Assine Nova Escola
Loading
NAS BANCAS
assine
capa capa
publicidade

Plano de Aula

A mata que morre

Planeta Sustentável

Objetivos
Examinar processos de expansão da fronteira agropecuária na Amazônia e avaliar seus impactos

Introdução
No início de março de 2008, os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, divulgaram uma nota conjunta defendendo ações enérgicas que coloquem um freio ao desmatamento no país. A declaração, motivada por um projeto em debate na Câmara dos Deputados que pretende flexibilizar o Código Florestal, é mais uma tentativa de resolver a difícil equação entre atividades econômicas e preservação do meio ambiente em especial, quando a área em foco é a Amazônia. VEJA aborda essa questão em duas reportagens, destacando o desmatamento em Mato Grosso e em São Félix do Xingu (PA), município campeão na devastação de matas. Desde os anos 1960, 700 mil km2 de florestas foram retirados na Amazônia, sendo 100 mil km2 somente nos últimos cinco anos, área equivalente ao território de Portugal. Convide a turma a explorar esse tema de grande importância, não só para os dias de hoje, mas, principalmente, para o futuro.

Atividades
aula - Após a leitura de VEJA, peça que os estudantes organizem os dados apresentados. Em seguida, lance questões para debate: quais são as áreas em que o desmatamento é crítico? O que o país perde e ganha com o avanço da pecuária e da agricultura sobre a floresta?

Acrescente algumas informações: 17% da cobertura original da Amazônia já não existe mais. Dos 83% restantes, uma parte importante está afetada pela retirada de espécies nobres de árvores, por clareiras e pelo comprometimento dos recursos hídricos, que não aparece em imagens de satélite. Segundo cálculos do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia, entidade da sociedade civil que monitora o desmatamento na região, apenas 43% da mata permanece intacta.

Explique que o desmatamento não se dá de uma só vez. Estradas oficiais ou clandestinas permitem o acesso a áreas ainda inexploradas e a ocupação, muitas vezes irregular. Esses primeiros núcleos convertem-se em bolsões de agricultura de pequena escala, extração de madeira e pecuária extensiva. No passo seguinte, as pastagens cedem espaços para a entrada da agricultura moderna, mecanizada e baseada em cultivos de exportação (soja à frente). Isso tem servido de argumento para agricultores capitalizados, que alegam expandir os cultivos apenas para áreas já desmatadas. Na verdade, muitos deles integram o mesmo círculo vicioso, trazendo ganhos de curto prazo para madeireiros, pecuaristas e empresários do agronegócio.

Reproduza os mapas deste plano de aula e distribua à moçada. O quadro 1 mostra o chamado arco do desmatamento da Amazônia, onde se concentra a retirada da mata e de outras coberturas vegetais. Seus limites envolvem o oeste e sudoeste do Maranhão, norte do Tocantins, uma larga faixa oriental do Pará, norte de Mato Grosso, sul do Amazonas, Rondônia e frações do território do Acre. No Pará, abre-se uma cunha de ocupação ao longo da BR-163 (CuiabáSantarém) e outra na BR-364 (CuiabáPorto Velho). Segundo o IBGE, no estudo Mapas Integrados da Amazônia Legal, publicado em 2007, a consolidação da ocupação produtiva dos cerrados do Centro-Oeste nos anos 1990, passou a pressionar de forma mais direta as áreas de floresta e outras coberturas da região. A coletânea inclui também o zoneamento ecológico-econômico, que oferece subsídios para o desenvolvimento da Amazônia em bases mais sustentáveis.

Ressalte que o processo de modernização agropecuária no Brasil permitiu a criação de tecnologias de correção de solo, pesquisas de novas espécies e a introdução de máquinas e defensivos agrícolas. Isso trouxe a elevação da produtividade e a bem-sucedida implantação de culturas de exportação no cerrado do Planalto Central. Por outro lado, a ênfase nos empreendimentos econômicos começa agora a apresentar a conta. E ela é meio salgada: como evidenciado nas reportagens, o avanço da agropecuária ameaça novos redutos da floresta, assim como unidades de conservação e terras indígenas. Tal ação ocorre, no caso de regiões como São Félix do Xingu, em meio a problemas de regularização fundiária, grilagem de terras e extração ilegal de madeira. Em Mato Grosso, empresários da agricultura abrem as porteiras para práticas mais civilizadas, mas num contexto em que boa parte da floresta já foi retirada (como se vê no quadro 2).

Proponha que a turma organize as informações debatidas até aqui e reflita sobre os custos e benefícios desse percurso.

aula - Retome as discussões da aula anterior e acrescente alguns dados. Mostre que, apesar dos bons resultados econômicos da exportação de grãos, muitos questionam até que ponto vale a pena tal grau de ocupação para produzir, entre outros produtos, farelo de soja para alimentar gado na Europa.

Questiona-se também por que não são feitos investimentos efetivos para aproveitar o potencial da região para os chamados serviços ambientais (manutenção de espécies, equilíbrio climático, retenção de CO2 etc.) e para usos sustentáveis, como a coleta e o processamento de bens florestais.

Divida a classe em pequenos grupos e encomende um mapeamento da Amazônia que assinale os seguintes aspectos: ritmo de devastação, nichos de ocupação predatória e ilegal no arco do desmatamento, localização das principais unidades de conservação e terras indígenas, relações entre as florestas e os sistemas atmosféricos na região e alternativas econômicas (incluindo aqui a criação de empregos nas cidades da região).

Discuta os resultados com os estudantes e convide-os a preparar uma exposição dos trabalhos na escola.

Consultoria Roberto Giansanti
Geógrafo e autor de livros didáticos

PATROCÍNIO Patrocinadores Editora Scipione Editora Ática Edições SM Editora Positivo
Fundação Victor Civita - 25 anos
Fundação Victor Civita © 2012 - Todos os direitos reservados.