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Plano de Aula

Biodiversidade marinha

Planeta Sustentável

Conteúdo relacionado

Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Objetivo
Descrever os projetos de pesquisa da biodiversidade marinha

Conteúdos
Biodiversidade, ecologia, zoologia, conservação biológica

Tempo estimado
Três aulas

Introdução
A reportagem "A fronteira final", publicada em VEJA, comenta a expedição do veleiro Tara, que está cruzando os oceanos para fazer um levantamento de microrganismos marinhos. Aproveite a reportagem nas aulas de Biologia. Comece comentando o tema com a turma e discuta a importância política e cientifica dessa expedição. Convide os alunos a pesquisar sobre os ecossistemas marinhos e organize um minissimpósio para discutir perspectivas e ações em relação à preservação da vida nos oceanos.

Desenvolvimento

1ª. aula
Inicie a aula pedindo que a turma leia a reportagem A fronteira final, publicada em VEJA. Chame a atenção dos alunos para o foco principal do texto: o surgimento de uma expedição científica para investigar a diversidade de microrganismos marinhos. Comente com a moçada a saga e o romantismo de diversas expedições que rodaram o mundo com objetivos semelhantes, a maioria delas aportando no Brasil. Alguns exemplos são as expedições Humboldt, Sait-Hilaire, Martius, Bates e Darwin (saiba mais nos links ao final deste plano).

Atividade extra

Como tarefa complementar, sugira que a turma leia o artigo Viajantes-naturalistas no Brasil oitocentista: experiências, relatos e imagem, em que se discute a importância dos viajantes para a história das ciências naturais.

Aprofunde o debate sobre a expedição do veleiro Tara, apresentada na reportagem de VEJA. Explique à turma que os cientistas que participam da viagem pretendem fazer um grande levantamento dos microrganismos marinhos - em especial os fotossintetizantes.

Discuta com a classe as razões do interesse especial por esse grupo seres vivos. Apresente aos estudantes as imagens abaixo e explique que o grupo é constituído basicamente por cianobactérias (Figura 1) e protoctistas fotossintetizantes - organismos popularmente chamados de algas unicelulares ( Figuras 2 e 3).

Biologia
Figura 1: Cianobactéria. Fonte: http://www.microscopy-uk.org.uk/micropolitan/index.html (Nostoc)

 

Biologia
Figura 2: Protoctistas fotossintetizantes (desmídeos). Fonte: http://www.microscopy-uk.org.uk/micropolitan/index.html
Biologia
Figura 3: Protoctistas fotossintetizantes (diatomáceas). Fonte: http://www.microscopy-uk.org.uk/micropolitan/index.html

 

 

 

 

 

 

 

 


Pergunte à turma qual o papel dos fotossintetizantes marinhos - também chamados de fitoplancton - na manutenção do equilíbrio do planeta. Ouça as respostas e conclua com a classe que eles são fundamentais para o sequestro de carbono. Com a ajuda desse grupo de microorganismos, há menos dióxido de carbono livre na atmosfera.

Explique à turma que os pesquisadores do veleiro Tara querem avaliar se houve alterações na biomassa e na diversidade desses organismos nos oceanos - o que implicaria em uma ameaça ao equilíbrio do ciclo de carbono no planeta.

Para ampliar o conhecimento dos alunos sobre o tema, conte a eles da expedição empreendida pelo famoso cientista e empresário Craig Venter. Ele repetiu a rota do Beagle de Charles Darwin em um navio chamado Sorcerer II. Venter estava interessado no que se chama de genômica ambiental. Ou seja, coletar amostras de micro-organismos marinhos relevantes quanto à diversidade genética e estudar os genes que os compõem.

Comente com a turma, também, outra importante exposição finalizada este ano: o Censo da Vida Marinha. Trata-se de um grande esforço científico internacional que envolveu 2,7 mil especialistas de 80 países. Por meio do levantamento, o número de espécies marinhas passou de 230 mil para 250 mil. O censo descobriu 6 mil plantas e animais potencialmente novos, principalmente crustáceos e moluscos, e fez descrições formais de mais de 1,2 mil animais já descobertos. Diga com a moçada que os resultados são importantes, mas os cientistas estimam que ainda existam 750 mil espécies por descobrir, especialmente nas profundezas abissais e em partes do Ártico, Antártida e Pacífico.

