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Plano de Aula

Megalópole chinesa: desafios urbanos para o século 21

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Conteúdos
China: população urbana - megalópole - gestão urbana - Arquipélago megalopolitano mundial - Gestão metropolitana no Brasil

Objetivos

Conhecer e avaliar o projeto de gestão e construção de infraestruturas na megalópole do sudeste da China, criando referências para analisar outras realidades urbanas

Tempo Estimado

Três aulas

Introdução

Estamos acostumados a ver que praticamente tudo o que se refere à China é superlativo. País mais populoso do planeta, com 1,35 bilhão de pessoas, há anos o dragão chinês cresce a taxas em torno de 9% a 10% ao ano, elevando-o ao patamar de segunda maior economia do mundo.

Possibilitado por esse vigoroso crescimento econômico, o governo chinês anunciou um ambicioso projeto de desenvolvimento e gestão integradas das metrópoles do sudeste do país, capitaneadas por Guangzhou (antiga Cantão) e Shenzen. É uma das grandes bacias urbano-industriais do país, juntamente com as de Pequim e Xangai.

É o que mostra a reportagem de VEJA, que destaca também o acelerado processo de urbanização vivido no país e os custos estimados para a integração em setores como gestão, transportes, telecomunicações e saneamento.
O projeto chinês cria a oportunidade para examinar os desafios de administrar grandes aglomerações urbanas, no mundo e no Brasil. Convide a turma para mais esta empreitada.

Desenvolvimento

1ª e 2ª aulas
Na leitura da reportagem, peça que a turma recolha dados sobre do projeto de desenvolvimento integrado das metrópoles da bacia do rio Pérola. Se necessário, sugira que os estudantes localizem essas áreas em um atlas geográfico. Eles podem também comparar as dimensões do novo organismo megalopolitano chinês com a metrópole paulistana.

Em seguida, lance algumas questões para debate: como tem sido o crescimento populacional e urbano naquele país? Por que existe a preocupação de antecipar problemas na gestão da nova megalópole chinesa? Que reflexões isso traz para pensar o desenvolvimento metropolitano no Brasil?

Esclareça que o crescimento econômico chinês resulta de projetos de modernização econômica do país, lançados a partir do final dos anos 1970 - entre eles, o de desenvolvimento industrial e tecnológico e a criação das Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) na faixa oriental do país, palco de investimentos estatais e privados estrangeiros (peça que observem os mapas abaixo).

China - Densidade populacional
(clique na imagem para ampliar)

Fonte: Atlas National Geographic: Ásia II: China. São Paulo: Ed. Abril, 2008, p. 69. (vol. 8). Ilustração: ROBLES/PINGADO
Fonte: Atlas National Geographic: Ásia II: China. São Paulo: Ed. Abril, 2008, p. 69. (vol. 8). Ilustração: ROBLES/PINGADO

China - Economia e conflitos
(clique na imagem para ampliar)

Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2010, p. 88. Ilustração: ROBLES/PINGADO
Fonte: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2010, p. 88. Ilustração: ROBLES/PINGADO

Explique à classe que, com estímulo do Estado, ficou nítido o crescimento urbano e o poder de cidades como Pequim e Xangai de atrair grandes contingentes. Embora a população urbana do país ainda esteja na casa dos 47%, é visível o crescimento acelerado de sua população urbana, o que contribui para o adensamento e novas obras no espaço das cidades, como em Xangai, marcada pelos canteiros de obras e novos arranha-céus.

De outro lado, como mostra a reportagem, há dificuldades para manter ou ampliar novos núcleos urbanos no interior do país, fora das zonas de maior adensamento. Movimentos migratórios nessa direção são os de colonização por membros da maioria han de províncias com forte tensão política e étnico-cultural, como o Tibet ocupado e a de Xinjiang.

Assinale para a turma que o debate sobre as grandes aglomerações urbanas vem acompanhado de expressões como crescimento "desordenado", "inchaço" ou "anomalia". Com efeito, os portes das cidades modernas preocupam especialistas e administradores em todo o mundo, criando a necessidade de criar soluções para problemas como os de moradia, empregos e transportes. Guardadas as divergências sobre um tamanho "ideal" de cidade, a gestão metropolitana precisa criar mecanismos e instituições para administrar essas demandas.

