Assine Nova Escola
Revistas do mês
Nova Escola
Gestão Escolar
publicidade

Plano de Aula

O ideal grego de Amor

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Apresentar a teoria platônica das formas, partindo da tentativa de definição universal do Amor, presente no diálogo O Banquete.

Conteúdos
O inteligível e o sensível na filosofia platônica.

Tempo estimado
Duas aulas

Material Necessário
Cópias dos textos O Banquete e A Alegoria da Caverna, de Platão.

Introdução
Esta semana, VEJA publica um artigo bastante interessante de Betty Milan. Nele, a psicanalista comenta o entendimento comum de que o Amor é completude, fazendo referência ao mito grego segundo o qual homem e mulher eram um só corpo com oito membros e dois rostos, que teria sido separado por Zeus, dando origem a eterna procura do Homem por sua metade. Esse mito é esclarecedor na compreensão do mundo grego e da filosofia idealista platônica. Aproveite o texto e este plano de aula para discutir o tema com a turma.

Atividades

1ª aula
Escreva no quadro: O que é amor?

Leia o poema Amor é fogo que arde sem se ver, de Camões. Peça que cada aluno escreva em seu caderno uma resposta a essa pergunta, colocando em suas próprias palavras uma definição para amor. Estipule um tempo para que eles pensem e escrevam suas respostas, que devem ser curtas e objetivas.

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões (1524-1580)

Proponha que alguns alunos leiam as respostas em voz alta e discuta-as com o grupo, enfatizando a dificuldade de se definir um sentimento em palavras. Proponha que eles construam uma resposta conjunta e a escreva no quadro.

Diga à turma que o Amor vem sendo objeto de análise e reflexão por muitos séculos e mesmo os gregos já se ocupavam de tentar defini-lo. Uma das passagens da filosofia grega que abarca esse tema é O Banquete, de Platão.  Contextualize o momento histórico em questão e ofereça informações sobre o autor.

Em seguida, explique que o texto foi escrito como um diálogo e escolha seis voluntários para representar os personagens na leitura do texto. O professor será o narrador:

Fedro, o retórico
Pausânias, o rico negociante
Erixímaco, o médico
Aristófanes, o escritor de comédias
Agatão, o poeta
Sócrates, o filósofo

Após a leitura, pergunte aos alunos o que mais chamou a atenção no texto. Se necessário, releia passagens junto com o grupo para garantir o entendimento. Discuta as diferentes abordagens de Amor que o texto oferece.

Em casa, os alunos devem reler o texto e responder as seguintes perguntas por escrito:

1) Em que a explicação de Sócrates sobre o que é o Amor difere da resposta dos outros personagens?
2) Como Sócrates relaciona Amor e Filosofia?

2ª aula

Inicie a aula retomando a atividade que os alunos realizaram em casa. Permita que eles discutam suas respostas. Explique ao grupo como a ideia de Sócrates sobre o Amor se caracteriza primeiramente por não pretender fazer um elogio, mas compreender sua essência. Peça que os alunos procurem definir outros valores universais, como o Belo ou a Verdade. Pontue os desafios que se apresentam quando tentamos definir esses conceitos, sendo mais fácil identificar coisas belas do que o Belo, expressões verdadeiras do que a Verdade. Da mesma forma, o Amor que Platão aborda nesse diálogo não é a coisa amada ou o sentimento de amar, mas a ideia transcendente de amor.

Distribua aos estudantes o texto A Alegoria da Caverna, de Platão. Explique sua origem e relevância para a compreensão da visão grega do mundo das ideias. Permita que a turma leia o texto em silêncio e individualmente. Verifique a compreensão do texto. Se achar necessário, peça que alguns alunos se alternem na leitura em voz alta, para que a classe acompanhe e tire dúvidas coletivamente.

Explique a noção grega de forma. As coisas do mundo sensível participam das ideias de belo, verdade etc. e, para os platônicos, essas são ideias que habitam outra dimensão, que não pertencem completamente ao mundo dos homens, mas podem apenas ser vislumbradas por meio da observação das coisas que participam delas e se dão à nossa percepção. Introduza os conceitos de sensível e inteligível discutindo a capacidade do Homem de conhecer o que não é sensível.

Para finalizar, proponha que os alunos representem a ideia de Amor por meio de uma linguagem não filosófica, mas artística. Eles podem produzir desenhos, pinturas, músicas ou poemas. Discuta com eles se essa outra forma de expressão foi mais eficiente que a tentativa de descrição por meio de um texto, e qual a diferença entre elas.

Avaliação
A avaliação será feita por meio da análise da atividade realizada em casa. Considere também a contribuição aos debates e o trabalho de representação da ideia de amor por meio de linguagem poética.

Quer saber mais?

Bibliografia
Platão, "O Banquete" In: Chauí, M, Introdução à Filosofia I, PP.208-212, Cia. Letras, 2002
Platão, "O Alegoria da Caverna" In: Matos, O, A Polifonia da Razão, P.35, Scipione, 1997
Camões, L, Sonetos de Camões, "Amor é fogo que arde sem se ver", Atelier Ed., Lisboa

 

Consultoria Fernanda Gonçalves Proença
formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP)

Compartilhe

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais

Assine suas revistas impressas ou digitais!

Compre suas revistas impressas!

Compre suas revistas digitais e e-books!

Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.