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Plano de Aula

Padrões de beleza na sociedade de consumo

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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:

Conteúdos
Sociedade de consumo, padrões de beleza, feminilidade e estética

Habilidade
Discutir criticamente, a partir de exemplos concretos da sociedade de consumo atual, as formas de divulgação de padrões de beleza feminina e como cultura e consumo confundem-se na sociedade contemporânea.

Tempo estimado
Duas aulas

"Ela ainda dá o que falar", anuncia a reportagem de VEJA sobre a boneca Barbie, imortalizada como padrão feminino. E como! Além de um dos brinquedos mais populares desde sua criação, Barbie transformou-se em ícone cultural. Isso ocorreu não somente por conta do enorme sucesso que a boneca teve como objeto de desejo de meninas e adolescentes nas mais diversas culturas. Deve-se também, às intensas críticas que sofre, pelo menos desde que as feministas a elegeram como um de seus alvos. Nas aulas a seguir, discuta primeiro com a galera como produtos e mercadorias podem conter, de forma explícita ou não, padrões de beleza e comportamento aos quais buscamos nos adequar. Na segunda parte, ajude os alunos a compreender, a partir de teorias atuais, o que esses processos significam para a cultura e a sociedade. Será que somos escravos do consumo, repetindo o que a mídia e a moda ditam?

Atividades
1ª aula - Discuta com a moçada a relação que eles têm com a boneca Barbie, de um ponto de vista mais pessoal. Pergunte às meninas, por exemplo, quem possui a boneca, ou quem já teve quando era mais nova. Faça com que elas contem para o resto da turma se, de fato, ela era um dos brinquedos favoritos. As meninas que tiveram a boneca gostavam dela por quê? Quem não teve, tinha vontade de ter? Elas buscavam copiar o visual da Barbie? Acham que ser loira e ter cintura fina é bonito? E o que os meninos têm a dizer sobre isso?

O que deve aparecer aqui é um pouco das atitudes das garotas a respeito da sua relação com o brinquedo, que podem confirmar ou não a idéia de que a boneca é um modelo de estética e beleza para a moçada. Faça o contraponto com concorrentes da americana. Por que será que não alcançam o mesmo sucesso da boneca da Mattel?

Relembre um pouco da história da Barbie. Como VEJA revela, ela nasceu em 1959, inspirada numa boneca alemã e não demorou a tornar-se mundialmente popular, só recentemente se vendo ameaçada pela marca Bratz, nos EUA. A boneca vem sendo criticada desde seu surgimento por diversos motivos, principalmente por promover uma imagem corporal pouco realista para as meninas. A medida da sua cintura, por exemplo, é excessivamente fina, tendo sido finalmente alargada em 1997. A pele clara e os cabelos loiros também deram origem a muitos protestos, por promover um tipo étnico amplamente minoritário. Esclareça que já nos anos 1960 bonecas de pele negra foram lançadas no mercado, como a Francie, em 1967. A Barbie, no entanto, só ganhou versões negras e hispânicas vinte anos depois. Essas bonecas nunca obtiveram o mesmo sucesso da sua similar loira. No Brasil, da mesma forma, o modelo original ainda é o mais popular, para alegria da indústria de tintura para cabelos.

Discuta com os estudantes sobre as diferentes versões étnicas do brinquedo. Será que as loiras são populares porque as meninas querem ser loiras? Ou querem ser loiras por causa das bonecas? As garotas que não têm tipo físico semelhante se frustram? O que a garotada acha de alternativas como Fulla, lançada em países árabes para ser adequar aos padrões do islamismo? As bonecas deveriam adequar-se aos costumes de cada região? Isso ajudaria a diminuir o preconceito e a discriminação contra pessoas de outras etnias? 

O lançamento da Barbie negra e da Barbie hispânica nos anos 1980 foi politicamente correto, mas a loiríssima original não precisou fazer nenhuma ginástica para manter-se no topo das vendas
O lançamento da Barbie negra e da Barbie hispânica nos anos 1980 foi politicamente correto, mas 
a loiríssima original não precisou fazer nenhuma ginástica para manter-se no topo das vendas

2ª aula - Examine com a classe alguns conceitos importantes para a compreensão de questões como os padrões estéticos atuais e a cultura de consumo. Discuta com eles a idéia de reflexividade, proposta pelo sociólogo inglês Anthony Giddens. Segundo esse conceito, a sociedade atual leva as pessoas a, cada vez mais, terem que fazer escolhas constantes a partir de um número grande de referências, que se multiplicam. Ideais de beleza, por exemplo, vindas das mais diversas fontes (discursos de saúde, bonecas - como a Barbie -, programas de TV, musas de carnaval e atrizes de cinema), oferecem às mulheres uma ampla gama de modelos de corpo e moda, levando a uma incerteza a respeito do que seria um padrão adequado. Isso significa que, longe de configurar um padrão único, a Barbie seria apenas mais uma referência disponível, competindo pela atenção do cidadão/consumidor.

Outra idéia de Giddens é a de que o corpo torna-se, nesse contexto, fonte cada vez mais importante da identidade de um sujeito. Ou seja, o corpo da Barbie chama tanta atenção por que somos, atualmente, cada vez mais preocupados com a própria aparência, o que aumenta a importância de cuidar do corpo na nossa cultura. Isso leva à malhação, às tatuagens, a cortes, recortes e implantes de cabelo, cirurgias plásticas etc. Pamela Anderson, citada por VEJA, torna-se padrão de beleza a partir dos seios aumentados artificialmente. Como ela, muitas mulheres no Brasil e no mundo alteram seios, nádegas e outras partes do corpo para adequar-se a padrões estéticos. Provoque: isso não é apenas uma preocupação superficial com a aparência, mas determina também as identidades e as formas de relacionamento atuais.

Conduza o debate lembrando que esses padrões mudam de acordo com a época ou a moda. Bonecas como a Barbie, além de ditar tendências, também se adequam a elas. Tais tendências referem-se não somente às roupas, como nos explica o antropólogo Mike Featherstone, mas também às formas do corpo. Os conflitos em torno da cintura de Barbie, por exemplo, são relacionados aos conflitos em torno de como devemos regular nossos corpos numa sociedade obcecada com a forma física, beleza e cirurgias estéticas. Barbie já foi citada como exemplo dessa obsessão, e feministas pensaram que problemas como anorexia nervosa (quando a pessoa deixa de comer) ou bulimia (quando vomita a comida ingerida) estão relacionadas a tais referências de beleza feminina irreais que a mídia populariza - como é discutido pela autora feminista Susan Bordo. Para finalizar, peça que os jovens se posicionem sobre os modelos de beleza, especialmente os femininos. Mostre que, mesmo com a grande diversidade de referências disponíveis, elas ainda são mais cobradas pela aparência física do que os homens. Encerre mostrando que a Barbie, enquanto ícone, reflete essa obsessão com a aparência, que por vezes pode tornar-se um fardo opressor para as mulheres.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Cultura de Consumo e Pós-modernismo, Mike Featherstone, Studio Novel, tel: (11) 3706-1466
A Transformação da Intimidade, Anthony Giddens, UNESP, tel: (11) 3242-7171
Unbearabe Weight: Feminism, Western Culture and the Body, Susan Bordo, Berkeley: University of California Press, tel: 1-800-777-4726

Aula sugerida por Marko Monteiro
Antropólogo e pesquisador associado ao Renanosoma/Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP

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