Conteúdo relacionado
Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
Conteúdos
Mudanças climáticas, meio ambiente, África subsaariana e fome
Habilildades
Analisar dados e indicadores a respeito de mudanças climáticas e avaliar prognósticos em regiões do continente africano
Tempo estimado
Duas aulas
VEJA traz os resultados de pesquisas feitas por cientistas das universidades do Texas e do Arizona sobre os climas do passado na África Subsaariana, com projeções de períodos de secas prolongadas na região num futuro próximo. Trata-se de mais uma contribuição ao debate sobre o aquecimento global e às mudanças climáticas e a seus prováveis efeitos, num cenário ainda de muitas incertezas e poucas conclusões definitivas. Os prognósticos dos pesquisadores norte-americanos são preocupantes, em especial por ser tratar de uma região com inúmeros problemas sociais e econômicos. A África subsaariana é constituída por um conjunto enorme e diferenciado de quase 50 países situados ao sul do deserto do Saara, na porção centro-sul do continente (veja o Quadro 1 abaixo). Com pouco mais de 10% da população mundial, na região combinam-se situações de extrema pobreza - grandes contingentes vivem ali com menos de 1 dólar por dia e a região abriga 60% dos soropositivos do planeta - com uma rica diversidade natural e sociocultural. No extremo sul, está uma potência regional emergente, a África do Sul, que aos poucos vai conquistando uma cadeira cativa nos rumos econômicos mundiais. Convide os estudantes para construir um painel sobre o tema e avaliar perspectivas.
Para seus alunos Quadro 1 - A África Subsaariana

Ilustração: Robles/Pingado
Atividades
1ª aula - Após a leitura da reportagem, sugira uma consulta ao atlas geográfico para caracterizar a África subsaariana em seus traços físicos e político-econômicos. Peça que levantem dados também sobre as mudanças climáticas no continente em escalas de tempo geológico. Em seguida, lance algumas questões para orientar o debate: quais são as previsões colocadas na mesa sobre mudanças climáticas e aquecimento global? Como elas poderiam afetar o continente africano, em especial a porção destacada na reportagem? Como enfrentar prevenir os prováveis efeitos na região, caso eles ocorram?
Converse com a turma sobre dados e indicadores relativos a mudanças climáticas. Segundo o 4º Relatório de Avaliação IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), divulgados em 2007, houve aumento de 0,74% na temperatura média global no último século. Registros e medições indicam também que ¾ desse incremento deu-se nas últimas três décadas e, de 1995 para cá, o mundo conheceu 11 dos 12 anos mais quentes desde que começaram as medições. Os cientistas reunidos no IPCC são categóricos em afirmar que o aquecimento do sistema climático é inequívoco. Atribuem também esse aquecimento ao avassalador enriquecimento da atmosfera por gases-estufa. A queima de combustíveis fósseis tem gerado a emissão de cerca de 6 bilhões de toneladas de CO² a cada ano.
Aqui começam as divergências, pois há pesquisadores que defendem que as mudanças climáticas significativas dependem de causas naturais, como alterações na emissão de raios solares e na órbita da Terra, entre outros. As discordâncias também são grandes quanto aos prováveis efeitos do aquecimento antrópico (causado pela ação do homem). Por exemplo, vários pesquisadores apontam para o risco de savanização de florestas úmidas, como as da África central. Outros, como o professor Aziz AbSaber, conhecido geomorfólogo brasileiro, apontam que, para o caso do Brasil, poderá haver expansão das coberturas vegetais associadas a climas úmidos, em virtude do alargamento e avanço da corrente marítima tropical sul-brasileira, arrastando umidade para o continente.
Há outros indícios que não devem ser desconsiderados nesse debate, como as fortes ondas de calor no verão europeu e a força de tufões e furacões em regiões tradicionalmente afetadas por estes episódios, caso do Mar do Caribe e do Golfo do México.
O eventual aumento de temperatura e mudanças no regime de chuvas pode também provocar o desequilíbrio de ecossistemas, pois algumas espécies de plantas e animais poderiam não resistir às alterações. Cientistas ligados ao IPCC, como Isaac Held, apontam também para o risco de aumentar a umidade em áreas já úmidas e de ocorrerem períodos mais severos e longos de seca em áreas já marcadas por estiagens. Isso, com efeito, faz voltar os olhos para regiões como a do Sahel, estreita faixa ao sul do Saara, onde as atividades agrícolas - sinônimo de abastecimento alimentar - dependem das precipitações pluviais. Estima-se que somente 6% das culturas agrícolas no continente africano são irrigadas.
Pesquisas arqueológicas feitas por cientistas da National Geographic revelam também que as chuvas sazonais da África central desviaram-se mais para o norte, há cerca de 12 mil anos, atingindo o deserto do Saara e trazendo precipitações do Egito à Mauritânia. Objetos, ferramentas e ossadas de animais, além dos leitos fluviais encontrados em áreas que hoje estão sob a areia do deserto, comprovam o período mais úmido, que foi gradativamente recuando até o contorno atual (ver o Quadro 2).
Para seus alunos Quadro 2 - Mudanças na cobertura vegetal na África Ocidental e Saara
Ilustração: Robles/Pingado
Estudos de polens mostram que campos e áreas de floresta prosperaram em diversos momentos no Saara. Oscilações climáticas contribuíram para afastar as precipitações mais ao norte.
Fonte: Instituto de Geografia da Universidade de Würzburg
2ª aula - Proponha aos estudantes a elaboração de um painel sobre a constituição da África subsaariana do ponto de vista natural e econômico-social, assim como as medidas e políticas que podem ser empregadas, algo que também é da responsabilidade da comunidade internacional (sempre é bom lembrar da pilhagem neo-colonialista do continente). Eles deverão levar em conta que muitos países africanos ainda precisam se preparar minimamente para enfrentar períodos de maior adversidade climática. A África subsaariana não é totalmente desprovida de recursos hídricos. A principal questão reside mesmo no acesso ao recurso.
Mesmo em áreas mais secas, como a do Sahel, vários países e populações são atendidos por rios de grande volume dágua, como o Niger, do Mali à Nigéria, onde está o seu delta. Mas os países da região não dispõem ainda de infraestrutura de saneamento básico e de abastecimento de água potável para atender suas populações, ou de recursos para proteger os mananciais. Assim, boa parte dessa água vai para o oceano sem ser aproveitada para consumo humano, agricultura e outros usos. Cerca de 20 países da região estão na lista dos que apresentam grande estresse hídrico.
Mais ao sul, a bacia do rio Congo irriga vasta porção da África equatorial e é densamente recoberta pela floresta tropical, sendo limitada por cinturões de savanas. Aqui, o desafio maior é conter o desmatamento e preservar as formas de vida que garantem o equilíbrio ecológico dos ecossistemas. Mais ao sul, a bacia do rio Okavango abastece muitos países, mas hoje é palco de disputas entre a Namíbia, Angola e Botsuana, especialmente em função de projetos do primeiro de desviar parte das águas do rio principal para as áreas desérticas situadas em seu território.
Organize o debate sobre os resultados e, de acordo com os interesses da turma, proponha uma exposição dos trabalhos na escola.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
Mudanças climáticas. Revista National Geographic Brasil (Edição especial)
Aula sugerida pelo geógrafo Roberto Giansanti
Autor de livros didáticos