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Plano de Aula

Lixo: plasticamente inviável

Planeta Sustentável

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Reportagem de Veja

Objetivos
Discuta com os alunos sobre a importância de reutilizar e reciclar produtos feitos de plásticos

Introdução
Ao longo da história, as sociedades humanas modificaram praticamente todos os ambientes que formam seu habitat no planeta. Isso se explica não só pelos diferentes projetos econômicos e sociais e pelo desenvolvimento técnico, mas também pelo grau de resiliência dos ambientes naturais. Resiliência é a capacidade que um ambiente natural tem de suportar perturbações externas - sistemas mais resilientes seriam aqueles que podem retornar a uma situação de equilíbrio após sofrer modificações. Como os oceanos estão entre os ambientes de maior resiliência, acreditou-se por muito tempo que eles poderiam se constituir na última fronteira de exploração. Em regra, ela vem sendo marcada pela expansão de usos insustentáveis e absolutamente irracionais. A reportagem de VEJA aponta como os oceanos vêm dando sinais claros de esgotamento e comprometimento de parte de seus ambientes. Ela destaca também que a deposição dos resíduos plásticos é um dos vilões. Convide a turma a explorar esse assunto, identificar os principais atores responsáveis pelos problemas citados e examinar alternativas e soluções.

Atividades
1ª aula - Após a leitura da matéria, peça para os estudantes reverem os textos e mapas e assinalarem dados sobre tráfego marítimo, deposição de resíduos e vazamentos e pesca predatória. Lance algumas questões para debate: quais são as áreas mais críticas em relação ao comprometimento das águas e formas de vida nos oceanos? Quais fatores explicam termos chegado a um quadro tão preocupante? Quem são os principais responsáveis pelas perturbações e por esses desequilíbrios nos oceanos?

As respostas para essas perguntas não são simples, mas comece esclarecendo a diferença entre os oceanos e os demais ambientes e a visão predominante em relação à capacidade de regeneração dos primeiros. Em seguida, proponha à turma uma reflexão sobre a produção de resíduos de matéria plástica. Como apresenta a matéria, essa presença tem efeitos deletérios para a vida marinha. Muitas tartarugas da espécie cabeçuda, por exemplo, morrem porque confundem os sacos plásticos com águas-vivas, das quais se alimentam. Pergunte aos estudantes se sabem como e por que os materiais feitos à base de plástico tiveram tal disseminação.

Ouça todas as respostas e exponha alguns elementos centrais dos contextos de produção e consumo de materiais feitos à base de plástico. Realce que os novos produtos, recursos e matérias-primas estão associados aos processos de desenvolvimento urbano-industrial, tecnológico e de consumo que passam a ter lugar em especial a partir do século XIX. Mostre que as técnicas evoluem em "famílias", com ramos industriais, fontes de energia e inovações similares em cada período. Por exemplo, a exploração do petróleo e a produção de inúmeros derivados, com a indústria petroquímica, são contemporâneas das técnicas de engenharia elétrica e mecânica, dos cabos e fios, do avião e da produção em massa de automóveis - final do século XIX até as primeiras décadas do século XX. Os derivados do petróleo, incluindo os diversos tipos de plástico, constituíram-se em matéria-prima básica para ramos industriais distintos. Aos poucos, o plástico foi substituindo o papel, o metal e o vidro na composição ou nas embalagens dos produtos. As sacolas plásticas passaram a ser usadas em larga escala, tanto para levar compras numa cidade canadense como para carregar água potável numa vila nigeriana. Elas são práticas e abundantes e estima-se que de 500 bilhões a 1 trilhão de unidades sejam utilizadas ao ano, normalmente descartadas após um único uso. Conforme o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, um saco plástico é feito em um segundo, utilizado em 20 minutos e leva de 100 a 400 anos para se degradar naturalmente, dependendo de onde é jogado.

