Conteúdo relacionado
Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
Objetivos
Conhecer, compreender e analisar os fundamentos artísticos;
Apreciar o objeto estético e suas diversas linguagens;
Utilizar-se das linguagens como meio de expressão, comunicação e informação;
Identificar, relacionar e compreender diferentes funções da arte, do trabalho e da produção dos artistas.
Conteúdos
A luz na Arte e na obra de Edward Hopper.
Tempo estimado
Duas aulas.
Introdução
A obra de Edward Hopper é destaque em reportagem de VEJA. Aproveite o texto e este plano de aula para conduzir os alunos por uma viagem pela obra do artista.
Desenvolvimento
1ª aula
Pergunte aos alunos quantas vezes se colocaram diante de uma obra de arte e perguntaram "o que o artista quis dizer com isto?". Apresente a eles a reportagem O homem que pintava com a alma, publicada em VEJA. O texto começa mostrando como pessoas diferentes podem realizar leituras diversas com base em um mesmo objeto. A reportagem conta como um visitante em uma exposição viu em uma obra de Edward Hopper uma ligação com conteúdos eróticos que talvez nem fizessem parte das intenções do artista.
Questione a turma: afinal, como podemos ler uma obra? Deixe que os alunos respondam e diga a eles que o contato com uma obra de arte pode se transformar em uma verdadeira viagem se estivermos abertos a entrar em seu universo. Para analisar uma obra, antes de mais nada, é interessante pensar que os seus conteúdos possuem diferentes componentes e cada um deles pode nos conduzir a um diferente tipo de aproximação desse objeto artístico.
Explique à classe que tudo o que aprendemos ao longo de nossas vidas acaba contribuindo para a formação do nosso "repertório" pessoal e, em razão dessa particularidade de cada um, podemos também entender as coisas de modos diferentes.
Ao contrário do que ocorre em outras áreas que envolvem a precisão (como as Ciências Exatas, por exemplo), a Arte envolve uma certa abertura com relação à sua interpretação. A arte traz reflexões do artista a respeito do seu tempo e por isso, mesmo que não se perceba de maneira explícita, está recheada de conteúdos históricos, estéticos, técnicos...
Comente que embora uma obra seja uma unidade, os conhecimentos e as próprias experiências de vida podem influenciar a nossa compreensão de uma obra de arte, especialmente porque elas não contém uma receita onde está escrito "observe aqui somente isto, ou aquilo".
Pergunte aos estudantes como analisariam uma obra de arte (mostre a eles uma reprodução de uma obra como exemplo). Tente localizar em suas respostas caminhos possíveis como: a técnica utilizada, o estilo do artista ou do período em que a obra foi realizada, o valor comercial da obra, as formas, chegando até a questões mais subjetivas como as possíveis mensagens contidas nas imagens.
Um dos caminhos possíveis para se analisar uma obra é a observação dos seus elementos visuais fundamentais, como a cor, as formas, as linhas, as texturas, a relação luz/sombra, a composição.
No caso de Edward Hopper, a luz assume um papel especial e traz à suas obras um caráter muito particular. Comente com a turma que na pintura - especialmente aquelas figurativas e que seguem uma linha mais próxima de um naturalismo - a luz é um elemento bastante significativo.
Para tornar essa questão mais clara, reúna imagens de obras de diferentes artistas e períodos da História da Arte, como Leonardo da Vinci e Sandro Botticelli (Renascimento), Caravaggio e Velasquez (Barroco), Jaques-Louis David e Gericault (Neoclássico e Romantismo), Claude Monet e Auguste Renoir (Impressionismo), René Magritte e Salvador Dali (Surrealismo) entre outros. Discuta com a turma como cada um desses artistas trabalhou com a questão da luz em suas obras.
Mostre por exemplo como a luz usada pelos artistas do Renascimento parece "banhar" a obra de um modo uniforme e como aquela empregada no Barroco, mais teatral, ilumina só alguns pontos e deixa outros escuros. Mostre também como a relação entre o artista e a luz mudou quando a observação da luz natural se tornou o "tema" da pintura e as obras passaram a ser pintadas ao ar livre, como o correu no Impressionismo, e o quanto cada uma dessas mudanças influencia as sensações que são transmitidas a partir da imagem. Em seguida, retome as obras de Hopper e peça para que eles as comparem com as demais já analisadas.
