Revistas do mês
Nova Escola
Gestão Escolar
publicidade

Plano de Aula

Globalização, um mundo sem fronteiras?

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Analisar os diversos períodos históricos nos quais se desenvolveu o conecito de globalização, seus aspectos econômicos, culturais e efeitos na história mundial.

Conteúdos
Globalização; Mundialização; História Mundial.

Introdução
O livro de Nayan Chanda (Sem Fronteiras) lança na arena das discussões sobre a globalização a postura que a identifica como um processo longínquo, que nos remete para tempos que antecedem o cristianismo no mundo ocidental. Essa postura tem gerado controvérsias, pois se opõe ao conceito de globalização como algo bem mais recente, que teria origem no pós-2ª Guerra Mundial (1949). A discussão se dá, antes de tudo, com base num vocabulário desorganizado e na ausência de raciocínio e de repertório conceitual geográfico. Em razão disso, adquire caráter ideológico, com disputas de juízos baseadas mais em incompreensões do que em posições, de fato, conflitantes.
A seguir, vamos propor um conjunto de reflexões e discussões que visam algum ordenamento para, aí sim, estabelecer uma contraposição consistente.

Desenvolvimento

1ª Aula
Para discutir
Falta vocabulário geográfico nessa discussão. Conexão entre povos, por exemplo, pressupõe superar distâncias geográficas com o desenvolvimento de tecnologias de transportes, com a construção e o estabelecimento de vias e, no limite, criação de territórios comuns integrados. Para usar a linguagem da geografia contemporânea, conexão entre os povos é produção de espaço. Um espaço conectado é um espaço que não existia quando não havia tal conexão. Povos que, no passado, se conectaram e resultaram em nacionalidades e territórios nacionais. Por isso, começamos por identificar o que há de geografia no processo de "mundialização". Ou seria "globalização"?

Mundialização e Globalização: Pergunte aos alunos se eles já ouviram a palavra "mundialização". Você sabia que em boa parte dos países europeus o termo mundialização é mais empregado que globalização? Mundo e globo (ou global) estão na origem dessas palavras. Globalização tem origem na cultura americana e, por meio dessa força, se impôs no Brasil. Interessante é que hoje, no Brasil, temos muitos dizendo que a globalização é bem anterior, mas antes da "moda analítica" trazida pela força da cultura americana (a discussão da globalização), não se falava por aqui (ao menos em termos de formação da opinião pública) nem em globalização atual nem em globalização passada.

Assim, fica estabelecido: a globalização pode ter começado bem antes, mas a discussão por aqui é nova, é recente. Haveria diferença entre globalização e mundialização? Vale a pena estabelecer uma diferença. Não temos o hábito de chamar de mundo um somatório de coisas (países e territórios + áreas que não pertencem a nenhum deles, mas têm seu uso regulado pelos países). Nesse sentido, o mundo sempre existiu. Então o que seria o processo de mundialização? Formação de quê?

Formação de um mundo de fato, de uma realidade mais conectada, com níveis mais elevados de integração espacial (geográfica). Seria uma realidade onde as relações sociais de todos os tipos tivessem maior alcance geográfico (por exemplo, trocas entre brasileiros e pessoas de qualquer parte do mundo). Se assim for, podemos - como faz Nayan Chanda - identificar esse aumento de escala num passado bastante remoto.

A humanidade que conhecemos hoje resulta de relações que circularam para além de áreas isoladas. Mas e a globalização? Vale a pena reservar essa palavra, como faz, por exemplo, o geógrafo Jacques Lévy para a fase (o estágio) atual da mundialização. Será possível pensar que a mundialização sempre foi do mesmo jeito? Que a ampliação da escala geográfica das relações humanas vem se dando linearmente, sem conflitos e sem mudanças? Pensem nas tecnologias e na disseminação delas, na formação dos estados nacionais modernos, nas guerras. A conclusão será que o processo de mundialização é extremamente complexo. Será que vale a pena, em nome de uma mundialização que ocorre há muito tempo, deixar de verificar a especificidade do momento que vivemos (a globalização)?

Como chegamos à globalização?
A mundialização é contraditória e conflituosa, como se reconhece no livro de Nayan Chanda, aliás, elas foram reguladas e restringidas pela formação de fronteiras; um mundo com fronteiras atua contra a mundialização em termos lógicos.

As fronteiras existem? Levante para a classe a questão da extinção das fronteiras, se isso ocorrerá em breve e como, fale da tecnologia que possibilita o intercâmbio de culturas, os acordos comerciais e diplomáticos para queda de controle fronteiriço

2ª Aula
Cinco momentos da criação do mundo (a mundialização)

Essa classificação é uma proposta de organização de raciocínio feita pelo geógrafo Jacques Lévy. Essas fases não são lineares e foram produto da história humana e não de impulsos naturais e podem ser debatidas uma a uma em sala.