Esclareça que, de um lado, as megalópoles mundiais, por sua elevada concentração de pessoas e recursos humanos, financeiros e tecnológicos, constituem espaços que comandam fluxos econômicos e informacionais em escala global (veja uma proposta no quadro). De outro, precisam de soluções integradas para garantir, por exemplo, a mobilidade urbana cotidiana ou o saneamento básico.

Em Nova York, uma experiência pioneira buscou proteger um importante "capital natural", as áreas de mananciais e matas ciliares, com vistas a garantir o abastecimento de água a mais de 10 milhões de pessoas. A despeito dos problemas, é necessário garantir o direito que qualquer cidadão tem, no Brasil, China ou em qualquer parte do mundo, de viver em cidades, se assim o desejar. Como recomendam os estudos da Organização das Nações Unidas sobre o estado da população urbana mundial, as grandes cidades precisam se preparar para esse desafio.

Arquipélago megalopolitano global

Megalópoles

Localização

 

Principais

Nova York - Filadélfia

EUA (Costa Leste)

Dorsal europeia - Londres/Paris

Europa ocidental

Tóquio - Osaka

Japão

 

Secundárias

Chicago - Pittsburgh

EUA (Grandes Lagos)

Los Angeles

EUA (Costa do Pacífico)

Seoul - Xangai - Pequim - Hong Kong - Cingapura

Ásia (Costa do Pacífico)

Rio de Janeiro - São Paulo (inclui Campinas e Baixada Santista) - Buenos Aires

Polígono do Mercosul
(América do Sul)

Fonte: Dagorn, R., 2003;Lévy, J. 1997, In: São Paulo (Estado). Secretaria da Educação. Caderno do professor: geografia, ensino fundamental - 8ª série, vol. 4. São Paulo: SEE, 2009, p. 26.

3ª aula
Proponha que os alunos escrevam uma dissertação individual sobre o tema do desenvolvimento e gestão integrada das áreas metropolitanas. Nela, eles podem comparar itens do projeto, em curso na China, com elementos da realidade metropolitana brasileira.

Informe que, em nosso país, apesar do estatuto jurídico das regiões metropolitanas já existir desde meados dos anos 1970, é patente a dificuldade de promover a gestão integrada de problemas comuns que compõem as áreas metropolitanas, hoje fortemente conurbadas.

Com a nova legislação, aprovada já na Constituição Federal de 1988 e nas constituições estaduais, os estados passaram também a identificar e instituir novas regiões metropolitanas. Somente em São Paulo, temos três grandes áreas metropolitanas: a Grande São Paulo, a de Campinas e da Baixada Santista, formando um grande eixo macrometropolitano, em direção ao Rio de Janeiro, incluindo o Vale do Paraíba.

Mas isso não altera o quadro, em sua essência. Com exceção de iniciativas pontuais, como a de um consórcio para gestão integrada do lixo em municípios do ABC Paulista, a regra é o pouco contato, ou mesmo a ausência dele, entre gestores locais, para resolver demandas comuns. Não há uma prática consolidada de governança metropolitana.

A mobilidade urbana também vem sendo afetada pela falta de projetos integrados. Antigas vias de acesso entre dois municípios tornam-se artérias de grande circulação e, consequentemente, de tráfego intenso e congestionamentos. Muitas pessoas se debatem em ônibus ou trens precários no seu percurso diário casa-trabalho, do seu município para o município central da metrópole.

Neste cenário, a exemplo do projeto chinês, o ideal seria o planejamento e construção de malhas de transporte público rápido e eficiente e restrições ou desestímulo ao uso do automóvel individual.

Elaboradas as dissertações, promova um debate com a turma sobre os principais resultados e reflexões apresentados por cada aluno.

Avaliação
Considere os objetivos propostos para esta sequência de aulas e examine a produção escrita e participação dos estudantes nos debates coletivos com toda a turma. Verifique o domínio de noções-chave, como megalópole, metrópole, urbanização e gestão urbana integrada.

Quer saber mais?

Observatório das Metrópoles
Atlas National Geographic: Ásia II: China. São Paulo: Ed. Abril, 2008 (vol. 8).

Consultor Roberto Giansanti,
geógrafo, autor de livros didáticos.

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