Objetivos
Identificar os laços entre atividade pastoril, nomadismo e conflitos intertribais
Conteúdo relacionado
Reportagem da Veja:
Reportagem:
Introdução
A bela reportagem assinada por J. R. Duran focaliza conflitos entre grupos tribais que ocorrem atualmente num canto perdido da Etiópia. Mas os confrontos abordados no texto vêm se sucedendo desde a Pré-História: os choques entre tribos de pastores pelo controle de pastagens e fontes de água e os ataques periódicos desses grupos nômades a seus vizinhos sedentários, basicamente dedicados à agricultura. Dessa perspectiva, as lutas entre os selvagens da bacia do rio Omo têm antecedentes milenares, entre eles os ataques, mencionados na Bíblia, das tribos de Israel aos povos agrícolas que fizeram de Canaã uma terra onde correm leite e mel . Examine com os estudantes alguns episódios desse antagonismo presente ao longo dos séculos, tomando como base o texto de VEJA.
Atividades
Entre Tribos Selvagens informa que a Etiópia foi o único Estado africano a escapar dos avanços colonialistas do século XIX, permanecendo como um império cristão milenar. Conta ainda que, na década de 1970, o imperador Hailé Sellasié foi deposto e o país alinhou-se com o bloco político liderado pela União Soviética. Somente em 1995, depois uma sangrenta guerra civil, a Etiópia tornou-se uma república de economia capitalista. Encaminhe pesquisas sobre a história recente desse país africano. Lance um tema para debate: é possível identificar laços entre as lutas pelo poder em Adis-Abeba e os combates na remota região do rio Omo? Na opinião dos jovens, a guerra civil etíope contribuiu para colocar modernos fuzis de assalto nas mãos de guerreiros tribais? Chame a atenção para o aparente paradoxo de grupos considerados selvagens estarem armados com equipamentos de combate produzidos na Alemanha e na Rússia.
Depois de promover uma discussão com a participação de toda a turma, peça que cada estudante escreva uma dissertação sobre o assunto. Em seguida, selecione quatro desses textos e leia para a classe. O principal objetivo da atividade é mostrar como na África existe a combinação do moderno e o arcaico, reforçando não as possibilidades de mudança, mas o que há de mais conservador nas culturas locais, favorecendo a manutenção do atraso econômico-social.
O texto da revista permite identificar o estágio do desenvolvimento das forças produtivas na Etiópia e em outras regiões da África negra. Boa parte da economia baseia-se na atividade pastoril nômade, que tem de se deslocar por amplos espaços durante o ano, em busca das pastagens, levando ao confronto inevitável com outros povos que se dedicam à agricultura e que são, claro, sedentários. Esses conflitos podem chegar a sangrentas guerras civis, como as ocorridas em Ruanda e Burundi a partir da década de 1970, que envolveram antigas rivalidades étnicas e políticas, estimuladas pelos colonizadores belgas. Conte que, nos dois territórios, os confrontos opuseram os pastores tutsis à etnia hutu, majoritária e predominantemente agrícola.
Segundo a moçada, é possível relacionar o antagonismo à diferença de modo de vida entre hutus e tutsis? Leve os alunos, organizados em grupos, a pesquisar as guerras civis africanas mais recentes e seus efeitos destruidores. Ensine que os zulus da África do Sul e os masai do Quênia e da Tanzânia são outros exemplos de tribos de pastores, em geral mais belicosas que os povos mais sedentários, dedicados aos trabalhos agrícolas. Proponha estudos sobre o modo de vida desses guerreiros nômades.
Leia para todos o seguinte trecho: Os quegos eram os menos numerosos. Eram escravos dos karos, mas recentemente foram liberados pelos nyagatons, a tribo mais numerosa e feroz . Sugira uma investigação sobre a escravidão existente na África, que antecede historicamente aquela desenvolvida pelos europeus a partir do século XV que, por sua vez, se estendeu até meados do século XIX , ligada ao fornecimento de braços para o café, a cana e outros cultivos tropicais de exportação. As equipes devem apresentar os resultados para a classe, se possível com cartazes sobre os dois tipos de escravidão.
Exiba a reprodução da litografia de um guerreiro etíope, feita por um europeu (abaixo). Ela pode ser o ponto de partida para uma pesquisa sobre os viajantes que percorreram o Continente Negro nos séculos XIX e XX, registrando imagens ou escrevendo memórias, diários, romances e tratados científicos. Acrescente que muitos filmes procuraram retratar o cotidiano das tribos do interior da África, evidentemente segundo a ótica ocidental, que, na maioria dos casos, desqualificava os nativos. Convide os alunos a selecionar trechos sobre o cotidiano dos grupos tribais e sobre os conflitos étnicos na África, com base nos relatos dos viajantes e em reportagens. Encarregue cada grupo de obter dois exemplos, sempre destacando o viajante e o período focalizado. Sugira que esses relatos sejam lidos e discutidos na sala de aula.
Desafie a garotada a identificar e discutir alguns fatores associados à situação em que se encontram as sociedades africanas. Lance perguntas e solicite que, ao responder, os estudantes escrevam um texto opinativo problematizando as seguintes questões: Que razões podem explicar o atraso econômico-social de diversos países da África? Por que encontram-se no continente africano as nações mais subdesenvolvidas do planeta? A ênfase dos textos e da discussão deve evitar os lugares-comuns e os eventuais estereótipos de cunho racista.
Consultoria Marco Antonio Villa
Professor de História da Universidade Federal de São Carlos (SP)