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Imigração estrangeira

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Entender os fluxos migratórios para o Brasil; discutir a utilização de mão de obra estrangeira no país, seja legal ou ilegal; debater as migrações internas

Conteúdo
Imigração

Tempo estimado
Três aulas

Introdução
Reportagem de VEJA aponta para uma mudança demográfica em curso no Brasil. Trata-se do aumento do fluxo de profissionais estrangeiros bem qualificados que se dirige ao país. A intensidade do fluxo é pequena, ainda não tem escala significativa, mas o fato de ser crescente e estar associado a uma conjuntura de crescimento econômico de nosso país pode ser indício de uma tendência duradoura e importante em termos demográficos.

Chama atenção o fato de serem pessoas que vêm de países em que, em tese, teriam melhores condições para desenvolver suas carreiras profissionais e levar a vida de um modo geral. O fato de o Brasil apresentar uma condição que começa atrair europeus e americanos é, em si, um ponto que vale ser examinado.

Compreender esse novo fluxo imigratório exige a aplicação do princípio da complexidade, pois são vários os elementos envolvidos na questão. A seguir vamos sugerir algumas atividades e debates que têm como objetivo abrir e explorar alguns caminhos para a reflexão sobre esse fenômeno.

Desenvolvimento
Como foi dito, são muitas as variáveis que precisam ser levadas em conta para se compreender esse novo processo migratório para o Brasil. Nas aulas a seguir, serão colocados alguns temas para debate e os alunos serão convidados a realizar pesquisas para ampliar as informações e melhorar a base de reflexão.

1ª aula
Comece a aula pedindo que a turma leia a reportagem Procuram-se Estrangeiros, publicada em VEJA. Em seguida, discuta com os alunos os principais pontos apresentados no texto.

Comece chamando a atenção para as motivações dessa imigração. É preciso entender, no fluxo geral de imigrantes, quem são aqueles considerados qualificados e suas origens. A reportagem aponta que essas pessoas estão sendo convidadas a vir ao Brasil para suprir carências internas do nosso mercado de trabalho. Pergunte à turma que carências são essas?

Dê um tempo para que os alunos apresentem hipóteses e provoque a reflexão comentando que a constatação pode parecer estranha à primeira vista, uma vez que nossa população é grande e nosso mercado de trabalho não absorve a contento o conjunto da população ativa. Novas vagas de trabalho qualificado não deveriam ser preenchidas pelos trabalhadores brasileiros sem empregos? Por que requisitar estrangeiros?

Para ampliar a discussão, peça que os alunos se coloquem em duplas e proponha alguns pontos de pesquisa e discussão. Eles vão ajudar a explorar as pistas dadas na reportagem e verificar sua pertinência.

Ponto 1: Quais tipos de atividades econômicas exigem cada vez mais trabalhadores com preparo técnico e científico mais apurado? No Brasil estão em crescimento essas atividades?

Ponto 2: Nosso sistema educacional (nos diversos níveis) mostra-se capaz de suprir com qualidade as novas exigências por profissionais gabaritados para atuar na nova economia? Existem áreas de carência notória?

Há algumas pesquisas prévias que indicam que o crescimento brasileiro futuro vai exigir um volume de engenheiros que nosso sistema universitário não é capaz de formar nem em quantidade nem em qualidade. O mesmo se daria com outras profissões. Uma breve pesquisa nesse ponto ajuda a turma a entender onde se encontram os gargalos, que talvez nesse momento estejam sendo desobstruídos pela chegada de profissionais qualificados estrangeiros.

Ponto 3: Será que esses estrangeiros estão chegando como parte de uma política necessária de intercâmbio com profissionais brasileiros, o que corresponde de certo a um processo de transferência de conhecimento e tecnologia, ou eles vêm vinculados a empresas estrangeiras, e trocam e oferecem pouco à nossa realidade econômica?

Uma coisa é um físico que vai para um centro de pesquisa de uma universidade brasileira, outra é um pesquisador ou um executivo de uma corporação com negócios no Brasil. O fluxo de conhecimento é distinto nos dois casos.

2ª aula
Comece a aula retomando as discussões anteriores sobre as motivações e consequências da imigração de pessoas com alta qualificação técnica para o Brasil. Pergunte à turma, então, se este é o único fluxo existente hoje no nosso país.

Aprofunde o conhecimento da turma sobre o tema e comente que a chegada de imigrantes, em sua maioria bolivianos, coreanos e chineses, em cidades como São Paulo é um fenômeno importante e não está totalmente apreendido pelas estatísticas oficiais - uma vez que muitas dessas pessoas se encontram em condição ilegal.

