Assine Nova Escola
Revistas do mês
Nova Escola
Gestão Escolar
publicidade

Plano de Aula

A física da fotografia

VEJA na Sala de Aula

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Permita que os alunos vivenciem a experiência de construir uma câmera pinhole e mostre, por meio dela, os conceitos ópticos  envolvidos no ato de fotografar

Objetivos
- Entender a física por trás de uma máquina fotográfica.
- Estimular o poder de observação e despertar a visão crítica nos diversos tipos de fotografias.
- Construir uma máquina pinhole.

Descrição da imagem


Conteúdo
- Óptica: propagação linear da luz, geometria óptica e câmara escura.
- Artes: a fotografia como linguagem

Tempo estimado
Quatro aulas

Materiais necessários
- Cópias da reportagem "Diretor de imagens", publicado em Veja (Ed. 2263, 4 de abril de 2012) para todos os alunos;
- Computador com datashow e acesso à Internet.
- Uma vela
- Uma caixa de sapato para cada grupo de alunos
- Um pedaço pequeno de papel alumínio
- Uma folha de papel vegetal
- Cartolina escura ou pedaços de papelão para envolver a caixa de sapato
- Tesoura, fita crepe, cola e um prego fino (pode ser um percevejo).

Introdução
Desde épocas remotas o homem tenta imortalizar momentos e suas ideias - seja em pinturas rupestres ou em pinceladas de óleo sobre tela. No entanto, antes da invenção da fotografia, tornar uma cena eterna levava tempo, e, por isso, apenas os grandes momentos e eventos eram registrados. Com o advento da fotografia, em 1826, registrar um momento ganhou novos significados que vêm sido remodelados com o tempo.

A chegada das câmeras digitais, por exemplo, proporcionou uma disseminação na quantidade de fotografias tiradas. Em meio à tamanha produção, poucos são os artistas que conseguem trazer pontos de vista diferenciados e imprimir uma identidade a seu trabalho. Tomar conhecimento da física da fotografia é o primeiro passo para entender o processo de surgimento das imagens. Mas não é suficiente. Bons fotógrafos precisam treinar o olhar e aprender a enxergar. Este plano, introduz o aluno aos primeiros conceitos de fotografia.


Desenvolvimento
1ª e 2ª aula
Abra a discussão sobre fotografia em classe distribuindo para os alunos cópias da reportagem de Veja. Se for possível, use cópias coloridas, ou então, projete no telão com auxílio do datashow. Apresente a primeira imagem de uma mulher nua pendurada em um galho de árvore. Pergunte então à classe:

- Esta foto é semelhante às fotos que você costuma tirar ou ver publicada nas redes sociais?
- O que faz dela uma foto diferente das outras? As cores são as mesmas? E a luz? E o enquadramento? E a pose da modelo?
- O que se consegue imaginar a partir desta fotografia?

Explique a eles que, ao final das quatro aulas planejadas, será possível enxergar esta mesma foto de uma forma diferente. Diga o nome do fotógrafo e mostre aos alunos que esta imagem já foi de alguma forma, consagrada, principalmente, por sua divulgação nos meios de comunicação.

Monte no quadro negro, então, uma tabela com as principais impressões dos alunos sobre a fotografia apresentada. A partir daí, introduza os primeiros conceitos físicos por trás das máquinas fotográficas. Acenda então uma vela e pergunte se todos conseguem ver sua chama.

Explique que, mesmo se estivéssemos em uma noite no estádio do Maracanã e só tivesse esta vela em meio ao estádio lotado, todos enxergariam sua chama. Este fenômeno parte do pressuposto de que inúmeros raios de luz são irradiados do fogo que queima o pavio. Baseado neste conceito, introduza aos alunos o conceito de câmera escura, princípio básico da fotografia.

Desenhe o esquema de uma câmara escura de orifício na lousa de acordo com a figura abaixo.

 

Caixa escura1


Mostre aos alunos que inúmeros raios partem da vela, mas que, para simplificar o processo, utilizamos no esquema apenas os principais para formar uma imagem - ou seja, os raios os extremos. Como o orifício é pequeno, os raios que partem da vela tendem a se cruzar no caminho até que atinjam o fundo da caixa. A câmara escura é um esquema simplificado dos processo que também ocorre nos nossos globos oculares durante a formação da imagem.

O fundo da caixa, onde a imagem se forma, seria o equivalente à retina em nossos olhos, cuja função é captar as ondas de luz e transformar em pulso nervoso para ser interpretada pelo cérebro.

Lance então o desafio da montagem da câmara escura de orifício. Peça para que os alunos formem grupos de quatro e que, coloquem sobre suas mesas os materiais necessários. Solicite que vedem a caixa em todas as suas aberturas com a fita crepe, e a deixem inteiramente fechada, sem qualquer tipo de abertura. Nas faces de menor área, faça dois cortes conforme a ilustração abaixo:

 

Caixa escura1



Uma delas deverá ser cortada em um quadrado pequeno com lado de no máximo dois dedos onde será colado o papel alumínio; enquanto a outra face deverá ser cortada com o máximo de área possível, deixando de um a dois dedos do limite da caixa para colar o papel vegetal.

Cuidadosamente, faça um pequeno furo no papel alumínio com o prego, deixando o orifício o mais redondo possível. Está pronta a câmara escura!

