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O governo JK mudou o Brasil. Seus alunos sabem dizer como?

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Objetivos
Refletir criticamente sobre a Era JK e a criação de mitos em torno de personalidades

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Reportagens da Veja:

Introdução
No período entre 1945 e 1964, o Brasil conseguiu construir minimamente uma vida política democrática aliada a projetos modernizadores, embora continuasse a atravessar uma situação de precariedade institucional, política e social. Essa conjuntura conheceu fenômenos contraditórios como a manutenção de eleições democráticas e foi acompanhada pela instabilidade política e o fortalecimento do populismo. Além disso, nessa fase ocorreram iniciativas modernizadoras que visavam retirar o país do "atraso" e do "subdesenvolvimento" — palavras e temas muito em voga na época. A administração de Juscelino Kubitschek acabou por sintetizar esse quadro histórico. Eleitos democraticamente, o presidente e seu vice, João Goulart, quase foram impedidos de assumir o poder, mas tomaram posse e sinalizaram para a maioria dos brasileiros a viabilidade de um projeto modernizador e desenvolvimentista. Cinco anos depois, concretizando a alternância no poder, JK transmitiria o governo a Jânio Quadros, um político de oposição, também eleito democraticamente. Jânio, porém, renunciou poucos meses depois e precipitou o país numa sucessão de crises coroada pelo golpe de 1964.

Talvez devido à instabilidade do início dos anos 60 e ao autoritarismo do regime militar, o governo JK passou a ser visto como um oásis de paz. Mas isso faz parte de um mito. Examine com os alunos os fatores que contribuíram para o fascínio desses anos dourados da década de 50, em que uma nova capital, o Cinema Novo, a Bossa Nova e o futebol brasileiro encantavam o mundo.

Atividades
Para fundamentar uma discussão mais geral sobre o período, proponha que a turma trace uma linha do tempo referente aos governos Dutra, Vargas, Juscelino e Jânio/Jango. Para isso, divida a classe em quatro grupos e encarregue cada um deles de identificar os seguintes elementos: a história e o perfil político de cada presidente, os processos eleitorais que o levaram à presidência, os principais projetos de seu governo e as eventuais manifestações de ruptura constitucional. As informações mais importantes devem ser colocadas na linha do tempo (veja, abaixo, um modelo de cronologia para a gestão JK).

Proponha a montagem de um amplo painel sobre a Era JK. Organize a classe em cinco equipes e atribua a cada uma a realização de pesquisas sobre um dos seguintes temas:
• A construção da estabilidade política e do processo democrático durante o governo Juscelino;
• O desenvolvimento econômico e suas contradições;
• As várias faces da modernização (de Brasília às rodovias);
• O papel do Estado e das multinacionais no modelo de desenvolvimento econômico;
• A produção cultural de um país criativo, vitorioso e em processo de modernização: da televisão à Bossa Nova, do Cinema Novo à conquista da Copa do Mundo de 1958, da liberdade de imprensa à cultura engajada.
Os grupos devem criar um quadro, dividido pelas cinco áreas, no qual serão anotados os principais acontecimentos de cada uma delas.

Texto de apoio

Marcos de uma era desenvolvimentista
1955 — em 3 de outubro, Juscelino Kubitschek é eleito presidente da República. No dia 10, o então general Lott dá o "golpe da legalidade", para garantir a sucessão constitucional
1956 — em 31 de janeiro, JK é empossado presidente. Em fevereiro, ocorre a rebelião de Jacareacanga (PA), de oficiais da Aeronáutica. É lançado o Plano de Metas do governo. A Rural Willis começa a ser fabricada: nasce a indústria automobilística brasileira
1957 — início da construção de Brasília (fevereiro)
1958 — surge a Bossa Nova; a seleção brasileira conquista a Copa do Mundo na Suécia
1959 — rebelião militar de Aragarças (GO); criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em dezembro
1960 — Brasília é inaugurada em 21 de abril. Em 3 de outubro, Jânio Quadros é eleito presidente da República, enquanto João Goulart se reelege vice-presidente

 

Discuta com a turma os três elementos básicos da política do período 1945-1964: o populismo, a democracia e a instabilidade institucional. Destaque a importância do populismo, ao mesmo tempo estilo de governo e de mobilização popular. Explique que o populismo está associado à urbanização e à relativa ampliação da cidadania das massas populares urbanas. Esses setores humildes, de origem rural, contentavam-se com os direitos trabalhistas com que se deparavam no ambiente urbano. Para eles, fazer política era apoiar, de maneira passiva, os líderes que lhes haviam assegurado "privilégios", como o salário mínimo, e prometiam ampliá-los.

Lembre à turma que Vargas, JK, Jânio e Jango eram, todos eles, líderes populistas.
Peça que os estudantes examinem o "mito JK", que começa a ser criado pouco antes da morte do ex-presidente, em 1974. Proponha, em especial, a análise do papel que a mídia e as biografias têm para a construção dessas lendas (veja o quadro abaixo).

Para saber mais

Biografias: gênero exaltação?
Durante muito tempo, a biografia foi um importante segmento da narrativa histórica. Em geral, tratava de reconstruir a trajetória de um personagem relevante, exaltando e celebrando suas virtudes e capacidades. Em meados do século XX, o gênero começou a cair em desuso, pois estava muito identificado com uma forma tradicional e conservadora de pensar a História. No lugar dela, os pesquisadores privilegiaram as análises das estruturas e dos processos sociais e culturais. Porém, da década de 1970 em diante, o gênero recuperou seu espaço: houve mesmo uma inundação de biografias sobre todo tipo de gente, de Garrincha ao papa João Paulo II. As duas resenhas de VEJA revelam bem a nova realidade do gênero biográfico: uma conta a história de um presidente e a outra, de um discutido jornalista, ambas escritas por jornalistas. Resta saber se essa produção significará algo de positivo para a historiografia ou apenas mais uma moda, um novo instrumento de exaltação ou destruição de certos personagens históricos.

 

 

Veja também:

FILMOGRAFIA
Os Anos JK — Uma Trajetória Política
, Sílvio Tendler

 

Consultoria José Geraldo Vinci de Moraes
Professor de História da Universidade Estadual Paulista (Unesp)

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