Edição 222 | Maio 2009

Um bebê está chorando e outra criança logo coloca uma chupeta na boca do pequenino. Mais que uma tentativa de silenciar a gritaria, a intenção é cuidar dele - assim como a própria criança foi e é cuidada. Trata-se de uma das primeiras manifestações de preocupação com o bem-estar alheio. Reconhecer o outro e cuidar dele, portanto, são atitudes que a creche deve trabalhar permanentemente.
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Não é um processo rápido. O psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962) descreveu a evolução da relação entre o "eu" e o "outro" em etapas. No início da vida, o bebê está em simbiose com o meio: ele e tudo ao seu redor são a mesma coisa. Só depois de 2 anos e meio, essa distinção começa a ficar mais clara, com a criança aumentando a percepção sobre sua própria personalidade. Para isso, ela experimenta vários papéis e imita colegas, pais e educadores.
É nesse jogo de representações que aparecem as ações de cuidado. "Os professores podem até propor situações com a intenção de trabalhar essas questões, mas nem sempre as crianças irão responder. Nessa faixa etária, isso é normal", diz Márcia Fiori, coordenadora do Centro de Formação Profissional e Educacional (Ceduc), na capital paulista. Mesmo assim, é necessário fazer convites para favorecer o reconhecimento e o cuidado com o colega: chamar para levar uma fralda, oferecer uma mamadeira, tocar o outro com carinho e outras atividades que promovam o estabelecimento de vínculos e a interação (leia o plano de trabalho). O ideal é que essas atividades façam parte da rotina. Na UDI Patrimônio, em Uberlândia, a 555 quilômetros de Belo Horizonte, os bebês ficam juntos com os maiores da creche, o que favorece o contato. "Mordidas e empurrões acontecem, mas em proporção bem menor que abraços e carinhos", conta a diretora Leila Maria Cardoso Santos. Em uma tarde, uma criança de 1 ano e meio viu a professora brincando com um colega menor no escorregador e correu para avisar: "Pega ele. Vai machucar!" Quando a preocupação com o bem-estar é trabalhada no dia-a-dia, a garotada aprende rápido a importância que o outro tem.
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CONTATOS
Íris Franco
UDI Patrimônio, R. Tenente Rafael de Freitas, 801, 38411-066, Uberlândia, MG, tel. (34) 3216-5490
BIBLIOGRAFIA
A Linguagem Corporal da Criança, Samy Molcho, 224 págs., Ed. Gente, tel. (11) 3670-2500, 34,90 reais
Saber Cuidar: Ética do Humano, Compaixão pela Terra, Leonardo Boff, 200 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 35 reais
INTERNET
Dissertação de mestrado Ser Professora de Bebês, de Fernanda Carolina Dias Tristão
abná silviera e silveira - Postado em 10/06/2009 10:11:28
Sou educadora infantil numa creche do município de Iúna/ES, trabalho com crianças entre 2 e 3 anos, em sala de aula; para o projeto de Mestrado, pesquiso a socialização entre elas. Observei que inicialmente eram isolodas, cada uma por si e a professora por todas, com a aplicação de algumas atividades pedagógicas, é notável o avanço em direção ao processo de socialização. Umas das atividades que uso diariamente é o cumprimento, (com abraços e beijos entre elas ), se despedem quando retornam às suas casas.
Marcelo Henrique - Postado em 06/05/2009 17:18:06
Conheço o trabalho desta creche e reconheço que é diferenciado, começando pelo fato de ser destaque e pública. "A corrente do bem" não se limita a apenas um tipo de iteração. Ela forma seus elos fortes entre educador, educando, entre os funcionários em seus diversos papeis, desde os vigias, cozinheiros, faxineiros, educadores e direção e a conseqüência disso é quase um aprendizado natural por observação, as crianças percebem o cuidado e são apoiadas a colaborar mutuamente. Parabéns a todos e que essa correte se espalhe por todas as instituições de ensino, publicas ou privadas para que tenhamos a partir deste exemplo um primeiro passo para a formação de indivíduos, cidadãos envolvidos em valores colaborativos, que não depositam seus esforços e anseios somente em beneficio próprio e sim, buscam no "cuidar" do outro um valor pessoal.
LEILA MARIA CARDOSO SANTOS - Postado em 06/05/2009 14:49:09
Sou Leila Maria Cardoso Santos, diretora da UDI Patrimonio, escola desta matéria, gostei muito do resultado da matéria, que mostra que, entre os pequeninos se faz um trabalho de qualidade, gesto natural deles, o cuidar do outro como manifestação de preocupação com o bem estar alheio. Parabéns. Leila