A luz usada por Edward Hopper é sem dúvida intrigante, tanto que há críticos que a descrevem como "uma luz que ilumina, mas que não aquece". Esse artista, que nasceu em 1882, em Nyack, estado de New York, se destacou por volta dos anos 1930/40 por trabalhar com cenas do cotidiano das cidades, porém de um modo muito particular, trazendo para suas obras um aspecto de solidão.
Conte para os alunos que as obras de Hopper abrangem o período famoso "Crack da Bolsa de New York", uma grave crise financeira que abalou os Estados Unidos e consequentemente a economia mundial em 1929. Esse foi um período bastante complexo para o país e para o mundo, inclusive para o Brasil, pois nessa época, os Estados Unidos eram um dos maiores compradores do café brasileiro, que naquele momento era o nosso maior produto de exportação. Resultado: em 1929 enfrentamos também no Brasil uma séria crise econômica.
Para o cenário norte-americano a Grande Depressão conduziu a uma espécie de auto-exame e a um certo isolamento em relação à Europa. Enquanto a arte européia se dedicava às vanguardas como o Dada, o Surrealismo e outras tendências, alguns artistas estadunidenses se voltam para um realismo como os artistas da Ashcan School (grupo ao qual pertenceu Robert Henri, professor de Hopper) e os da Cena Americana, tendência esta que se voltava ao cotidiano das cidades (sobretudo as mais provincianas) e do seu povo.
A reportagem de VEJA revela que o artista desenvolvia longos exercícios de observação da luz em um determinado ambiente antes de realizar uma obra, consciente das transformações que a própria luz poderia trazer para o espaço.
A classe pode também ver outras obras de E. Hopper visitando a página do Whiney Museum of American Art, para o qual a esposa do pintor doou muitas de suas obras, após a sua morte (1967) (Visite: http://whitney.org/Collection/EdwardHopper).
Proponha então à turma uma experiência de observação da luz: durante uma semana eles deverão fotografar um mesmo lugar em diferentes momentos do dia. Divida a sala em grupos e proponha que cada grupo registre um lugar da escola. Lembrando a experiência de Hopper é importante que as tomadas fotográficas sejam realizadas sempre na mesma posição. Eles poderão enriquecer ainda mais o trabalho, explorando além dos diferentes momentos do dia (amanhecer, manhã, meio-dia, tarde, anoitecer, noite), as variações de fontes luminosas (luz natural, luz elétrica, luz de velas...).
A coleta das imagens poderá ser realizada com câmeras fotográficas convencionais (nesse caso será necessário revelar os filmes, ampliar as imagens em papel fotográfico e digitalizá-las) ou digitais, aparelhos celulares etc... Combine com a turma para que essas imagens sejam salvas em uma única mídia (cd, dvd, pen drive) para que vocês possam retomá-las na aula seguinte.
2ª aula
Para esta aula vocês precisarão de um computador e um projetor multimídia. Este é o momento em que cada grupo fará a sua exposição de imagens. Os grupos deve se alternar, apresentando os resultados das imagens coletadas e descrever o processo utilizado para realizar esse trabalho - quais os horários, qual era a luz local.
Com base nos materiais apresentados discuta o que foi aprendido com a experiência:
- Quanto a luz influencia a nossa percepção de um ambiente?
- Como a iluminação pode alterar a nossa relação afetiva com um determinado lugar (ele pode se tornar mais ou menos aconchegante)?
Aproveite o momento e mostre algumas imagens da série de trabalhos realizados por Claude Monet a respeito da Catedral de Rouen (Visite: http://www.musee-orsay.fr/fr/collections/catalogue-des-oeuvres/resultat-collection.html?no_cache=1)
Para finalizar, destaque que a luz, como componente visual e simbólico pode assumir tamanha importância que é amplamente explorada para conferir maior veracidade a uma cena. Vocês poderão também estender a discussão verificando como isso é utilizado, por exemplo, pelo cinema - a luz nos filmes de ação, de suspense e terror, nas comédias, nos filmes românticos etc.
Vá além
Aproveite as imagens coletadas pelos grupos e realizar uma exposição na escola, mostrando os resultados desta experiência; ou ainda, ampliar esta vivência, estendendo-a para o universo particular de cada aluno. Vocês poderão realizar um projeto seguindo os mesmos moldes e tendo como tema "A luz do meu quarto", no qual cada aluno registraria o seu próprio quarto em diferentes momentos do dia e com diferentes tipos de iluminação
Consultoria Maria José Spiteri Tavolaro Passos
mestre em Artes pela UNESP - SP, professora de Estética e História da Arte e Linguagem Visual na Universidade Cruzeiro do Sul e Materiais Expressivos na Universidade São Judas Tadeu