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Amo segunda-feira

Para a turma de uma creche em São Paulo, a segunda-feira é dia de contar as loucas aventuras do sábado e do domingo

Elisa Meirelles

Foto: Kriz Knack
FALA MAIS! No CEU Paraisópolis, a classe da educadora Flávia compartilha relatos fantásticos
Foto: Kriz Knack

É segunda-feira e as aulas do período da tarde já vão começar no CEU Paraisópolis, na capital paulista. Na creche, as educadoras Flávia Maciel e Diana Marcelino reúnem os pequenos numa roda no centro da sala. Com a turma organizada, Flávia pergunta: "Quem pode contar o que fez no fim de semana?"

Mão levantada, Bruno vira-se para ela e arranca, empolgado: "Minha cama quebrou". "Você vai dormir no chão?", indaga um colega, espantado. "Não... A cama da minha avó não quebrou, não. Eu vou dormir com ela. E minha mãe já foi nas Casas Bahia e comprou outra", tranquiliza o amigo. Uma a uma, as crianças entram na conversa - até que o assunto esfria. Um novo fôlego vem com a intervenção da pequena Carol: "No domingo, minha mãe resolveu fazer churrasco".

Victor quer participar: "Em casa, teve dois churrascos. Eu comi tudo e fiquei com um barrigão assim, ó", diz ele, imitando uma grande pança com as mãos. O papo continua animado - às vezes, ganha ares de bagunça, com todos falando ao mesmo tempo, algo bastante normal num grupo em que a meninada tem entre 3 e 4 anos. Entretanto, sempre que isso ocorre, Flávia e Diana direcionam a atenção para alguma informação interessante: "Vocês viram que bacana o que a Amanda está nos contando?" É uma garantia para que, além de falar, todos possam também ser ouvidos.

A sequência de relatos segue sem que exista uma fronteira rígida entre fatos reais e ficção. Nicolas e Bruno começam a comentar sobre as roupas que estão usando. O primeiro explica, na maior empolgação, que seu chinelo do Ben 10 é mágico. "Ele voa e faz assim", diz o menino, com as mãos espalmadas para o alto. O amigo não fica atrás na descrição das utilidades de seu calçado. "Esse aqui é normal, mas lá em casa eu tenho um sapato do Homem-Aranha que tem um furo para passar o chifre dele por lá quando eu ando", descreve o menino, gesticulando e apontando para o pé.

As professoras Flávia e Diana não se assustam com as histórias malucas. Sabem que o auge do faz de conta ocorre nessa idade, quando os pequenos estão tentando compreender o mundo em que vivem. Por isso, experimentam, no plano da fantasia, diferentes papéis e situações. "Não costumo inibi-los perguntando se o relato é mesmo verdadeiro. Deixo cada um jogar com os elementos que fazem parte de sua vida e ter acesso às criações dos colegas, o que amplia o repertório", justifica Flávia.

Meia hora depois, a conversa, que a essa altura já transitou de suculentos banquetes de carne a combates com vilões intergalácticos, dá outro giro e se transforma num animado debate sobre as funções da brinquedoteca. As meninas querem contar que lá podem brincar de casinha. "De motoca também", lembra Cauã. "E de super-herói", grita Nicolas, cantarolando com afinação uma paródia de sua autoria: "O Homem-Aranha subiu pela parede...", misturando o famoso personagem com uma cantiga aprendida na escola.

Jogando com a distinção entre ficção e realidade, a turma se despede da roda de conversa, à espera de outro fim de semana repleto de fantásticas e divertidas aventuras para contar.

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CONTATO
CEU Paraisópolis
, R. Dr. José Augusto Souza e Silva, s/n, 05712-040, São Paulo, SP, tel. (11) 3501-5660 

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 228, Dezembro 2009, com o título Roda de conversa das segundas-feiras
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