Assine Nova Escola
Loading
NAS BANCAS
assine
capa capa
publicidade
anuncie!

Plano de Aula

Diferenciado, porém igual

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Reportagem de Veja

Objetivos
Debater sobre o consumo e massificação cultural

Introdução
Uma "bizarra colagem de pedaços de quinze bolsas tradicionais da qual foram produzidos 24 exemplares". A reportagem de VEJA descreve assim o modelo Tribute, da Louis Vuitton, comercializado a 42000 dólares cada peça. O que justifica o preço desse acessório, tão inacessível para quem não orbita nas classes mais ricas? O conceito de luxo vip, abordado pela revista, dá origem a um estudo sobre os hábitos de consumo como fator de diferenciação social.

Atividades
1ª e 2ª aulas - Questione os alunos sobre a motivação da reportagem. Para que publicar um texto sobre a venda de uma bolsa que custa dezenas de milhares de reais? Diga que, se esse evento fosse corriqueiro, inerente ao cotidiano do brasileiro, não despertaria curiosidade. Assim, atrelada à primeira indagação, pergunte por que a reportagem atrai a atenção. Ouça a classe e comente que a maioria das pessoas não acha normal o fato reportado. Ele foge às expectativas de grande parte da população, para quem não parece natural a existência de uma bolsa tão cara.

Inicie, então, uma discussão sobre o valor das coisas. Procure saber quanto custou o tênis de um estudante, o caderno de outro e assim por diante. Como eles avaliam esses preços? Parecem justos? Abusivos? Por quê?

Quais são, segundo os adolescentes, os itens básicos para atender nossas necessidades? Leve-os a concluir que não há justificativa para uma bolsa - acessório totalmente dispensável para uma vida social, econômica, cultural e familiar digna - custar o equivalente a um apartamento, bem muito mais durável e fundamental (afinal, todos precisam de um lugar para morar).

Após essa conversa prévia, provoque os alunos. O que nos permite considerar absurdo o desembolso de tal cifra para aquisição de uma bolsa, mas achar um excelente negócio pagar o mesmo valor por uma casa? Conduza uma reflexão mais ou menos genérica acerca dos custos de mão-de-obra e materiais e do lucro dos empresários sobre os produtos. Deixe claro que, quando pagamos por algo uma soma muito acima desses parâmetros, estamos consumindo conceito e luxo. Sugira que a turma consulte, no dicionário, o significado desses termos. Ensine que a bolsa citada por VEJA é classificada como um artigo luxuoso justamente por ser inacessível a quase todos os brasileiros e similar a outros modelos (maiores, mais práticos e infinitamente mais baratos) que desempenham a mesma função.

Exclusividade e dinheiro - Traga para o contexto escolar a questão do desejo de ser especial. Quem é especial? Quem quer ser? Qual a importância disso para os estudantes? Em que medida possuir, colecionar e exibir coisas pelas quais poucos podem pagar torna alguém diferente? Lembre que as grifes mais elitistas se valem dessa demanda para angariar clientes entre aqueles que podem, literalmente, dar-se ao luxo de comprar inutilidades a peso de ouro.

Hiperluxo - Tome como base a seguinte frase de VEJA: "O luxo mais acessível vai perdendo a aura de coisa exclusiva, para poucos. Transforma-se numa espécie de luxo de massa". Debata a exclusividade ilusória do luxo e demonstre como, aos poucos, o que estava restrito a alguns passa a ser incorporado por muitos.

Coloque em pauta a contribuição filosófica da Teoria Crítica, também conhecida como Escola de Frankfurt. Ela teve em Adorno, Horkheimer e Marcuse importantes elaborações a respeito da massificação e da indústria cultural. Esses pensadores escreveram sobre as transformações sociais ocorridas durante a ascensão dos regimes fascista e nazista, partindo de uma perspectiva em que o socialismo estava fora de questão. Eles presenciaram o avanço do capitalismo seguido pelo crescimento das indústrias fonográfica, cinematográfica e literária. Nesse cenário, a música erudita dos concertos, por exemplo, até então restrita às altas classes, passou a ser disponibilizada em discos.

Para seus alunos

Saia justa 

Na festa de bacanas, duas socialites descobrem que estão usando a mesma roupa: em tese, era um modelo exclusivo.
Na festa de bacanas, duas socialites descobrem que estão 
usando a mesma roupa: em tese, era um modelo exclusivo. 
Ilustrações Beto Uechi / Pingado 
No livro Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer observaram que as pessoas querem ser únicas e especiais, mas a massificação apresenta um panorama em que a comida, o vestuário, os livros, os filmes e quase tudo o que há é partilhado por todos. Ao perceber tal ânsia pela individualidade, a indústria cria mercadorias formalmente exclusivas, mas que, na essência, são idênticas àquelas de grande circulação. Dessa maneira, surge um mundo paralelo, no qual há indivíduos com o poder de pensar e opinar de modo independente e se mostrar como "celebridades luxuosas". Esse universo, porém, é enganoso. Segundo os dois filósofos, "para que ninguém escape dele, as distinções são acentuadas e difundidas (...). Cada qual deve se comportar, como que espontaneamente, em conformidade com seu level, previamente caracterizado por certos sinais, e escolher a categoria dos produtos de massa fabricada para seu tipo". O que vemos é uma pluralidade de vips que, a despeito do que pensam, encaixam-se nas engrenagens de uma sociedade pasteurizada. Ninguém foge à massificação.

Assim, o que era luxo, porque poucos podiam usufruir, acaba se popularizando com o passar do tempo. Mais gente usa as mesmas roupas de grife e as mesmas bolsas, vai ao mesmo cabeleireiro e acaba uniformizando a propalada exclusividade. Então, cria-se outra maneira de reviver o luxo: o lançamento de bens ainda mais caros, para pessoas mais abonadas. Logo, expressões como superluxo e ultraluxo vão classificando as coisas ao longo do tempo. Já não basta ser luxuoso, tem de ser hiperluxuoso. Ser vip é muito pouco, é preciso ser megavip. Com esses dados, os estudantes vão confeccionar cartazes que representem o que, para eles, torna alguém de fato especial.

Por fim, exiba as imagens que ilustram este roteiro e encomende dissertações sobre uma das duas situações. 

Para seus alunos

O carro do vizinho

O desejo de ascensão social se manifesta na garagem: o dono do Fusca cobiça o sedan ao lado, cujo proprietário quer a Ferrari. Ilustrações: Beto Uechi / Pingado
O desejo de ascensão social se manifesta na garagem: o dono do Fusca 
cobiça o sedan ao lado, cujo proprietário quer a Ferrari.  
Ilustrações Beto Uechi /

Consultora Cristina de Souza Agostini
Mestranda em História da Filosofia pela Universidade de São Paulo

PATROCÍNIO Patrocinadores Editora Scipione Editora Ática Edições SM Editora Positivo
Expediente Termos de uso Assinaturas para secretarias de Educação Anuncie Fale conosco Trabalhe conosco Dúvidas frequentes
Fundação Victor Civita - 25 anos
Fundação Victor Civita © 2012 - Todos os direitos reservados.