Objetivos
Discutir os benefícios e problemas da construção de hidroelétricas
Introdução
VEJA revela que o governo federal planeja construir usinas hidrelétricas na Amazônia, antevendo um aumento substancial na demanda de energia para os próximos anos. Segundo o texto, as obras devem empregar tecnologias de menor impacto ambiental. A informação instiga uma aula sobre a medição desse impacto.
Atividades
1ª aula - Partilhe o conteúdo da reportagem com os jovens e peça que listem os problemas causados pela construção de hidrelétricas em geral e na Amazônia em particular. Encarregue-os de comparar os fatores ambientais e econômicos relacionados a essas empreitadas.
Ressalte que as novas obras devem cumprir leis cada vez mais rigorosas, que implicam a eventual mitigação dos impactos na região. Mostre que isso inclui os efeitos sobre a população humana, como as doenças trazidas pelas águas - caso da malária. Por outro lado, o cálculo precisa considerar o enriquecimento das pessoas, ainda que não se saiba como a renda será repartida. Leve a turma a perceber que essas intervenções exigem um balanço entre custo e benefício. Lembre que é mais difícil avaliar o primeiro. As conseqüências sobre a distribuição da biosfera nem sempre são bem dimensionadas. Cite, como exemplo, um estudo de 1997 em que um grupo de cientistas tentou calcular o valor dos serviços prestados à humanidade pelos ecossistemas. A contribuição foi estimada em 33 trilhões de dólares anuais, o que, na época, significava quase o dobro do PIB mundial.
Forneça dados sobre o passivo ambiental colecionado pelas hidrelétricas na Amazônia. Muitas áreas próximas às represas ainda apresentam baixíssimos índices de desenvolvimento humano causados por fatores como... a falta de energia elétrica! Até 2005, mais de 25.000 pessoas que viviam nos arredores da usina de Tucuruí, no Pará, não tinham luz em casa. Desse total, cerca de 4.000 indivíduos foram beneficiados recentemente pelo Programa Luz para Todos. Solicite comentários.
2ª aula - Proponha um trabalho coletivo de avaliação de impacto ambiental. Embora seja uma atividade complexa e repleta de variáveis, pode gerar uma coleta de dados e um debate proveitosos.
Erguer usinas na maior floresta tropical do planeta requer um exame em três níveis: local, regional e global. O primeiro refere-se ao deslocamento das populações das comunidades atingidas pelo lago, à área florestada atingida por ele e ao resgate de animais silvestres. O segundo remete ao deslocamento de trabalhadores para a região, às alterações climáticas e geológicas, ao aumento de doenças provocadas pelo acúmulo de águas paradas, às ameaças a espécies endêmicas e à destruição de corredores de biodiversidade. Por fim, os efeitos globais envolvem a alteração de padrões climáticos no hemisfério sul, a contribuição para o aquecimento da Terra, a degradação da Amazônia e a ameaça à biodiversidade planetária.
Explore a divisa entre Rondônia e o Amazonas, que deve receber as usinas de Santo Antônio e Jirau. Divida a moçada em três grupos e sugira que cada um pesquise as ameaças num dos níveis já mencionados. Oriente as equipes a buscar informações de forma temática.
A análise de impactos locais passa pela investigação de questões associadas aos moradores dos municípios envolvidos: necessidade e interesses de agricultores, pecuaristas, povos da floresta etc. Também inclui a checagem da incidência de doenças que podem ser potencializadas pela represa e a ocorrência de espécies ameaçadas de extinção, espécies endêmicas, territórios indígenas e outras áreas de preservação ambiental de abrangência restrita.
Cabe ao grupo responsável pelo estudo de impactos regionais enfocar recursos econômicos e ecológicos, avaliando perdas na biodiversidade e na riqueza geológica. O grande entorno da porção a ser inundada contém áreas de preservação ambiental? Proponha uma visita ao site do IBGE, que mantém mapas interativos com grande riqueza de dados regionais (veja a indicação no final deste roteiro).
O outro time deve medir os efeitos globais das hidrelétricas do ponto de vista do uso estratégico dessa fonte renovável de energia em relação às demais. O Brasil dispõe do terceiro potencial hidrelétrico do mundo. Como se aproveitar disso? Criar reservatórios de água é estratégico num mundo onde a quantidade e a qualidade da água doce são, respectivamente, menor e pior?
Debata o resultado dos trabalhos.
3ª aula - Questione a influência direta dos reservatórios gigantes sobre o ecossistema local. Quais os efeitos da inundação de uma enorme área florestal? O que ocorre com essa biomassa sob a água? Fale do risco de eutrofização do ecossistema aquático, que pressupõe mortalidade de peixes e alteração da composição química da água. A grande quantidade de nutrientes gera uma superpopulação de organismos planctônicos e bactérias aeróbicas, o que derruba rapidamente as taxas de oxigênio. O efeito dominó que se segue altera gradativamente o ecossistema.
A turma consegue apontar a diferença que o alagamento de um perímetro menor e desprovido de vegetação representa em termos de mitigação do impacto ambiental? Tome como referência uma área de 1.300 quilômetros quadrados (tamanho aproximado do reservatório de Itaipu). Desafie a turma a estimar o declive da planície na região das futuras usinas de Jirau e Santo Antônio. A seguir, imagine um acréscimo de 1 metro na altura da represa. Quanto cresce a área inundada? Faça ver a importância de tecnologias como as turbinas bulbo, que são dispostas horizontalmente e usam a força da corrente - em contraste com os modelos convencionais, que dependem de quedas-dágua.
Em contrapartida, aborde possíveis benefícios produzidos por esses reservatórios. Os estudantes sabem que organismos são favorecidos num padrão de alteração ambiental sustentável? Espécies de peixes proliferam, atraindo predadores: jacarés, lontras, botos e aves semi-aquáticas. Será que essa invasão não representa, para a biodiversidade, uma mudança de baixo impacto em termos regionais? E o que dizer de seus efeitos sobre as atividades pesqueira e turística? Para finalizar, peça que o conjunto da classe procure enumerar - e justificar -, por escrito, ações capazes de minimizar as conseqüências negativas da implantação dos grandes reservatórios.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
O Atlas da Água, Robin Clarke e Janet King, Publifolha, tel. 0800-140090
Avaliação de Impacto Ambiental, Luis Enrique Sachez, Oficina de Textos, tel. (11) 3085-7933
INTERNET
O site mapas.ibge.gov.br apresenta uma coleção de mapas interativos do Brasil
O endereço www.amazonia.org.br traz informações socioambientais sobre a região amazônica
Consultor Ricardo Paiva
Roteiro elaborado por Ricardo Paiva, Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo