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Plano de Aula

O efeito das bebidas energéticas

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Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivos
Descobrir os efeitos das chamadas bebidas energética;
Compará-las com outros suplementos e alimentos:
Qualificar criticamente o papel funcional dessas bebidas:
Avaliar os riscos à saúde quando o consumo for inadequado

Conteúdos
Bioquímica, neurologia, citologia e fisiologia humana

Tempo estimado
Duas aulas

Material necessário
Acesso à internet, embalagens de vários produtos que possuam cafeína.

Introdução
VEJA traz um guia sobre bebidas energéticas e mostra o efeito de cada uma delas no organismo. Aproveite a reportagem e este plano de aula para explicar aos alunos os efeitos dessas substâncias. Na primeira aula, peça uma pesquisa sobre bebidas energéticas, alimentos cafeinados e alimentos naturais ricos em cafeína. Na segunda, monte um painel com base na pesquisa dos alunos comparando os diferentes tipos de energéticos com os alimentos tradicionais conhecidos por conterem cafeína.

Desenvolvimento

1ª. aula
Inicie a aula chamando a atenção da classe para o poder do marketing no mundo dos alimentos e as poucas informações reais que as pessoas possuem acerca do que ingerem. Leia com os alunos a reportagem Perigo: alta tensão, publicada em VEJA.

Em seguida, pergunte o motivo pelo qual tal bebida é chamada de energética. Discuta com os alunos o que seria "energético", de acordo com as ciências biológicas. Pergunte se seriam carboidratos, por gerarem calorias; seriam estimulantes do sistema nervoso, por gerarem mais atividade comportamental; ou seriam estimuladoras do metabolismo, por promoverem mais atividade química no organismo.

Dê um tempo para que os alunos pensem e diga que a resposta é "sim" para todas as possibilidades. A "energia", do ponto de vista bioquímico, é uma molécula que pode gerar ATP (Adenosina trifosfato) - a moeda de troca energética das células -, mas não devemos ignorar o uso mais largo da palavra "energético". Nesse uso repousam as principais preocupações sobre os efeitos nefastos desses elementos para a saúde humana.

Apresente à classe a composição de um energético industrializado qualquer. Lembre-os de que, embora existam muitas marcas, a composição é praticamente a mesma - só varia a quantidade relativa dos componentes, particularmente a cafeína. Os componentes são: água, açúcar, taurina, glucuronolactona, cafeína e vitaminas do complexo B. Alguns acrescentam ainda pequenas doses de Ginkgo biloba, gisnseng, guaraná, carnitina e creatina. Variam também as quantidades de açúcar ou adoçantes, porém a maioria deles contém carboidratos - o que os torna fonte de calorias.

Explique aos alunos que o principal componente dos energéticos é certamente a cafeína, o estimulante mais consumido pela humanidade. Conte que, de fato, este estimulante tomado em baixas doses tem propriedades muito interessantes - como facilitar o raciocínio, melhorar a atenção, diminuir a fadiga e aumentar o estado de vigília. Explique os mecanismos fisiológicos dos efeitos da cafeína para os alunos. Esclareça que a ela é um antagonista competidor dos receptores de adenosina, atuando nesses receptores em áreas muito variadas - tais como a circulação periférica do corpo todo e o córtex cerebral. Este último, entretanto, pode ser o principal mecanismo  responsável pelos efeitos estimulantes.

As ações do neurotransmissor adenosina, tanto no cérebro como no organismo em geral, são de agente inibidor e depressivo. Esses efeitos depressores ocorrem porque a adenosina promove a inibição da liberação de norepinefrina (noradrenalina) em todo o corpo - e, predominantemente, no Sistema Nervoso Simpático. Antagonizando esses efeitos, a cafeína resulta em uma estimulação dos sistemas envolvidos, aumentando tanto a liberação de norepinefrina como a taxa de ativação espontânea dos neurônios noradrenérgicos. Assim ocorrem estimulação cardíaca, aumento da pressão arterial, redução da mobilidade intestinal. Em outras palavras, produz-se um clássico estado de estimulação simpática, típica de uma situação de estresse na qual as reservas corporais se mobilizariam.

