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Eu e você, você e eu

Desde cedo, as crianças percebem as outras. Imitando as ações dos adultos, desenvolvem a empatia necessária para cuidar dos colegas

Amanda Polato

Fotos: Roberto Chacur
CORRENTE DO BEM (à esq.) Na UDI Patrimônio, a pequenina põe a chupeta como forma de dar atenção ao bebê. 
O PODER DO TOQUE (à dir.) Promover o contato carinhoso entre as crianças favorece o processo de interação. Fotos: Roberto Chacur 

Um bebê está chorando e outra criança logo coloca uma chupeta na boca do pequenino. Mais que uma tentativa de silenciar a gritaria, a intenção é cuidar dele - assim como a própria criança foi e é cuidada. Trata-se de uma das primeiras manifestações de preocupação com o bem-estar alheio. Reconhecer o outro e cuidar dele, portanto, são atitudes que a creche deve trabalhar permanentemente.

Não é um processo rápido. O psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962) descreveu a evolução da relação entre o "eu" e o "outro" em etapas. No início da vida, o bebê está em simbiose com o meio: ele e tudo ao seu redor são a mesma coisa. Só depois de 2 anos e meio, essa distinção começa a ficar mais clara, com a criança aumentando a percepção sobre sua própria personalidade. Para isso, ela experimenta vários papéis e imita colegas, pais e educadores.

 É nesse jogo de representações que aparecem as ações de cuidado. "Os professores podem até propor situações com a intenção de trabalhar essas questões, mas nem sempre as crianças irão responder. Nessa faixa etária, isso é normal", diz Márcia Fiori, coordenadora do Centro de Formação Profissional e Educacional (Ceduc), na capital paulista. Mesmo assim, é necessário fazer convites para favorecer o reconhecimento e o cuidado com o colega: chamar para levar uma fralda, oferecer uma mamadeira, tocar o outro com carinho e outras atividades que promovam o estabelecimento de vínculos e a interação (leia o plano de trabalho). O ideal é que essas atividades façam parte da rotina. Na UDI Patrimônio, em Uberlândia, a 555 quilômetros de Belo Horizonte, os bebês ficam juntos com os maiores da creche, o que favorece o contato. "Mordidas e empurrões acontecem, mas em proporção bem menor que abraços e carinhos", conta a diretora Leila Maria Cardoso Santos. Em uma tarde, uma criança de 1 ano e meio viu a professora brincando com um colega menor no escorregador e correu para avisar: "Pega ele. Vai machucar!" Quando a preocupação com o bem-estar é trabalhada no dia-a-dia, a garotada aprende rápido a importância que o outro tem.

Quer saber mais?

CONTATOS
Íris Franco
UDI Patrimônio, R. Tenente Rafael de Freitas, 801, 38411-066, Uberlândia, MG, tel. (34) 3216-5490

BIBLIOGRAFIA
A Linguagem Corporal da Criança
, Samy Molcho, 224 págs., Ed. Gente, tel. (11) 3670-2500, 34,90 reais
Saber Cuidar: Ética do Humano, Compaixão pela Terra, Leonardo Boff, 200 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 35 reais

INTERNET 
Dissertação de mestrado Ser Professora de Bebês, de Fernanda Carolina Dias Tristão 

ligia de oliveira paula - Postado em 03/04/2010 21:04:07

Ola! pessoal eu sou a ligia,educadora infantil do movimento comunitário da Seara, trabalho com crianças de 2 anos, este e meu primeiro ano com esta faixa etaria adorei os comentários de outras educadoras, aprendi muitas coisas como fazer meus baixinhos parar de chorar muito bom pois adoro o que faço. abraços.

abná silviera e silveira - Postado em 10/06/2009 10:11:28

Sou educadora infantil numa creche do município de Iúna/ES, trabalho com crianças entre 2 e 3 anos, em sala de aula; para o projeto de Mestrado, pesquiso a socialização entre elas. Observei que inicialmente eram isolodas, cada uma por si e a professora por todas, com a aplicação de algumas atividades pedagógicas, é notável o avanço em direção ao processo de socialização. Umas das atividades que uso diariamente é o cumprimento, (com abraços e beijos entre elas ), se despedem quando retornam às suas casas.

Marcelo Henrique - Postado em 06/05/2009 17:18:06

Conheço o trabalho desta creche e reconheço que é diferenciado, começando pelo fato de ser destaque e pública. "A corrente do bem" não se limita a apenas um tipo de iteração. Ela forma seus elos fortes entre educador, educando, entre os funcionários em seus diversos papeis, desde os vigias, cozinheiros, faxineiros, educadores e direção e a conseqüência disso é quase um aprendizado natural por observação, as crianças percebem o cuidado e são apoiadas a colaborar mutuamente. Parabéns a todos e que essa correte se espalhe por todas as instituições de ensino, publicas ou privadas para que tenhamos a partir deste exemplo um primeiro passo para a formação de indivíduos, cidadãos envolvidos em valores colaborativos, que não depositam seus esforços e anseios somente em beneficio próprio e sim, buscam no "cuidar" do outro um valor pessoal.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 222, Maio 2009,

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