Conte aos alunos que, entre as descobertas, estão o caranguejo de garras peludas apresentado na figura abaixo, além de um peixe luminoso que vive nas profundezas escuras, um camarão que era considerado extinto desde o Período Jurássico e uma lula de sete metros de comprimento.

Biologia
Figura 4 Caranguejo Kiwa hirsuta o único representante de uma nova família de crustáceos: Kiwidae. Fonte: http://www.microscopy-uk.org.uk/micropolitan/index.html


Comente com os alunos que o censo ratificou a imensa importância dos crustáceos no ambiente marinho, da mesma forma que os insetos são fundamentais para o ambiente terrestre. Diga à classe que crustáceos como lagostas, camarões e siris lideram o ranking de presenças nos oceanos. Segundo o Censo, eles representam 19% das espécies catalogadas. Moluscos (17%) e peixes (12%, incluindo tubarões) aparecem logo depois. Juntas, as três categorias respondem por quase metade da vida marinha conhecida.

Para finalizar, peça que a classe discuta as consequências práticas destas descobertas. Avalie com os alunos que o estudo permitiu, por exemplo, que os cientistas contabilizassem 8.332 espécies de peixes e mamíferos na área atingida pelo vazamento da petrolífera britânica British Petroleum no Golfo do México, ocorrido este ano.

2ª. aula
Proponha que a turma produza um painel integrativo dos ecossistemas marinhos. Peça que os alunos se dividam em seis grupos. Cada um será responsável por pesquisar uma grande região oceânica, de acordo com a tabela.

Temas para pesquisa

Os três primeiros grupos ficam responsáveis pelos litorais, de acordo com a divisão abaixo. Eles devem traçar um painel do ecossistema em questão, mostrando os grupos organismos chave e seu papel nestes ambientes.

1 - Regiões estuarinas e mangues
2 - Recifes de coral
3 - Praias arenosas e costões rochosos

Os três outros grupos vão pesquisar os oceanos abertos, de acordo com os temas abaixo.

4 - Área pelágica de superfície. Focar nos organismo da área fótica, área sob influencia direta da luz solar.
5 - Região pelágica de escuridão, ou região afótica. Buscar a fauna de peixes e outros seres abissais, que vivem da chuva de matéria orgânica vinda da região fótica.
6 - Região abissal das imensas planícies que dominam o fundo do mar, as chamadas fossas oceânicas. Descrever a notável comunidade de organismos que se formam em torno dos pequenos vulcões e fontes hidrotermais que ocorrem nas regiões de tectonismo.

Explique que cada grupo deve fazer um levantamento dos organismos que vivem nestes ambientes e o papel ecológico deles. Antes de começar a pesquisa, organize uma discussão sobre a relação entre os diferentes ambientes marinhos. Mostre aos alunos que a produtividade biológica de cada um depende dos outros.

3ª. aula
Na última aula, organize um minissimpósio sobre a conservação dos ecossistemas e recursos marinhos. Inicie a atividade propondo uma descrição dos ambientes pesquisados por cada grupo. Em seguida, peça que relacionem os problemas encontrados em cada um. Discuta os resultados das pesquisas coletivamente e peça que os alunos produzam uma lista sintética de medidas fundamentais para a conservação da biodiversidade dos ambientes marinhos.

Cite alguns exemplos para ajudar na preparação da lista. Comente a grande atividade pesqueira, que deve obedecer a critérios de sustentabilidade. Enfatize que as espécies em risco devem ter a sua pesca proibida até que as populações se restabeleçam. As regiões estuarinas e de mangue por serem criadouros naturais para diversas espécies merecem uma legislação específica que as preserve da especulação imobiliária. Finalmente a exploração de petróleo em oceano deve observar e os riscos de vazamento e, caso o problema ocorra, precisam se envolver diretamente na recuperação dos ambientes degradados. As ações de proteção ambiental devem ser acompanhadas de justificativas com base nos dados obtidos das pesquisas.

Avaliação
Vários momentos podem ser objetos da avaliação. A pesquisa sobre a biodiversidade de cada ambiente pode ser avaliada pontualmente. Um relatório sobre a discussão no final da segunda aula a respeito da integração dos ecossistemas pode ser cobrado após a aula. Finalmente, uma lista de medidas de proteção dos ambientes marinhos pode ser feita coletivamente por meio de uma ferramenta da internet tipo "wiki". A avaliação é feita conforme as contribuições de cada grupo ao site.

Consultoria Ricardo Paiva
professor de Biologia do Colégio Santa Cruz, em São Paulo

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