1. A ligação das diferentes sociedades ao redor do mundo (10.000 A.C. até 1400)
O processo de encerramento do mundo (de isolamentos dos lugares) até o período das grandes descobertas (século 15) deve ser relativizado. Bem antes de se desenvolver a capacidade de navegação em mar aberto, já havia a construção de conexões generalizadas das sociedades no Velho Mundo (Europa, Ásia e África). Faça uma atividade conjunta com o professor de história, uma breve pesquisa do que foram as relações no Velho Mundo antes da navegação. As aventuras na rota da seda que exemplificam transações comerciais podem indicar pistas, bem como a expansão do islamismo que demonstra que não se transacionava apenas bens econômicos, mas também culturais, assim como as viagens de Marco Pólo. Citamos fatos conhecidos de conexão, de criação de uma malha geográfica de conexões, mas uma breve pesquisa indicará muitos outros.

2. A incorporação forçada nos impérios de escala mundial (1492-1885)
Com as grandes navegações, os descobrimentos e a colonização darão o tom das novas conexões. Marcadas pela conquista e pela violência, as relações humanas de maior alcance geográfico se desenvolveram. Muitas civilizações foram sacrificadas, todos sabemos. Um número restrito de impérios e seus interesses comandaram nesse período a mundialização. Nossa condição atual tem nesse momento uma de suas bases. A Europa é o ator principal desse momento, que termina com a partilha da África. Neste período, portanto, combinou-se a destruição de civilizações inteiras e a incorporação dos valores europeus. Também é possível descrever a mundialização do período mostrando como as relações circularam (os bens agrícolas, as matérias primas, etc...). Organize o que sabe sobre esse período em tópicos no quadro.

3. O estabelecimento de um espaço mundial de trocas (1849-1914)

Essa é a fase em que as colônias europeias tornam-se elementos significativos da economia das metrópoles coloniais. O ano de 1849 é o marco do domínio britânico sobre o subcontinente indiano. Neste período, as transações se multiplicaram de tal modo no espaço mundial que conflitos entre as potências surgiram, afinal, os colonizadores concorriam. Em 1914, anuncia-se uma guerra já chamada mundial, como demonstração do que estava em jogo. Algo bem maior, do que interesses encravados em territórios limitados. A guerra também estava mundializada, mostrando que esse processo está longe de ser benigno in totum. Aqui é hora de rever quais os elementos dessa guerra, que surge por causa da mundialização.

4. A resistência vitoriosa dos Estados-nação (1914-1989)
Esse período terá um caráter negativo em relação à globalização. Uma regressão no processo de mundialização, afinal os Estados-nações modernos se sedimentam, reforçam e criam fronteiras, e buscam intensificar relações em seus territórios nacionais, mais do que para fora. As cicatrizes da guerra anterior estavam lá. E outra guerra, mais feroz surge ainda, afinal, a Primeira Guerra não havia logrado encontrar uma ordem acordada, pacificadora. Duas guerras mundiais colocam o Estado, o país, em primeiro lugar, e não o mundo. Período de protecionismo, de aversão ao outro, marcarão o período. O que não quer dizer que a mundialização tinha arrefecido inteiramente, afinal, os EUA tinha vencido a guerra e sua força estava se ampliando geograficamente.

5. Aceleração, globalização e irreversibilidade (1945- )

Esse período negativo da mundialização foi superado. A aceleração da mundialização, num ritmo e com recursos nunca vistos, mobilizando interesses ligados a grandes corporações, vem dar uma peculiaridade muito forte a esse momento. Em uma escala é a mundialização que continua, mas em outra é uma lógica nova.

Levante a discussão sobre o que representa esta lógica. Trata-se apenas da multiplicação interesseira do grande capital e dos países mais ricos ou há algum outro resultado mais visível da mundialização nesse momento de globalização? Ressalte que países que guerrearam ferozmente décadas ou até séculos atrás agora se encontram em relações diplomáticas e pacíficas na Europa.



Avaliação
Proponha a seguinte atividade, individual ou em grupo, e avalie conforme a coerência com o conteúdo apresentado nas aulas: Tendo em vista o período atual, suas condições tecnológicas, econômicas e políticas faça uma lista do que há de diferente em relação aos períodos anteriores. O que acontecerá com a escala das relações sociais? O que se pode imaginar em relação ao futuro?

Consultor Jaime Oliva
geógrafo, autor de livros didáticos

Compartilhe

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais

Assine suas revistas impressas ou digitais!

Compre suas revistas digitais e e-books!

Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.