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Novos ares: o que aprender com o vento

Mesmo sendo invisível, o vento desperta muitas possibilidades de exploração, movimentação e aprendizagem para os pequenos

Luís Souza

Foto: Paulo Wolfgang
PARA O ALTO E AVANTE A turma da pré-escola da rede municipal de Cambira brinca com o vento empinando pipas. Foto: Paulo Wolfgang

Os dias quentes de verão são sempre um convite para levar a turma ao parque. Mas não é só porque o vento é refrescante que atividades ao ar livre devem ser propostas. Ele, por si só, é um instrumento que estimula os pequenos a se movimentar, entrar em contato com os fenômenos da natureza e explorar sentidos, como o tato e a visão.

Brincadeiras e brinquedos simples, como bolhas de sabão, cata-ventos, pipas e aviões de papel, são ótimos para desafiar as crianças a usar o vento a favor dos próprios movimentos. "Quem brinca é sempre o corpo. Os brinquedos só o ajudam a brincar", explica a pesquisadora Renata Meirelles, autora do livro Giramundo e Outros Brinquedos e Brincadeiras dos Meninos do Brasil. Empinar pipas, por exemplo, exige o aprimoramento da coordenação motora, além de promover um olhar apurado sobre o movimento.

Em Cambira, a 382 quilômetros de Curitiba, as turmas da pré-escola de toda a rede municipal foram convidadas a montar e brincar com pipas. "A ideia era fazer as crianças perceberem a influência do vento e ter um contato inicial com as formas geométricas criadas durante a montagem dos brinquedos", diz Dóris Lucas Moya, mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), secretária municipal de Educação e responsável pelo projeto.

De acordo com Silvana Augusto, formadora do Instituto Avisa Lá e professora do Instituto Superior de Ensino Vera Cruz, ambos em São Paulo, ao abordar esse elemento da natureza, vale também levar as crianças a tomar consciência da relação que os seres humanos estabelecem com ele. "O vento é útil para quê?", "Que sensação provoca nos dias de frio?", "É possível criar vento?" e "Como percebemos que ele existe mesmo não conseguindo vê-lo?" são algumas das questões que podem ser lançadas para levá-las à reflexão (leia a sequência didática). "Agindo assim, o educador põe em prática uma ideia de Jean Piaget (1896-1980), que diz que o conhecimento se funda na ação e as crianças devem se relacionar com o mundo levantando hipóteses", diz ela.

Por fim, segundo explica Anibal Figueiredo Neto, mestre em ensino de Ciências e coordenador do Atelier de Brinquedos Científicos, interagir com o vento é um jeito interessante de ajudar as crianças a começar a pensar nas relações entre causa e efeito. "Elas não precisam saber explicar o porquê de todas as coisas quando estão na Educação Infantil, mas é importante que questionem sempre e percebam que uma provoca outra, como no caso do sopro que movimenta um barquinho de papel na água", afirma.

Quer saber mais?

CONTATOS
Anibal Figueiredo Neto
Renata Meirelles
Secretaria Municipal de Educação de Cambira
Silvana Augusto

BIBLIOGRAFIA
Giramundo e Outros Brinquedos e Brincadeiras dos Meninos do Brasil
, Renata Meirelles, 208 págs., Ed. Terceiro Nome, tel. (11) 3816-0333, 63 reais

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 229, Janeiro/Fevereiro 2010,
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