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Creche com turno noturno

Instituição aberta até as 11 horas da noite enfrenta o desafio de levar qualidade ao horário estendido

Rodrigo Ratier, de Curitiba, PR

Foto: Victor Malta
AINDA É CEDO  Às 8 e 15 da noite, a turma de pré-escola canta e dança em roda

O relógio marca 8 e 15 da noite e os pequenos da turma de pré-escola do CMEI Vila Parolin estão animadíssimos. Reunidos em roda, cantam e seguem a coreografia criada coletivamente. Quinze minutos depois, já aconchegados num cantinho, ouvem com atenção a professora Janicler Delmar Neves Alves ler a obra Tudo Bem! Ou Não?, de Tatiana Belinky. No recinto dos menorzinhos, o entusiasmo é o mesmo: bebês de até 2 anos exploram diversos materiais artísticos: tinta, isopor e papelão (incluindo - para o desespero das educadoras - tentativas de degustação acidental das "obras"). É verdade que, de quando em quando, se ouve um bocejo de criança (se alguma delas dormir, o sono na sala ao lado estará garantido). Mas a maioria está com as baterias carregadas para seguir com a rotina de atividades até o momento da saída, às 11 da noite.

O centro Vila Parolin é um dos quatro de Curitiba com turno noturno, das 2 da tarde às 11 da noite. São, ao todo, 30 crianças atendidas à noite. Outras 18 estão na fila de espera. Pelos dados mais recentes do Ministério da Educação (MEC), apenas 655 crianças - 0,01% do total de matriculados na Educação Infantil - estudam no turno noturno.

Inicialmente o horário especial foi criado para contemplar o grande número de catadores de papéis que moravam nas redondezas - por rodar o dia inteiro com seus carrinhos, eles só podiam buscar as crianças noite adentro. Hoje, porém, a clientela é mais diversificada: predominam filhos de trabalhadores noturnos (de balconistas a seguranças) e de mães adolescentes. "Muitas jovens podem continuar estudando graças ao atendimento da creche", comemora a diretora, Vera Lucia de Oliveira Aleixo.

Para ficar aberta de 7 da manhã às 11 da noite, a creche conta com dois times de funcionários e educadores, que cumprem jornadas de oito horas cada um. Durante o dia, a meninada fica dividida em cinco turmas distintas, de acordo com a faixa etária. O período mais complicado vai das 2 às 6 da tarde, quando os dois turnos se sobrepõem. Conforme vão chegando, os matriculados no noturno vão sendo alocados em uma das cinco salas. Nessa hora, a classe mais lotada, a de 3 e 4 anos, fica com 34 crianças. Às 6 da tarde, é hora de nova organização: as cinco turmas viram duas - berçário e pré-escola, com dois educadores em cada uma - e seguem assim até o fim da noite.

A experiência de oferecer Educação Infantil noturna exigiu algumas mudanças. Por causa das condições climáticas (Curitiba é a capital mais fria do Brasil), as áreas externas só são usadas no verão. E a hora da sesta, o descanso após o almoço, ocorre um pouco mais tarde: a partir das 5 e meia para que os pequenos permaneçam despertos até a hora em que os pais chegam. "A princípio, atrasar esse repouso não traz danos", afirma Fernando Louzada, pesquisador na área de cronobiologia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O problema, segundo ele, é se as crianças continuarem acordando cedo e não dormirem de dez a 13 horas, período considerado adequado para a faixa etária de 2 a 5 anos. "É preciso ficar atento para evitar a privação do sono, que provoca alterações de humor e comportamento." Os educadores da creche fazem coro para a recomendação do especialista e a repetem como conselho aos pais.

Adaptar o relógio biológico dos pequenos não foi o maior desafio dos profissionais da Vila Parolin, e sim superar a visão assistencialista associada a esse tipo de serviço. "Muitos pais e até alguns professores achavam que já estava bom se a criança ficasse aqui à noite apenas para jantar, brincar e assistir TV. Mas nossa função vai muito além do cuidado", explica Vera. O salto de qualidade veio há dois anos com a contratação de uma pedagoga para orientar o trabalho dos professores no turno noturno. "Hoje, a rotina abrange atividades para desenvolver as múltiplas capacidades dos pequenos." A ideia é que eles possam começar a explorar o mundo, adquirir os primeiros conhecimentos e, claro, viver experiências prazerosas. Em outras palavras, que tenham uma Educação Infantil de qualidade - mesmo quando o Sol se põe.

Quer saber mais?

CONTATO
CMEI Vila Parolin, tel. (41) 3332-8687

maria de fátima pereira da silva - Postado em 05/12/2011 21:58:50

Tomara que essa boa iniciativa também seja adotada em outras instituições. Um dos maiores problemas para mães trabalhadoras de turnos, é conseguir pagar um lugar e uma pessoa responsável para cuidar de seus filhos. A Escola está enxergando sua função social além dos seus muros, em outros turnos, gerando oportunidades de trabalho e renda. Sucesso!

luciana matias dos santos - Postado em 06/11/2011 12:19:07

sou professora a mais de 17 anos, e percebo que a importancia da escola esta sendo deturpada pelos interesses de uma sociedade que esta delegando a função de ser pais as escolas e creches do nosso Pais. Onde fica a afetividade dos genitores? estamos retrocedendo ao periodo medieval , onde a função de criar os filhos era de todos , acordem pais , estao perdendo o direito de serem pais e mais que isso aceitando, nao é a toa que nossas crianças estao com seus destinos escritos , basta olhar as estatisticas de violencia em nosso Pais ,por mais que nos esforcemos para proprcionar conhecimento e aprendizado para as crianças existe um sentimento que infelizmente nao nos competem "O AMOR MATERNO E PATERNO" base de uma construção moral e etica na formação humana. assumam seus papeis de pais . Lugar de crianças são ao lado de seus pais do contrario os evite-os se nao podem cria-los.

Michele Reis - Postado em 27/05/2011 20:42:36

Desculpe a demora ela fica na cidade de São José do Rio Preto - SP na Rua José de Alencar, nº 4625 o tel: é (17)32222053. Estou a disposição.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 235, Setembro 2010, com o título Turno noturno

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