Os plásticos estão presentes, ainda, nas embalagens de milhares de produtos e, segundo o modelo de consumo vigente, saem como resíduo especialmente das casas dos mais ricos. Entre os países, quem produz mais lixo com resíduos de papel, plástico e metais são justamente os mais ricos e industrializados, principalmente os Estados Unidos. Ao longo da vida, cada norte-americano descarta papel, plástico e outros materiais em quantidade equivalente a 600 vezes o próprio peso. É nos EUA também que está o maior mercado de água engarrafada do mundo, mas apenas 23% dos 60 milhões de garrafas plásticas de água abertas todo dia vão para reciclagem.

2ª aula - Proponha aos meninos que organizem as informações e as conclusões mais importantes da aula anterior. Em seguida, sugira que façam uma pesquisa sobre as iniciativas de maior repercussão para a redução do consumo e para a reciclagem ou reaproveitamento de materiais em diferentes países. O Brasil, por exemplo, vem se tornando referência mundial na reciclagem de latinhas de alumínio e de garrafas pet.

É importante que eles também pesquisem a respeito do tempo de decomposição dos materiais (papel, vidro, plástico, metais, orgânicos, madeira, nylon, isopor etc), considerando que esse tempo varia em função de uma combinação complexa de fatores, como temperatura, pH do meio, umidade, luminosidade e outros. Isso pode dar pistas para avaliar iniciativas como a redução do consumo, a substituição de alguns materiais ou a interrupção do uso de produtos descartáveis que necessitam de um longo prazo para se desfazer. Após a apresentação e o debate dos resultados, sugira a redação de uma cartilha ou um folheto com recomendações para a destinação dos materiais que antes iam direto para o lixo, não raro atingindo diferentes ecossistemas. Os oceanos e os demais ambientes agradecem.

Para seus alunos Reciclar é preciso

O consumo anual de plásticos no Brasil gira em torno de 19 quilos por habitante. O volume é relativamente baixo se comparado aos índices de outros países, como Estados Unidos (100 kg/hab.) e a média da Europa (80 kg/hab.). Em termos de reciclagem, no entanto, o país está entre os maiores do mundo, com um índice pós-consumo de 19,8%. O Rio Grande do Sul é o estado campeão nacional, com 27,6%. Globalmente, o ranking é liderado pela Alemanha, com 32%. Repare que o índice é baixo, mal chega a um terço da produção.

Para saber mais 

Sete tipos
Os plásticos são fabricados a partir de resinas sintéticas (polímeros) derivadas do petróleo e sua capacidade de reciclagem varia de acordo com sua composição. Os diferentes processos necessários para essa reciclagem serve de base para a classificação internacional em sete tipos:

PET (polietileno tereftalato)
Frascos de refrigerantes, produtos farmacêuticos, produtos de limpeza, fibras têxteis e mantas de impermeabilização.

PEAD (polietileno de alta densidade)
Embalagens para cosméticos, produtos químicos e de limpeza, tubos para líquidos e gás e tanques de combustível para automóveis.

PVC (policloreto de vinila)
Frascos de água mineral, tubos e conexões, calçados, encapamentos de cabos elétricos, equipamentos médico-cirúrgicos, esquadrias e revestimentos.

PEBD (polietileno de baixa densidade)
Embalagens de alimentos, sacos industriais, sacos para lixo, lonas agrícolas, filmes flexíveis para embalagens e rótulos de brinquedos.

PP (polipropileno)
Embalagens de massas e biscoitos, potes de margarina, seringas descartáveis, equipamentos médico-cirúrgicos, fibras e fios têxteis, utilidades domésticas e autopeças (pára-choques de carro).

PS (poliestireno)
Copos descartáveis, placas isolantes, aparelhos de som e TV, embalagens de alimentos, material escolar e revestimento de geladeiras.

Outros
Plásticos especiais e de engenharia, CDs, eletrodomésticos, corpos de computadores.

Consultoria Roberto Giansanti
Geógrafo, autor de livros didáticos

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