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Atividades sob medida

Calcular o tamanho de objetos e a altura dos colegas é um ótimo meio de aprender a camparar grandezas e compreender como elas são usadas no dia-a-dia

Thiago Minami

Com barbante, garoto mede a colega e registra o resultado num cartaz: estratégica para descobrir se ela é alta ou baixa. Foto: Alexis Prappas

Aos 5 anos, os pequenos já sabem que medir é uma ação comum entre os adultos.Na classe da professora Sueli Pereira Lima, na EM Professora Ione Catarina Gianotti Igydio, em Campo Grande,a garotada dizia que "é o que a minha mãe faz com as roupas" ou "é ver o tamanho das vigas na construção". Partindo disso, ela programou atividades práticas para trabalhar grandezas e medidas. Para começar, foi lançado um desafio: qual o tamanho do estojo? As palavras "grande"e "pequeno"logo se revelaram insuficientes como respostas, pois nem sempre havia consenso sobre seu significado. Para resolver o impasse, Sueli sugeriu verificar quantas vezes a palma da mão cabia na superfície do objeto. Todos se viram diante de um novo problema: medir pela largura, pela altura ou pelo comprimento? A classe decidiu estabelecer como parâmetro o lado mais comprido do objeto."Usando algarismos, cada um registrou o resultado, que depois foi colocado num quadro comparativo", conta a professora. O passo seguinte foi organizar esses dados e descobrir qual o estojo maior e o menor. O procedimento foi repetido usando lápis em vez da mão.Os números mudaram, mas a ordem na comparação permaneceu.Assim,a criançada aprendeu que o instrumento varia, mas o tamanho não."Num trabalho desse tipo, o importante é padronizar a unidade de medida e questionar qual é a mais apropriada para aquela medição", orienta Silvia Marina Guedes dos Reis, autora de livros sobre o tema.Em classe,Sueli ainda estimulou o interesse da garotada comparando a altura de cada criança com pedaços de barbante.Após medirem uns aos outros, todos organizaram os valores no quadro. "Com desafios desse tipo, o professor ensina que certas características - como a altura - são inerentes, enquanto saber quem é alto ou baixo depende de estabelecer relações", diz Silvia.

Unidades de medida

É na Educação Infantil que a garotada aprende que medir significa comparar grandezas.Quando esse conteúdo é bem trabalhado, o rendimento no Ensino Fundamental melhora - afinal, a medição está diretamente ligada não só à geometria e à estatística mas também a outras disciplinas."Nas Ciências da Natureza, medir é essencial. Nas Humanas, usamos escalas e,especialmente, medidas de tempo. E nas Artes há as noções de proporcionalidade", explica Kátia Smole, consultora de Matemática. Isso sem falar nos usos cotidianos, como em receitas culinárias e na aplicação de medicamentos. Além das medidas não convencionais,como lápis e barbantes,grupos de 5 anos já estão prontos para entrar em contato com metros e quilos." Para fazer isso,é possível perguntar, por exemplo, se dá para ir à loja de tecidos e pedir um pedaço de pano do tamanho de 'três palmos da Maria'", afirma Luziete Amarilha, diretora de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande. As crianças rapidamente descobrem que a padronização foi criada para facilitar a vida. "E isso é fácil de fazer com instrumentos como fita métrica, trena e régua. Descrevo as partes, a função e conto um pouco da história. Quase todos já viram alguém usando", diz Sueli. Para aproveitar a curiosidade sobre o material, ela pede uma nova medição da altura. Cabe às crianças escolher entre a régua, a fita e a trena.Maior e mais maleável, a fita logo vence a disputa. Nessa hora, não importa ensinar as relações entre as unidades (que 1 metro vale 100 centímetros, por exemplo). O que vale é o contato direto com as medidas convencionais."Uma dica é conhecer as unidades usadas na região e não se ater às gerais.Numa escola rural, por exemplo, muitos são filhos de lavradores e falam em acres e hectares, que não significam nada na zona urbana", afirma Priscila Monteiro, educadora do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária (Cedac), em São Paulo. Depois disso, o ideal é voltar a oferecer situações em que os conceitos sejam aplicados."Tive um menino que, após as aulas, aprendeu a montar um campo de futebol com as proporções corretas usando o passo para medir", lembra Sueli. Para a consultora Katia Smole, é fundamental que as crianças compreendam o que pode ser medido: massa, altura, capacidade etc. Quanto mais grandezas forem comparadas, melhor o repertório adquirido. A professora Sueli trabalhou com unidades de tempo, como dia, mês e ano, partindo de uma questão simples: quantos meses faltam para as férias? Como ninguém sabia responder, ela pendurou um calendário na parede e explicou seu significado. Quando todos ficaram craques em consultar as datas, Sueli lançou um novo desafio: fazer o próprio calendário.

Salto em distância

Para trabalhar unidades como metro e centímetro, organize uma competição de salto em distância. Cada criança salta três vezes. Com barbante, um colega mede o resultado de cada tentativa. Depois, num quadro individual, o autor do pulo coloca os pedaços lado a lado e confere a medida com a fita métrica. Os valores são registrados em papel e comparados. No fim da atividade, as medidas devem estar em ordem decrescente para descobrir qual foi o salto mais longo.

Trabalhar grandezas e medidas...
- Mostra que a Matemática tem usos concretos no cotidiano.
- Ajuda a conhecer unidades de medida convencionais.
- Serve de base para o estudo de geometria e estatística.

Quer saber mais?

CONTATO
EM Professora Ione Catarina Gianotti Igydio
, R. Dois Irmãos, s/no, 79045-390, Campo Grande, MS, tel. (67) 3314-5081

BIBLIOGRAFIA
As Cem Linguagens da Criança
, Carolyn Edwards, Leila Gandini e George Forman, 320 págs, Ed. Artmed, tel. 0800-703-,3444, 49 reais
Ensinar Matemática na Educação Infantil e nas Séries Iniciais - Análise e Propostas, Mabel Panizza e outros, 188 págs., Ed. Artmed, 40 reais 

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 199, Fevereiro 2007,
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