Explique à turma que outro mecanismo inibitório sobre o Sistema Nervoso Central da adenosina é a inibição pré-sináptica da liberação de dopamina. Diminuindo-se a ação da adenosina - como acontece ao ingerirmos cafeína - deixa-se de inibir a liberação de dopamina e seus níveis aumentam. Resumindo, consumo crônico de cafeína pode proporcionar aumento da liberação de dopamina no Sistema Nervoso Central.

Pergunte, então, quem sabe o que é a Taurina. Conte à classe que se trata de um ácido orgânico encontrado na bile e que ajuda na absorção de gorduras. Além disso, ele promove a homeostase dos íons cálcio, tonificando e dando resistência aos batimentos cardíacos. O efeito prático é o aumento da resistência. A Taurina também tem efeito desintoxidcador, pois tonifica o fígado, potencializa o efeito da insulina e o metabolismo de glicose caracterizando um efeito anabólico.

Discuta com a turma ainda outros componentes menos abundantes nas bebidas energéticas. A carnitina - componente presente naturalmente nas carnes e pouco abundante nos vegetais - tem a função de facilitar a queima de gorduras, pois as mobiliza como fonte energética alternativa para as mitocôndrias. A creatina é um aminoácido que pode ser sintetizado pelo corpo assim como adquirido na alimentação. Ela tem um papel importante na re-síntese de ATP nos músculos submetidos à atividade intensa. Finalmente a glucoronolactona é uma substância formada com base na glicose. Ela auxilia nos processos de eliminação de toxinas endógenas e exógenas. No exercício físico age como um desintoxicante, diminuindo a fadiga e melhorando a performance. Verifica-se ainda quantidades pequenas de inositol, que atuam como uma vitamina do complexo B.

Finalize a discussão levantando a questão do consumo de energéticos associados a bebidas alcoólicas. Questione a moçada acerca dos perigos de tal associação. O energético pode inibir o efeito depressor do álcool, por exemplo. Com isso, pode encorajar o sujeito alcoolizado a dirigir um automóvel. Pontue que a inibição do efeito depressor é parcial, ou seja, uma maior disposição não significa mais coordenação motora ou resposta rápida a estímulos.

2ª. aula
Divida os alunos em dois grupos. Peça que o primeiro faça um levantamento das diversas marcas de suplementos alimentares líquidos que recebem o nome de energéticos. Diga para que os alunos façam um registro organizado dos dados de composição nutricional por meio da leitura dos rótulos de cada marca. O segundo grupo deve fazer um levantamento das quantidades de cafeína em outras bebidas e também em alimentos naturais como chás, cafezinho etc. Os dados devem ser reunidos em uma grande tabela comparativa.

Para ajudar no quadro comparativo, apresente à moçada os dados abaixo.

Fonte: Revista da  Associação Médica Brasileira vol.50 no.1 São Paulo,  2004.
Fonte: Revista da Associação Médica Brasileira vol.50 no.1 São Paulo, 2004.
Fonte: Revista da  Associação Médica Brasileira vol.50 no.1 São Paulo,  2004.
Fonte: Revista da Associação Médica Brasileira vol.50 no.1 São Paulo, 2004.
 

Com o quadro pronto, faça uma síntese do conteúdo com a classe, comparando os energéticos e os alimentos naturais que contém cafeína. Conte aos alunos que a cafeína é absorvida rapidamente por via oral, atinge o pico plasmático cerca de uma hora após sua ingestão e tem uma meia vida plasmática de 3 a 7 horas. Acrescente que um cafezinho simples contem cerca de 200 mg de cafeína. A dose letal de cafeína para o homem é, em média, de 10 gramas o que significa cerca de 50 cafezinhos. Tomando como base a meia vida fisiológica da cafeína, peça que os alunos avaliem o efeito de algumas latinhas de energéticos tomados em uma balada.

Avaliação
Ao final da aula, converse com a turma sobre os efeitos dos energéticos e os perigos do consumo excessivo. Certifique-se de que os estudantes entenderam que a cafeína, ao ser consumida de maneira moderada, traz efeitos positivos para o sujeito, mas em excesso pode causar sérios danos.

Consultoria Ricardo Paiva
professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo.

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