Conteúdo relacionado
TítEste plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:ulo
Objetivos
Desenvolver o pensamento crítico
Introdução
Conta-se que na época em que estudava engenharia de aviões na Universidade de Cambridge, o filósofo Ludwig Wittgenstein um dia perguntou a seu professor, o renomado lógico e matemático Bertrand Russell: "O senhor poderia me dizer se sou um completo idiota? Se for um, me dedicarei à aeronáutica; caso contrário, serei filósofo".
Verídico ou não, o episódio ilustra um dos antagonismos mais marcantes nos processos de aquisição, transmissão e aplicação prática do conhecimento especializado: humanidades x ciências exatas, valores x resultados.

Atividades
Mostre à classe que, como indica o texto de VEJA, a contraposição entre avaliar o desempenho da turma segundo o esforço particular de cada aluno (prática associada a "professores bonzinhos") ou por meio da mensuração objetiva de resultados universalmente válidos (ato típico dos "professores carrascos") é um dos grandes desafios não apenas para educadores, como para políticos, cientistas sociais e administradores em geral.
Na verdade, o conflito entre uma racionalidade "instrumental" orientada para resultados e outra "substantiva" voltada para finalidades e valores humanos é um dos principais temas desenvolvidos pela Escola de Frankfurt grupo de intelectuais alemães que pensa criticamente as demandas enfrentadas pelas sociedades contemporâneas. Atualmente, uma das vultosas tarefas da chamada Teoria Crítica é encontrar formas sustentáveis de impor freios à razão técnica, sem abrir mão dos inegáveis benefícios trazidos por ela como a precisão e a eficiência no desempenho de atividades pragmáticas. No caso do ensino de qualidade, isso quer dizer que é preciso estar atento a resultados objetivos, pautados em regras e princípios conhecidos e verificáveis. Em contrapartida, deve-se igualmente estimular nos alunos a criatividade e o senso crítico como preparação tanto para o desempenho de funções que exijam inovação e liderança no mercado de trabalho como para fazer valer sua voz como pessoas autônomas e responsáveis.
Importante ressaltar: rigor não é sinônimo de autoritarismo, assim como redação livre não equivale a simples "abobrinha". Compete ao bom professor seja ele "durão" ou "gente boa" ter discernimento para distinguir entre a argumentação e a "enrolação".
Pergunte aos estudantes o que entendem por "democracia". Procure incentivar a participação da turma, anotando no quadro-negro as palavras-chave de cada resposta. Feito isso, introduza o conceito grego de demokratia ou "governo do povo", dissertando sobre o contexto em que tal expressão foi utilizada por Aristóteles. Mostre os contrastes entre a democracia direta dos gregos (que convivia perfeitamente com a existência da escravidão) e a democracia moderna, de caráter essencialmente representativo. Cite diferentes exemplos que sirvam de base para discutir se uma dada prática é ou não democrática, de acordo com o que foi apresentado. Ao fim da aula, peça à moçada que reavalie as opiniões iniciais elaborando um texto de dez a vinte linhas como dever de casa para a aula seguinte. Ao avaliar, não deixe de valorizar o esforço e o pensamento crítico de cada um, mas também dê importância ao rigor e à fundamentação teórica do material apresentado.
Consultoria: Aléxia Bretas
Doutoranda em Filosofia pela USP