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Plano de Aula

Analise com seus alunos a vida e o tempo de Joaquim Nabuco

Planeta Sustentável

Objetivos
Estudar o II Império a partir dos escritos e da vida de Joaquim Nabuco

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Reportagem da Veja:

Introdução
Já não se fazem estadistas como antigamente. Hoje, um gigante intelectual como Joaquim Nabuco talvez freqüentasse as manchetes dos jornais não tanto por sua fervorosa militância abolicionista, mas devido a suas notórias aventuras galantes. Esses pecados menores estão entre os aspectos revelados pela resenha sobre o lançamento dos Diários do autor de O Abolicionismo, clássico do pensamento político brasileiro. Mas o texto de VEJA vai mais longe, focalizando a formação e o amadurecimento das idéias de um homem público que se tornou um dos mais articulados analistas de seu tempo. Use a resenha como ponto de partida para examinar com a turma o perfil de Joaquim Nabuco e a sociedade que ele ajudou a transformar.

Atividades
Providencie cópias do quadro "O tribuno da Abolição" (abaixo), e distribua entre os alunos.
 

O tribuno da Abolição

Da tribuna da Câmara, Joaquim Nabuco denunciava incansavelmente a escravidão: moralmente, "é a destruição de todos os princípios e fundamentos da moralidade religiosa ou positiva (...); politicamente, é o servilismo, a degradação do povo, a doença do funcionalismo (...); econômica e socialmente, é o bem-estar transitório de uma classe única, (...) a eliminação do capital produzido pela compra de escravos, a paralisação de cada energia individual para o trabalho na população nacional, o fechamento de nossos portos aos imigrantes que buscam a América do Sul, (...) a desmoralização da autoridade, desde a mais alta até a mais baixa".

 


Proponha a leitura e analise: de que modo os escravos são mencionados no texto? Como atores políticos justificados em suas tentativas de rebelião ou como vítimas de um estado de coisas que também atingia os não-escravos? É importante a turma perceber que Nabuco se dirigia basicamente às camadas médias e às elites, tentando convencê-las dos males do sistema escravista, e pretendia concentrar a campanha no Parlamento. Essa postura era bem menos radical que a de outros abolicionistas, em sua maioria republicanos, organizadores de fugas em massa de cativos. Instigue o debate: a moderação de Joaquim Nabuco pode ser atribuída a suas convicções monarquistas e a seu status de integrante da elite? Lembre que ele era filho do senador José Tomás Nabuco de Araújo, que imortalizou em Um Estadista do Império, misto de biografia e obra política.

O abolicionista Joaquim Nabuco inflama as massas com sua oratória: ilustração de Angelo Agostini, também contrário à escravidão. Joaquim Nabuco Falando ao Povo, de Ângelo Agostini
O abolicionista Joaquim Nabuco inflama as massas com
sua oratória: ilustração de Angelo Agostini, também contrário
à escravidão

Você pode propor à turma a montagem de painéis sobre a trajetória de Joaquim Nabuco e os principais dilemas de seu tempo. Um grupo cuidaria, por exemplo, de episódios da vida e da obra do parlamentar, outro focalizaria a política interna do Segundo Império, com destaque para as disputas eleitorais e a campanha abolicionista, e um terceiro abordaria a Guerra do Paraguai (1864-1870) e outros aspectos da política externa do governo imperial.

 

Terríveis castigos infligidos aos escravos pelos feitores: o traço do desenhista coloca-se a serviço da militância política. Escravos no Tronco, de Ângelo Agostini
Terríveis castigos infligidos aos escravos pelos feitores:
o traço do desenhista coloca-se a serviço da militância política

O texto de VEJA informa que Nabuco defendia a implantação do modelo parlamentarista britânico no Brasil. Em que aspectos esse regime de governo se diferenciava do vigente no país? Encomende pesquisas sobre essa questão. Os estudantes vão verificar que vivíamos um "parlamentarismo às avessas", pelo qual o Imperador tinha mais poderes que seu Gabinete de Ministros. Sugira também a análise do jogo político do Segundo Império. De acordo com a imprensa da época, Liberais e Conservadores eram "farinha do mesmo saco", na medida em que ambos recorriam a fraudes eleitorais e estavam dispostos a conservar a elitização do poder, os latifúndios e a escravidão.

De que modo caricaturistas e fotógrafos registravam a situação política e social do Brasil na segunda metade do século XIX? Peça pesquisas e discussões sobre esse tema, com base nas imagens reproduzidas nesta aula.

Ilustração de O Cabrião, semanário paulistano publicado em 1866-1867: a compra de votos fazia com que Liberais e Conservadores fossem considerados
Ilustração de O Cabrião, semanário paulistano publicado
em 1866-1867: a compra de votos fazia com que Liberais
e Conservadores fossem considerados "farinha do mesmo saco"

Chame a atenção para as duas ilustrações acima, criadas pelo militante abolicionista Angelo Agostini. Ele apresenta o parlamentar liberal Joaquim Nabuco como um vibrante orador e também enfatiza os terríveis castigos infligidos aos escravos. Essas imagens são representativas do final do Segundo Império? Explique aos alunos que a ilustração sobre o "bazar eleitoral" (acima) está provavelmente mais próxima da realidade. Ou seja, diante da venda de votos nas eleições, a mobilização popular pelas causas políticas não devia ser muito acentuada. Do mesmo modo, a tortura do escravo - um bem valioso - talvez fosse bem menos praticada na década de 1880. Os negros livres, tais como os fotografados por Militão de Azevedo (no alto), já eram numerosos antes do fim da escravidão.

Veja também:

Bibliografia
O Abolicionismo
, Joaquim Nabuco, Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000
Um Estadista do Império, Joaquim Nabuco, Topbooks, tel. (21) 2233-8718

 

Consultoria Ricardo Barros
Professor de História do Colégio Paulista e coordenador da Escola Estadual Rodrigues Alves, em São Paulo

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