Explique que, diferente dos estrangeiros estudados na aula anterior, esses imigrantes chegam à grande metrópole pelas mãos de agenciadores articulados com os empregadores, ou então seguindo o caminho e a logística construída por seus conterrâneos que vieram antes. Para os moradores da cidade, essa migração é um mistério. Ela é grande, porém sem visibilidade, visto que não se dá a incorporação desses imigrantes à sociedade paulistana.

Coloque, então, duas questões para debate:

a.
Será que teremos no Brasil futuro (se o crescimento econômico se mantiver e assim permitir) "colônias guetificadas" de imigrantes pobres e ilegais, vivendo à margem de nossa sociedade, como é comum em países como os Estados Unidos?

b. Será que esse tipo de imigrante vincula-se aos mesmos processos que estão atraindo outros gêneros de imigrantes, como os mencionados na reportagem? Vale verificar desde quando estão chegando esses imigrantes pobres da América Latina e da Ásia e quais as condições que os cercam. Será que eles são produto apenas do crescimento econômico atual, ou são anteriores a isso?

c. Desde quando o Brasil é um pólo que atrai imigrantes estrangeiros em busca de novas oportunidades ou fugindo de situações de pobreza ou guerra? Como explica a reportagem, a imigração fez parte de diferentes momentos da história brasileira. Falando especificamente da vinda de europeus ao país, podemos destacar a onda de trabalhadores, em especial portugueses e italianos, que desembarcaram no país há pouco mais de um século para trabalhar as lavouras de café, após o fim da escravidão.

3ª aula
Entendidos os fluxos imigratórios para o Brasil, é hora de analisar com a turma as migrações internas. Pergunte aos alunos se essa movimentação de profissionais qualificados estudada na primeira aula acontece apenas entre países ou também é comum dentro de um mesmo país?

Explique a eles que o processo de migração não é estranho ao Brasil. Ao contrário, ele é bastante comum em nossa realidade interna. Por exemplo: as políticas de criação de centros universitários em várias partes do território brasileiro é um dos elementos impulsionadores da migração qualificada do Sudeste para outras regiões do país.

Como as universidades precisam de profissionais titulados (mestres e doutores) para constituírem-se como cursos e centros de pesquisa, seus concursos públicos atraem professores de São Paulo e do Rio de Janeiro (centros universitários mais tradicionais), que assim protagonizam uma imigração interregional de mão de obra qualificada.

E por que esses profissionais são atraídos para outras regiões do Brasil? São duas as razões básicas. A primeira é que, como São Paulo e Rio de Janeiro são os grandes centros formadores de doutores, as próprias universidades locais e também o mercado de trabalho não conseguem absorvê-los. Há desemprego, ou ociosidade, entre profissionais com doutoramento. Para muitos, então, a alternativa é fazer carreira onde há carência de pessoas com esse tipo de formação. A segunda razão diz respeito à remuneração e ao status; se em São Paulo ou no Rio de Janeiro a condição de doutor é relativamente banalizada e não muito bem remunerada em relação ao custo de vida, a coisa muda de figura em outras regiões. Profissionais com doutorado gozam de mais prestígio e melhor remuneração.

Promova, então, um debate com a turma: será que não se dá o mesmo com as empresas brasileiras ou transnacionais que deslocam unidades para outras regiões do Brasil que não o Sudeste? Elas não terminam tendo que levar para as novas instalações profissionais qualificados (brasileiros e estrangeiros), por que suas novas áreas geográficas de atividade são carentes desses profissionais? E esses profissionais não terão seus salários valorizados em áreas onde o custo de vida é menor?

Para finalizar, questione a moçada: será que o Brasil não está sendo encarado por profissionais estrangeiros (ou, então, virá a ser encarado em breve) assim como as regiões brasileiras mais pobres são encaradas pelos brasileiros qualificados? Será que a lógica geográfica nacional do processo migratório de trabalhadores qualificados, no período da globalização, não está se repetindo na escala internacional? É preciso refletir, responder, mas também é preciso aguardar para perceber melhor.

Avaliação
Ao longo das três aulas, observe se a turma entende a lógica por trás da imigração de profissionais qualificados ao país. Certifique-se de que entendem, também, como se dá a imigração ilegal e os problemas sociais denunciados por ela. Por fim, analise os argumentos da turma para checar se conseguem fazer a relação entre as migrações internas e externas.

Consultoria

Jaime Tadeu Oliva
geógrafo

Fernanda Padovesi Fonseca
geógrafa e professora do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo.

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