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Plano de Aula

A evolução continua, e mais rápida. Discuta com os jovens

Planeta Sustentável

Objetivos
Revelar como a interferência humana altera o processo evolutivo de seres vivos

Conteúdo relacionado

Reportagem da Veja:

Introdução
A rápida transformação ambiental imposta pelo ser humano pode ser a causa das mudanças nas características de alguns animais e plantas. VEJA revela diversos casos em que as alterações têm sido aceleradas, contrariando a idéia de que só se tornam significativas depois de milênios de existência de uma espécie. O tema remete a uma boa discussão do conceito de evolução, sobre o qual ainda se faz alguma confusão, como a de explicar que as aves desenvolveram asas para voar. Convide a turma para essa interessante verificação da interferência do homem, que pode afetar o ambiente mesmo quando a intenção é apenas proteger.

Atividades
Extraia algumas constatações da reportagem de VEJA relativas aos elefantes sem presas, aos carneiros com chifres menos retorcidos e aos peixes pequenos, sem as explicações, para apresentar à classe posteriormente.

Pergunte o que significa evolução. Essa questão costuma misturar muitos valores nossos com fenômenos biológicos. A idéia "humana" de evolução diz respeito a progredir, melhorar, principalmente no que se refere a bens materiais.

Do ponto de vista biológico, evoluir pode ser compreendido como mudar ao longo do tempo. Isso implica a possibilidade de "piorar", se pensarmos em extinção. Lembre o caso dos dinossauros. Altamente adaptados ao ambiente, há pouco mais de 60 milhões de anos foram extintos, deixando algumas variedades que evoluíram para os répteis atuais e as aves. Melhor ou pior? Nenhum deles, pois esse critério é um valor humano e não biológico.

Conte que Charles Darwin observou diversas variações individuais nas populações e percebeu que os seres vivos produziam descendentes em número bem maior do que aqueles que sobreviveriam até a idade reprodutiva. Com base nessas observações e em suas leituras, o naturalista concluiu que muitos indivíduos são eliminados (morrem ou não conseguem se reproduzir). Por outro lado, as características dos sobreviventes - as variações individuais que lhes conferiram certa vantagem sobre os demais - eram passadas para a geração seguinte.

Após esse exame, caem por terra boa parte das respostas apresentadas pelos alunos referindo-se à evolução como sobrevivência do mais forte: a seleção das espécies não leva em conta apenas esse aspecto, mas também deixar descendentes.

Ressalte os principais fatores que explicam como se dá a evolução: mutação, recombinação dos genes na população (reprodução sexuada) e seleção natural do ambiente. O conhecimento disso só foi possível com o desenvolvimento da Genética, posterior a Darwin.

Seres vivos bem adaptados ao ambiente apresentam mutações que podem ser prejudiciais, nulas ou apresentar uma vantagem. No meio em que vivem, porém, não fazem grande diferença. O aspecto essencial é que esses genes mutantes são transferidos a alguns indivíduos da geração seguinte.

Uma alteração brusca no ambiente, o surgimento de um competidor, uma seca prolongada ou uma praga destruidora de seu alimento podem favorecer determinados indivíduos que têm mutações. Como dispõem de mais chances de sobreviver e de se reproduzir, acabam "passando" seus genes para as próximas gerações. Isso é a seleção natural.

É interessante nesse momento discutir a impropriedade de representações como a "intencionalidade" da evolução. Isso ocorre em frases como "as aves desenvolveram asas para voar". Tal expressão denota uma intenção, um desejo interno dos animais. E, como acabamos de ver, esse processo ocorre por uma série de acasos.

E quando o homem é a pressão de seleção, ou seja, provoca a alteração do ambiente que promove a seleção natural? Faça essa pergunta e, em seguida, escreva no quadro as constatações levantadas na preparação da aula. Desafie, então, a turma a explicar por que aumentou o número de elefantes nascidos sem presas, o de carneiros com chifres menos torcidos e diminuiu o tamanho dos peixes adultos.

A resposta esperada é: morrem mais elefantes com presas porque são mais caçados e, em conseqüência, reproduzem-se menos. A presa, nesse caso, constitui uma desvantagem. Assim, a vantagem evolutiva passa a ser a ausência desse órgão. O mesmo vale para os carneiros.

Quanto à população de peixes, os alunos devem sugerir que a existência de indivíduos de diversos tamanhos na população e a pesca tornam uma vantagem ser pequeno.

Faça então a leitura de VEJA com a classe. Depois, estenda a questão observando que o homem, muitas vezes, seleciona variedades diferentes propositalmente. A seleção é dirigida com um objetivo desejado. Isso se dá na criação de gado de leite e em cavalos de corrida. Por conta de seus "genes interessantes", como produzir leite ou ter um porte físico avantajado, os criadores programam cruzamentos para melhorar a qualidade das características de sua criação. Há autores que chamam esse fenômeno de evolução direcionada.

Tal direcionamento acontece muito na agricultura. No caso do milho, algumas sementes de espigas maiores foram separadas para o plantio da safra seguinte, e assim sucessivamente, até que atingissem os tamanhos atuais. Hoje, mutações são induzidas para tentar produzir variedades com características diferentes.

Para terminar, proponha que a classe aplique as discussões para explicar como brócolis e repolhos, aparentemente tão diferentes, podem ser da mesma espécie (Brassica oleracea).
 

Para saber mais

O famoso divulgador científico Carl Sagan referiu-se a uma história interessante, não confirmada por outros cientistas, sobre o caranguejo japonês heike, cujas dobras na carapaça lembram uma face humana. Os pescadores o consideravam sagrado, pois o associavam à história de um príncipe criança jogado ao mar e, por isso, o devolviam à água. Isso acabou acentuando a figura do rosto na carapaça do animal.

 

 

Veja também:

Bibliografia
A Origem da Diversidade
, B.Shorroks, cap. 13. Edusp, tel. (11) 3091-4150
Evolução das Espécies, Samuel Murgel Branco, Ed. Moderna, tel. (11) 6090-1500

 

 

Consultoria Marcos Engelstein
Professor do Colégio Santa Cruz e Assessor de Ciências dos Colégios Anglo-Brasileiro e Pueri Domus

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