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Plano de Aula

Desterrados na própria terra

Planeta Sustentável

Objetivos
Recuperar as condições históricas que geraram os quilombos; Tentar compreender a dinâmica dessas comunidades

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Reportagem da Veja:

Reportagem:

Introdução
Desde o início da escravidão no Brasil existiram fugas de negros. Eles escapavam para locais afastados e se reuniam em quilombos, que chegaram a abrigar até 30000 pessoas, como no caso de Palmares. Organizadas econômica e politicamente, elas plantavam o que precisavam para comer, respeitavam uma hierarquia e, principalmente, manifestavam livremente suas práticas culturais de origem. Mais de um século depois da Abolição, as comunidades negras remanescentes de antigos quilombos permanecem isoladas no interior do país, vivendo em condições precárias, à margem da História e do Estado. A Lei Áurea eliminou o terror das chibatadas, mas em que situação deixou esses negros que até desconhecem que existiu escravidão? Para se tornarem cidadãos será que basta ter um pedaço de terra? Talvez sua identidade estivesse mais preservada nos moldes dos quilombos dos séculos passados, símbolos da resistência negra à dominação branca, do que agora, quando nem sequer possuem uma memória.

Atividades
1. Depois de lido o texto de VEJA, distribua algumas imagens da escravidão no Brasil para os alunos analisarem. Você pode utilizar as gravuras dos desenhistas Jean-Baptiste Debret e Johann Rugendas, além de fotografias de Marc Ferrez. A interpretação dessas imagens pode gerar a seguinte questão: quais as opções de revolta e protesto que os escravos tinham diante das condições de vida que levavam?

2. Em seguida, faça um exercício de recuperação da dinâmica dos quilombos. Organize a turma em quatro grupos para pesquisarem como a historiografia vem abordando essa temática nos seguintes aspectos: o cotidiano (formas de relacionamento com as populações vizinhas; relações de trabalho), a cultura material (técnicas e instrumentos de cultivo; padrão de habitação; instrumentos de guerra), a religiosidade (o calundú e os diferentes ritos derivados de tradições africanas como o candomblé; o catimbó, rito originário de mistura com a cultura indígena; artes curativas) e as manifestações culturais (danças e cantigas).

3. Confronte o conhecimento adquirido pelos alunos, com base na produção historiográfica recente, com a reconstrução ficcional feita pelo cineasta Cacá Diegues no filme Quilombo.

4. Encerre a atividade com um debate sobre os destinos da população escrava no contexto pós-abolicionista, discutindo questões como o significado da liberdade para a população negra na sociedade republicana. Convém destacar que, se para os escravos a fuga e a organização dos quilombos era um ato dignificador, as comunidades referidas na matéria vivem uma situação de desterrados na própria terra.

De crime a espaço cultural
Os quilombos não nasceram no Brasil. Eles já existiam na África e eram chamados kilombos, palavra de origem banto, língua falada por povos que viviam entre o Zaire e Angola. Caracterizados como uma instituição política, social e militar, os kilombos eram formados por grupos que disputavam o poder de uma região ou que migravam em busca de novos territórios.

No Brasil escravocrata, os quilombos eram organizados por escravos fugidos, mas também abrigavam índios e brancos pobres - um grande sinal de rebeldia e resistência à opressão não só racial, mas também social. Formar um quilombo, portanto, tornou-se crime previsto por lei. No Maranhão, por exemplo, uma lei de 1847 considerava como quilombo a reunião de no mínimo dois escravos num "lugar oculto". No Rio Grande do Sul, na mesma época, bastavam três negros escondidos "no mato" para que o crime fosse caracterizado.

Hoje, segundo a Fundação Palmares, que identifica as comunidades remanescentes, quilombos são sítios historicamente ocupados por negros, incluindo as áreas habitadas ainda hoje por seus descendentes, com conteúdos etnográficos e culturais.

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
Liberdade por um fio. História dos quilombos no Brasil
, João Carlos Reis e Flavio dos Santos Gomes, Cia. das Letras, fone: (11) 3707-3500
As religiões negras do Brasil, Reginaldo Prandi na Revista USP nº 28

 

Consultoria Nelson Schapochnik
Professor de história da Unesp-Franca, SP

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