Para ver seu funcionamento é preciso que haja pouca luz no ambiente, principalmente na parte de trás (parte do papel vegetal). Se for possível, cubra-a com abas ou uma toalha escura (como nas máquinas antigas) para que só seja possível ver a luz da imagem formada sobre o papel. Mire então a parte do orifício para algo bem claro, pode ser uma lâmpada ou a tela do datashow ou mesmo a janela. 

Caixa escura2


Caso o aluno não esteja enxergando muita coisa é porque a parte de trás ainda não está escura o suficiente. Se isso acontecer, sugira que ele coloque uma cartolina preta ou papelão em volta da caixa para fazer uma espécie de cabana, e que, veja melhor a imagem, conforme a figura 3. Se ainda houver dúvidas na montagem, o vídeo no link a seguir mostra a construção passo a passo de uma câmara escura de forma semelhante: http://www.youtube.com/watch?v=S4wzF7xb8Cw&feature=related

Retome o esquema desenhado no quadros da formação da imagem, agora na prática, comparando os elementos desenhados aos elementos da própria caixa. Encerre esta aula dizendo que, para este aparato se tornar uma máquina fotográfica verdadeira (uma genuína pinhole), basta substituir o papel vegetal da parte de trás por um pedaço de filme fotográfico e tampar o orifício, abrindo-o somente quando for tirar uma foto.

Nota: esse procedimento é extremamente complexo, pois exige que a caixa seja perfeitamente isolada a qualquer tipo de luz. Por esse motivo, costuma-se usar latas de metal pintadas de preto para eliminar suas faces reflexivas, em vez da caixa de sapato. Além disso, o pedaço de filme tem que ser colocado na região correta, e todo esse esquema,  feito no escuro. Caso disponha de tempo - levando em conta que esses processo inclui uma série de erros e acertos - o vídeo a seguir ensina a montar uma máquina dessas em tamanho reduzido: http://www.youtube.com/watch?v=amOqmolX0iE

3ª e 4ª aulas
Retome os conceitos da aula anterior e reforce que todas as máquinas ainda hoje, mesmo as digitais, possuem uma câmara escura como base de formação de imagens. Com o auxílio do computador, do ponto de Internet e do datashow, mostre imagens aos alunos algumas imagens relevantes (encontre várias imagens do dia ou olho mágico no link (http://noticias.uol.com.br/fotos). Então lance o desafio da fotografia.

Peça que os alunos tragam suas câmeras ou emprestem as da escola em sistema de revezamento. Diga que o contraste entre luzes e jogo de cores, podem produzir boas fotografias. Lembre a todos que o princípio da câmara escura de orifício aprendido ajuda a compreender a formação de imagens finais.

Estimule seus alunos a valorizarem enquadramentos e situações inusitadas, colocando na tela aquilo que, pare eles, seria uma imagem inesquecível. Com autorização da diretoria, faça com que os alunos usem suas máquinas integradas aos seus diversos tipos de aparelhos e tirem fotos da própria escola inicialmente.

Estimule-os a olhar cada canto da escola em busca de um novo ângulo, uma nova visão, algo que só eles perceberam e pretendem passar para os colegas para eternizar aquele momento. Atente-se para a ética das fotografias. Discuta que todas as fotos tiradas partem do princípio do respeito mútuo de todos e que nenhuma forma de constrangimento é legal. Então, antes do final da aula peça para que retornem a sala e, fora da escola, tirem uma foto livre. Diga na próxima aula haverá um mini concurso para eleger a foto mais interessante tirada na escola - e fora da escola.

Na aula seguinte (preferencialmente em outro dia) coloque todas as fotos dos alunos em um pendrive e apresente no datashow para sua classe. Caso isso não seja possível, peça para que eles mandem para seu e-mail. Assim poderá agilizar e até mesmo separar as fotos por grupos (pessoas, paisagens, animais,etc).

Essa forma de apresentação das fotos resultará em um efeito muito melhor que uma publicação nos sites de relacionamento. Seu mini concurso de fotos pode abranger a escola inteira, se tiver autorização, e ainda poderá promover uma mostra de imagens impressas selecionadas pelos próprios alunos. O maior ganho dessas quatro aulas será a compreensão desde a formação da imagem na câmera escura até a visão critica e mais apurada de cada clicada artística disparada pelos próprios alunos.

Para que a aula fique ainda mais interessante e encerre com a sensação de que valeu a pena todo o esforço, peça para alguns alunos contarem os motivos que os levaram a tirarem aquela foto.

Eis a magia a fotografia. Por mais que todos tenham acesso a micromáquinas em celulares e tocadores de músicas, leve os alunos a entenderem que ainda existem grandes artistas que veem o mundo de forma extraordinária e conseguem extrair de um simples ato uma imagem, um ponto de vista e um jogo de luz único. 

Avaliação
Retome os objetivos propostos no plano de aula e verifique se a turma entendeu os conceitos de óptica existentes em uma máquina pinhole durante a construção do aparato. Redistribua os recortes da reportagem da revista Veja e volte a discutir com os alunos se houve diferença entre a primeira vez que olharam a imagem e esta última. Por fim, o mini concurso de fotos valerá como ajuda na forma de avaliação, levando em conta a incorporação dos novos conceitos (ângulos, composição, criatividade e uso da luz).

 

Ilton Miyazato
Licenciado em Física pela Universidade de São Paulo, bacharel em Gestão Ambiental pela mesma instituição e professor do colégio São Francisco de Assis, em São Paulo.

Compartilhe

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários
Compartilhe
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais

Assine suas revistas impressas ou digitais!

Compre suas revistas impressas!

Compre suas revistas digitais e e-books!

Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.