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Como se chama quem nasce em Madagáscar?

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Reportagem de Veja

Objetivos
Revelar a arbitrariedade dos processos de formação de palavras

Introdução
Um inglês, um alemão, um brasileiro, um bielo-russo, um sueco, dois franceses, dois espanhóis e dois marfinenses. Segundo a reportagem de VEJA, a escalação do Arsenal, time de futebol londrino, é uma lição de globalização. E a nacionalidade dos atletas pode render também uma aula sobre adjetivos pátrios. Seus alunos sabem qualificar os nativos de Madagáscar, Mônaco ou Chipre? Quem na classe pode explicar por que o habitante de Salvador, a capital baiana, é chamado de soteropolitano?

Atividades
1ª aula - Antes de sugerir a leitura da revista, reproduza o quadro "Você tem Cinco Minutos..." (abaixo) e distribua as cópias aos estudantes, organizados em grupos. Peça que, sem consultar nenhuma fonte de pesquisa, as equipes procurem escrever numa folha de papel como são denominados os habitantes das nações ali representadas pelas respectivas bandeiras. A tarefa tem enorme probabilidade de se tornar um exercício de mera adivinhação. Ao final, compare os resultados. Houve muitas coincidências ou instaurou-se uma legítima babel na classe?

Comente, em seguida, alguns aspectos inquietantes do tema:

Adjetivos pátrios, de nacionalidade ou gentílicos já são abundantes na própria nomeação. Eles identificam os seres por local nascimento ou residência e os objetos por lugar de surgimento: continentes, países, estados, condados, províncias, cidades, vilarejos etc.

Geralmente, as gramáticas da Língua Portuguesa resolvem os problemas inerentes ao assunto com listas dos adjetivos mais empregados. Ao aprendiz do idioma cabe a tarefa de guardá-las no coração - ou seja, saber de cor.

Conte à turma que esta aula não tem a pretensão de solucionar uma questão que nem mesmo a Academia Brasileira de Letras encarou. Afinal, a entidade dos imortais de fardão prometeu um vocabulário específico sobre nacionalidades e naturalidades nos idos de 1937 e desde então não ocorreu coisa nenhuma nesse sentido. Portanto, não há por que esperar. Por outro lado, a questão se torna ainda mais complexa com o descaso de que é alvo, no ensino da Língua Portuguesa do Brasil, o estudo da etimologia.

Os adjetivos pátrios formam uma classe especial de palavras que tem origem em substantivos e dela nada mais deriva. Talvez essa peculiaridade explique a inexistência de um padrão de terminações. Elas muitas vezes nascem da etimologia toponímica (soteropolitano, por exemplo, vem do grego soterion, que significa salvação, e polis, que quer dizer cidade). Em outras ocasiões, vinculam-se a morfemas indicadores de profissão, independentemente de se reportarem a um estado - caso de mineiro - ou país - brasileiro, que trabalha com pau-brasil.

2ª aula - Agora oriente as equipes a ler a reportagem, extraindo todos os adjetivos pátrios mencionados. Elas devem justificar, por escrito, a formação desses vocábulos. Para facilitar, transcreva no quadro a tabela dos morfemas (abaixo) mais comuns usados nesses casos.

Para você, professor

Estes são os morfemas mais comuns...
... para a formação dos adjetivos pátrios. Apresente-os aos adolescentes

ano - africano, angolano, zimbabuano e pernambucano
ão - afegão, catalão e parmesão
ático- asiático
enho - porto-riquenho, panamenho e malaguenho
ense - porto-alegrense, timorense, amapaense e canadense
ês - guianês, camaronês, cingalês, norueguês, neozelandês e francês
eta - lisboeta
eu - galileu, europeu e judeu
ino - londrino e marroquino
ista - paulista
ita - moscovita e vietnamita
ol - mongol e espanhol

Discuta com os jovens a utilidade da lista como identificadora dos adjetivos e exemplifique o processo de formação dos mesmos, evidenciando:
• a ausência de padrão
• o lexema do nome do lugar, mais um morfema predefinido.

Dito isso, analise a identificação dos adjetivos presentes no texto de VEJA e as justificativas que os grupos encontraram para cada um.

Partindo das palavras russo, guatemalteco e grego, examine como a moçada percebe o vestígio do nome dos locais, acompanhado de uma sufixação não prevista entre os morfemas exibidos na tabela.

Monte pares, trios ou quartetos de possibilidades de adjetivos pátrios e mostre que, nesse contexto, não se fere a lei básica da economia lingüística, mas há sutis diferenças semânticas entre as escolhas que se pode fazer:
• azerbaijano ou azeri (Azerbaijão);
• bengali ou bengalês (Bangladesh);
• chinês ou sínico (China);
• marfinense, ebúrneo, marfinês ou marfiniano (Costa do Marfim);
• estado-unidense, norte-americano ou americano (Estados Unidos);
• javanês ou jau (Java); e
• alasquiano ou alasquense (Alasca).

Cite adjetivos pátrios vinculados a lexemas de outros idiomas e explore essa forma de geração de vocábulos:
• partenopeu (Nápoles);
• hierosolimitano (Jerusalém);
• tedesco (Alemanha); e
• nipônico (Japão).

Solicite razões para que os adjetivos pátrios não indiquem localização geográfica, mas explicitem juízos de valor cultural ou histórico:
• barriga-verde (Santa Catarina);
• manezinho da ilha (Florianópolis);
• papa-jerimum (Natal); e
• polaco (Polônia).

Reflita sobre as adjetivações que independem dos nomes de regiões e traduzem outras marcas sêmicas:
• capixaba (Espírito Santo);
• carioca (Rio de Janeiro);
• gaúcho (Rio Grande do Sul);
• baré (Amazonas);
• potiguar (Rio Grande do Norte); e
• portenho (Buenos Aires).

Quanto aos adjetivos pátrios compostos, esclareça que apenas o último elemento aparece em forma normal. Os antecedentes estão sempre reduzidos ou em formatação erudita:
• afro-europeu (África e Europa); e
• ásio-americano (Ásia e América).

Peça que todos solucionem as seguintes composições e seus inversos:
• Áustria e Bulgária;
• Espanha e Alemanha; e
• Japão e Inglaterra.

Proponha a exploração de tópicos divertidos. Os grupos devem definir a adjetivação para os naturais de:
• Ajuruteua (PA);
• Frederico Westphalen (RS);
• Xaxim (SC); e
• Lagoa da Confusão (TO).

Por fim, aproveitando o artigo de Lya Luft (pág. 22 de VEJA), pergunte como seriam chamados os habitantes da República dos Alucinados.

Consultor Angelo Masson Neto
Professor de Lingüística das FIAM, de São Paulo

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