Assine Nova Escola
Loading
NAS BANCAS
assine
capa capa
publicidade

Plano de Aula

A música dos 'mano'

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

ESPECIAL

Especial Música na Escola

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Conhecer as origens e a filosofia do movimento hip hop e comparar aspectos socioculturais ligados à produção do rap na China, no Brasil e nos EUA

Introdução
Entre as notas sobre o comportamento da juventude chinesa que identificam tendências consumistas, profissionais e nacionalistas chama a atenção, no relato "Mãe, a Senhora É Muito Boa!", a curiosa constatação de que as letras dos raps feitos no país oriental excluem os conteúdos sexuais, característica inerente a esse gênero no resto do mundo. A reportagem de VEJA abre espaço para que seus alunos conheçam conceitos relacionados à cultura hip hop e examinem mensagens dos rappers brasileiros, que fazem de suas canções um veículo de expressão de rebeldia e transgressão.

Atividades
1ª aula - Promova a leitura coletiva de "Cenas da China" e destaque o texto que enfoca a banda CMCB. Pergunte se alguém da classe já ouviu falar desse grupo ou de qualquer artista chinês ligado ao rap. Questione a moçada sobre o movimento hip hop ao redor do planeta. Que formas de manifestação compõem esse segmento cultural? Quais são os artistas favoritos da turma? Que assuntos eles abordam? Reserve alguns minutos para um debate livre. Se achar conveniente, encaminhe pesquisas rápidas na internet acerca das origens do hip hop e de sua filosofia e acesse links com clipes das músicas. Ao final da atividade, todos devem saber que:

• Hip hop é uma gíria americana (hip quer dizer quadril e hop, saltar). Significa: mexer os quadris e saltar.

• Apesar de ter o mesmo nome da dança, o hip hop não se limita a ela. É um movimento, nascido nos Estados Unidos na primeira metade da década de 1970, que engloba a música (tocada por um DJ, ou discotecário), a dança break, a poesia ritmada (o rap — iniciais de rhythm and poetry), a linguagem com gírias próprias e o grafite.

As raízes da cultura hip hop encontram-se no ativismo político de grupos surgidos no fim dos anos 1960, como os Panteras Negras. Essas facções urbanas davam voz às comunidades marginalizadas dos guetos, reivindicando trabalho, moradia, educação, liberdade de expressão e justiça.

• Em festas de rua conhecidas como bailes black, o hip hop ganhou corpo com a manipulação de toca-discos e o improviso de canções que tomavam como base outras músicas já gravadas. Danças acrobáticas — inspiradas nas performances de James Brown, o rei do soul, e influenciadas por golpes de artes marciais — passaram a acompanhar o som agressivo, frenético e sincopado. Finalmente, nos muros e paredes de prédios abandonados das metrópoles, espalharam-se desenhos e símbolos cifrados pintados com spray.

• A Zulu Nation, entidade independente criada em 1973 pelo DJ Afrika Bambaata, foi fundamental para a estruturação do movimento e seu reconhecimento cultural. As competições musicais, de dança e de grafite promovidas pela ONG substituíram as guerras entre gangues e deram visibilidade ao trabalho de figuras como Kool Herc e Grandmaster Flash, autor da canção The Message, obra que versa sobre a miséria dos negros na terra do Tio Sam (apresente as primeiras estrofes desse primeiro rap no quadro "Protesto e Sexualidade" — abaixo).

Para seus alunos

A Mensagem (o primeiro rap)
Grandmaster Flash

Vidro quebrado por todo lado
Pessoas mijando nas escadas
Você sabe que elas não estão nem aí
Eu não suporto o fedor, eu não suporto o barulho
Não tenho dinheiro pra me mudar, acho que não tenho escolha
Ratos na porta de frente, baratas nos fundos
Drogados no beco com um taco de beisebol
Eu tentei fugir, mas não pude ir muito longe
Porque o homem do guincho levou meu carro
Não me pressione, pois estou no limite
Estou tentando não perder a cabeça
Isso às vezes é como uma selva e me pergunto
Como consigo me manter sem afundar.

Minha Flecha Tá Na Sua Mira (Me Leva)
MV Bill
Me leva! Me leva!
Vem na batida do swing!
Hip hop menina, me leva!
Menina bonita não chora
Eu vou falar no seu ouvido pra ver se melhora
(Pegar na mão)
Eu vou te dar um trato, sei que você anda carente
Eu tive ausente, mas agora tô de volta pra ficar ao seu lado
Pode vir que esse preto tá preparado
Com dinheiro e você meu mundo tá dominado

Agora traga a discussão para o cenário nacional. Quem são, na opinião da turma, os principais representantes de nossa música hip hop? De que tratam suas composições? Reúna a classe em grupos e peça que, para a aula seguinte, cada equipe analise as letras de um artista ou uma banda. Eis algumas sugestões: MV Bill, Racionais MC’s, Thaíde e DJ Hum, Detentos do Rap, Rappin’ Hood e Marcelo D2. Caso julgue conveniente, estimule a garotada a levar CDs desses autores para a escola ou ensaiar apresentações próprias valendo-se dos raps pesquisados.

2ª aula - Incentive a audição das canções escolhidas pelos grupos e oriente o exame das obras. A temática aborda sexo, erotismo ou pornografia? Os versos podem ser considerados ofensivos, imorais ou de mau gosto? Por quê? Violência, opressão ou revolta fazem parte das mensagens? Em que sentido? Há gírias e bordões típicos da linguagem da periferia ou predomina um vocabulário condizente com a norma culta do idioma? Quais expressões chamam mais atenção? Isso indica que tais composições são dirigidas a um público restrito, de iniciados? Ou elas procuram disseminar e popularizar uma estética nascida nos guetos? Existem palavrões e outros vocábulos chulos nas letras? Eles são importantes para a compreensão do ouvinte? Como as frases são construídas? Como as letras encadeiam a narrativa e trazem a emoção do momento? Que sentimentos expressam?

Por fim, retome a nota de VEJA. O que diferencia o rap feito na China daquele produzido nos Estados Unidos ou no Brasil? O fato de não haver sexo nem protesto nas letras dos Chinese MC Brothers denota conformismo dos jovens de lá? O bate-cabeça da platéia e as eventuais obscenidades proferidas pela banda podem traduzir toda a rebeldia desses 300 milhões de garotos e garotas? Será que eles não têm frustrações para extravasar? Ou falta criatividade para driblar a censura onipresente no país? Um inocente elogio ao corpo da mãe está à altura do hip hop?

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Falcão — Meninos do Tráfico, MV Bill e Celso Athayde, Ed. Objetiva, tel. (21) 2199-7824

INTERNET
Assista aos clips de musica:
Messanger, Grandmaster Flash
Soldado Morto, MV Bill
Gueto, Marcelo D2

Consultoria: Marcelo Alencar
Jornalista e consultor do Colégio Manoel Moratto, de Osasco (SP)

PATROCÍNIO Patrocinadores Editora Scipione Editora Ática Edições SM Editora Positivo
Fundação Victor Civita - 25 anos
Fundação Victor Civita © 2012 - Todos os direitos reservados.