos mais intensos de migrantes para o estado de São Paulo nos últimos 30 anos, mas houve queda significativa na última década. Chegando mesmo a ter um saldo negativo na região metropolitana de São Paulo.

Reprodução
Fonte: IBGE, Censo 2000

Esse segundo gráfico detalha por região metropolitana os mesmos dados anteriores, só que apresentando-os por municípios dessa regiões. O que se constata é que a migração é sempre menor (às vezes negativa) nos municípios principais, e maior nos municípios mais periféricos.

 

 

 

 

2ª Aula
Causas da queda do fluxo migratório para São Paulo

O que levaria brasileiros de outras regiões do Brasil (especialmente o Nordeste) a retornar às suas regiões de origem? Discuta com a sala as eventuais dificuldades de ascensão em São Paulo e a melhoria das condições na região de origem.

Reflita com a moçada se a estabilidade e o crescimento da economia brasileira, além dos programas sociais que interferiram na distribuição da renda nas regiões mais pobres estão contendo o processo migratório. Seria algo assim tão imediato ou dá para dizer que isso ia terminar acontecendo na medida em que as condições de desenvolvimento fossem amadurecendo mais genericamente no território brasileiro?

 

Avaliação

Questões
1) nos últimos 50 anos, o estado de São Paulo foi o principal destino de migrantes de outras regiões brasileiras. Faça uma breve lista dos motivos que transformaram o estado um atrativo para migrantes.


2) Atualmente as estatísticas vêm mostrando que a migração interna para São Paulo vem diminuindo. Explique porque.


Pesquisa
Algumas regiões do Brasil, como o Norte e o Centro-Oeste estão se transformando em áreas de atração de migrantes. Faça uma breve pesquisa estatística, procurando mostrar que essa tendência de fato existe e depois complemente a pesquisa, procurando identificar alguns fatores que atraem migrantes para essas regiões.

Consultor Jaime Oliva
geógrafo, professor do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo, e autor de livros didáticos.

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