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Plano de Aula

Mostre aos estudantes como agem os componentes do cigarro

Planeta Sustentável

Objetivos
Conhecer os componentes do tabaco e seus efeitos sobre o organismo

Introdução
A descoberta de um grupo de pesquisadores americanos, noticiada por VEJA, acrescenta uma novidade ao que já se conhece sobre os efeitos da nicotina e traz uma esperança: a dependência dos fumantes pode estar com os dias contados. O conhecimento de que são duas substâncias, os neurotransmissores GABA e glutamato, as responsáveis por manter elevado o nível de dopamina no cérebro, deve permitir, a médio prazo, a elaboração de remédios eficazes contra o hábito de fumar. O texto trata de aspectos importantes sobre a composição química do tabaco, oportunidade que permite trabalhar os efeitos dessa substância no nosso organismo.

Atividades
Peça que a classe marque no texto os termos e processos desconhecidos. Estabeleça algum critério para responder às dúvidas. Você pode começar, por exemplo, falando sobre a química do tabaco. Como inúmeras plantas, ele é percorrido por uma seiva muito rica em produtos químicos. Nela há metais absorvidos pela raiz, extratos vegetais, açúcares e, entre outros tantos itens, nicotina, substância que tem também aplicação industrial — na fabricação de inseticidas agrícolas e vermífugos para animais.

Alcalóide natural, de fórmula química C10H14N2, a nicotina é um líquido incolor que, exposto ao ar, adquire cor marrom-amarelada. Cada cigarro contém de 8 a 20 miligramas de nicotina — cerca de 1 miligrama é absorvido pelo corpo do fumante. Isso pode acontecer através do pulmão, da pele, de uma mucosa (nariz e gengiva) ou dos vasos capilares — até chegar ao cérebro. Dali o alcalóide é distribuído para o corpo todo. Responsável pela dependência física, a nicotina age no sangue por cerca de uma hora, quando surgem os sintomas que alertam o fumante para acender outro cigarro.

Pergunte se os alunos sabem quais são as causas da coloração amarela nos dentes e nas mãos dos fumantes. Demonstre o que ocorre: abra um cigarro e, com um fósforo aceso, queime em um pires branco um pouco do tabaco. Quando terminar a combustão, peça que observem a coloração amarela no pires, característica da nicotina queimada. Depois, verifique se eles sabem que tipo de reação química ocorre quando um cigarro está aceso. A temperatura, na brasa, chega a 800 graus Celsius. É uma combustão completa ou incompleta? A coloração das pequenas brasas permite concluir que é incompleta. E nesse processo entram em ação mais de 5.000 produtos químicos, liberados ou formados com a reação de combustão. Após a queima do cigarro, formam-se monóxido de carbono, amônia e também alcatrão, um líquido viscoso e escuro. Chame a atenção da classe para o fato de que o alcatrão não existe no cigarro apagado. Os teores indicados nas embalagens referem-se ao alcatrão produzido após a queima.

Liberado na combustão e de elevada toxicidade, o monóxido de carbono liga-se facilmente à hemoglobina do sangue. Isso diminui a capacidade dos glóbulos vermelhos de transportar o oxigênio às células, o que provoca aumento do ritmo cardíaco e da freqüência respiratória arterial. Para liberar mais nicotina, alguns fabricantes adicionam amônia ao cigarro, tornando o meio básico.

Dadas essas explicações, faça com a classe um experimento para verificar a presença de amônia na fumaça. Dissolva cerca de 0,1 grama do indicador azul de bromotimol em 20 mililitros de álcool etílico. Complete o volume com água destilada até obter 200 mililitros de solução. Para realizar o teste, umedeça um pequeno pedaço de algodão com água destilada e pingue nele algumas gotas da solução de azul de bromotimol. Acenda um cigarro, queimando a ponta sem levá-lo à boca. Deixe em combustão por alguns instantes e, em seguida, aproxime o algodão — preso a uma pinça — da fumaça liberada. A turma perceberá uma rápida mudança na coloração, de laranja para azul, o que evidencia a presença de substância química com caráter básico (alcalino) na fumaça do cigarro.

Esse processo pode ser explicado pela seguinte reação química:
NH3(g) + H2O(l) => NH4OH(aq)

Para ir mais longe
Há no cérebro células que transferem e integram a informação — os neurônios. Cada um deles recebe milhares de estímulos dos outros. A nicotina se liga a receptores que interagem com um neuro-transmissor, a acetilcolina. Essa substância é normalmente liberada pelos neurônios, mas em quantidade controlada. Ela é responsável, por exemplo, por mandar sinais do cérebro para os músculos. Com a presença da nicotina, há um aumento da liberação da acetilcolina e o organismo passa a trabalhar com mais intensidade. Isso causa no fumante a sensação de maior produtividade.

No cérebro ocorre ainda a liberação dos neurotransmissores glutamato e GABA (ácido amino-gama-butírico), envolvidos na memorização e aprendizado. Sob a ação da nicotina, a memória da sensação de prazer é acentuada, o que estimula a fumar novamente. Por outro lado, a nicotina reduz a eficiência da dopamina, neurotransmissor que medeia a resposta ao prazer. Depois de um período mais prolongado sem fumar, a concentração de nicotina no cérebro é menor. A sensação de prazer volta a durar menos, o que instiga a pessoa a acender outro cigarro.

Por fim, desafie a turma a analisar as advertências do quadro abaixo, extraídas de embalagens de cigarros.

Para saber mais
FUMAR NA GRAVIDEZ PREJUDICA O BEBÊ 



O monóxido de carbono resultante da queima da nicotina é mais absorvido pela hemoglobina do que o oxigênio, vital para o desenvolvimento do feto

O CIGARRO PROVOCA PARTOS PREMATUROS, NASCIMENTO DE BEBÊS COM PESO ABAIXO DO NORMAL E FACILIDADE DE CONTRAIR ASMA



Além de comprometer a função neurológica, a nicotina reduz a quantidade de vitamina B e absorve o cálcio formador dos tecidos ósseos

FUMAR CAUSA IMPOTÊNCIA SEXUAL 



A nicotina e o alcatrão comprometem a circulação e favorecem a constrição vascular. Com o tempo, as artérias se enrijecem, seu diâmetro interno diminui...

FUMAR CAUSA INFARTO DO CORAÇÃO



...e podem ocorrer obstruções bastante sérias, capazes de comprometer definitivamente a passagem da corrente sangüínea por qualquer região do corpo

FUMAR CAUSA MAU HÁLITO, PERDA DOS DENTES E CÂNCER DE BOCA



A absorção do cálcio pela nicotina causa também a redução desse elemento na estrutura dos dentes. O câncer na boca pode resultar da ação...

FUMAR CAUSA CÂNCER DE PULMÃO



...mutagênica da nicotina sobre o DNA. Ela provoca um descontrole no processo das divisões celulares, caracterizando uma situação de metástase

QUEM FUMA NÃO TEM FÔLEGO PARA NADA



O alcatrão deposita-se nos alvéolos, tornando-os mais rígidos, o que reduz a elasticidade do tecido pulmonar e, portanto, a capacidade respiratória

NICOTINA É DROGA E CAUSA DEPENDÊNCIA



A ação do alcalóide sobre os neurotransmissores glutamato e GABA leva ao prolongamento da sensação de prazer, o que estimula o desejo de fumar novamente

 

Consultoria Elisabete Rosa
Professora de Química do Colégio Bandeirantes, de São Paulo

Consultoria Fábio Siqueira
Professor de Química do Colégio Bandeirantes, de São Paulo

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