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Plano de Aula

Conscientize os jovens sobre sexo e prevenção das DSTs

Planeta Sustentável

Objetivos
Conscientizar os alunos sobre a importância do uso de camisinha

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Reportagem da Veja:

Introdução
O sexo dos anjos, como reza a lenda, pode até ser indefinido, mas o dos jovens na vida real parece ser um eterno misto de prazer e perigo. VEJA informa que nos Estados Unidos, terra varrida por uma onda neoconservadora, o governo prega a virgindade como valor supremo antes do casamento. Vulneráveis aos apelos da carne, os moços do norte trocam o ato propriamente dito por contatos mais íntimos sem penetração vaginal, além de sexo oral e até mesmo anal. Na cabeça deles, continuam virgens. Mas, como não se previnem, ficam suscetíveis a doenças como gonorréia, sífilis, HPV, clamídia, herpes e tricomoníase. Já no Brasil, 80% dos adolescentes se dizem castos. Mesmo assim, já tiveram algum contato sexual. O risco de não contrair doenças, portanto, também é quase um milagre por aqui. Use as informações da revista como base para discutir como a luta para se manter puro até o casamento não evita, necessariamente, o contágio das DSTs. Já que dizem que os jovens só pensam naquilo, aproveite para explicar que é no cérebro que todo o processo sexual começa. E é nele que deve ser fixada uma idéia: camisinha - tem que usar.

Providencie cópias do texto do quadro "Entre quatro paredes" (abaixo) e distribua para a turma. Levante dados sobre a aids disponíveis no site indicado no final deste plano para falar sobre a epidemia. 

Atividades
Oriente a leitura da reportagem e destaque que os jovens americanos que prometem preservar a virgindade são sexualmente ativos, já que os contatos acontecem nas mucosas, tecidos epiteliais de revestimento interno. Como não são barreiras tão eficientes quanto a pele, as mucosas ficam bastante expostas. Na prática do sexo anal, deixe claro, elas ficam mais suscetíveis a infecções do que outras partes do corpo.

Fale também sobre como as práticas sexuais pouco seguras podem levar ao contágio com HPV (abreviação de Humam Papilloma Virus). Contra esse agente, aliás, uma vacina está em fase de ensaios clínicos. Explique que a doença causa uma série de lesões verrugosas, transmitida facilmente inclusive por meio de roupas e outros itens de uso íntimo. O HPV, por sinal, é a DST mais comum entre a população sexualmente ativa. Pergunte se os adolescentes também vêem perigo no beijo, símbolo do ficar. Sem assustar, explique que o gesto carinhoso pode ser um veículo de transmissão da sífilis.

Conte que há vacina eficaz somente para a hepatite do tipo B. Para as DSTs de origem bacteriana existem os antibióticos, mas é cada vez mais comum o surgimento de cepas dos vírus altamente resistentes ao tratamento. Conduza a discussão de modo que rapazes e moças percebam, sob os mais diversos pontos de vista, que a grande - e única - saída é recorrer aos preservativos quando decidem perder a virgindade.

Cite um bordão popular usado para relacionar jovens e sexo: "eles só pensam naquilo". Será verdade? Vale a pena ressaltar que existe um órgão extremamente importante para a vida sexual, muitas vezes relegado ao segundo plano - o cérebro. Deixe claro que ele é bastante ativo nessa fase, pois ainda está se formando, e fica muito sensível à ação dos hormônios sexuais, elementos produzidos em larga escala pelos jovens. A ebulição acontece porque os centros controladores da emoção e do julgamento passam por uma fase de reconstrução de sinapses nos seus ajustes finais, como se fosse uma calibragem de padrões. Sobre o assunto, o psiquiatra infantil americano Jay Giedd disse que nessa época da vida as pessoas estão escolhendo em que seus cérebros serão bons: distinguir o certo do errado, optar por responsabilidade ou impulsividade; preferir literatura ou games.

Se os estudantes se sentirem dentro de um carro desgovernado por causa das explicações sobre o cérebro e a sexualidade, faça-os pensar sobre as sensações vertiginosas e de prazer que eles vão buscar em montanhas-russas, por exemplo. Assim como o sexo, diversão, prazer e perigo caminham lado a lado. Tudo, no final, é uma questão de química cerebral, mais forte nos jovens do que nos adultos. Estes, por seu turno, também já passaram pelas mesmas dúvidas e descobertas.

Explore os tópicos da pesquisa do quadro abaixo, relativa ao uso da camisinha entre os jovens brasileiros. Peça que alguns alunos leiam em voz alta as informações ali contidas e instigue o restante da classe a comentá-las. Por que há diferenças tão marcantes entre homens e mulheres quando o assunto é proteção? Questão cultural ou egoísmo?

Divida a turma em dois grupos. O primeiro deve se encarregar de pesquisar as características gerais das doenças sexualmente transmissíveis. O segundo vai levantar questões epidemiológicas relativas às doenças e à eficácia das campanhas educativas oficiais. Com base nos dados levantados, oriente a montagem de um pequeno manual de prevenção às DSTs. O material também pode abordar a relação nada saudável entre sexo e álcool. É importante fazer os estudantes entenderem que grande parte dos comportamentos de risco também envolve o consumo de bebidas. Embora seja disseminada a crença de que o álcool age como estimulante, a verdade é que ele é um depressivo. Inclusive da resposta sexual.

Para saber mais

Entre quatro paredes

Há 12 anos, a revista Capricho (ao lado), da Editora Abril, lançou uma campanha inédita no Brasil dirigida aos adolescentes - Camisinha: Tem que Usar. De lá para cá, a publicação não parou de bater nessa tecla. Em 2004, a Unesco realizou o primeiro levantamento oficial acerca da sexualidade dos jovens brasileiros. Foram ouvidos 16.422 estudantes com idade entre 10 e 24 anos, moradores de 13 capitais e do Distrito Federal. A seguir, as principais conclusões do estudo sobre o uso da camisinha.
• É o método contraceptivo mais confiável segundo 47,7% a 71,9% dos rapazes e 47,3% a 68,4% das moças.
• O uso de preservativo masculino é tido como dupla proteção, servindo tanto para evitar a gravidez quanto prevenir DSTs - a aids em particular.
• Em vários depoimentos femininos, observa-se que os garotos assumem a iniciativa pelo uso da camisinha. Isso não ocorre necessariamente pelo cuidado com a parceira, mas pelo medo das DSTs - com ênfase para a aids - e, principalmente, pelo receio de provocar uma gravidez precoce.
• Ignorar a camisinha é uma atitude relacionada, em muitos casos, ao tipo de representação que a pessoa tem do parceiro. Os principais motivos citados para o não uso são: falta do preservativo no momento do ato; transar só com o parceiro em que confia; achar que a camisinha diminui o prazer; e pensar que não corre risco de contrair o vírus da aids.
• Perguntados se usam preservativos habitualmente, 4,8% a 20,2% dos jovens afirmam nunca tê-lo feito. Os índices variam conforme a cidade.
• Muitos jovens, de ambos os sexos, não se sentem vulneráveis e não se consideram possíveis transmissores do HIV.
• De cada 100 pais, entre 60 e 80 recomendam que os filhos usem camisinha.

 

 

Consultoria Ricardo Vieira dos Santos Paiva
Professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, de São Paulo

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