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O que ensinar em Educação Física

A hora de correr, jogar e se exercitar está mais rica: o objetivo agora é explorar as diferentes culturas e integrar os alunos

Beatriz Santomauro, colaborou Iracy Paulina

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Especial Planejamento 2014
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LER, VER E CONHECER Além de fazer exercícios, pesquisar, observar e registrar experiências também está na aula. Foto: Gilvan Barreto
LER, VER E CONHECER Além de fazer
exercícios, pesquisar, observar e registrar
experiências também está na aula

Mais sobre Educação Física

Valorização cultural

No jargão da disciplina, a inf luência da memória impressa no corpo e nos movimentos do aluno é a chamada cultura corporal. Algumas manifestações dessas inf luências são os conteúdos a trabalhar: jogos, lutas, esportes, ginástica, atividades rítmicas e expressivas. "São 12 anos para explorar as diferentes culturas", diz Marcos Neira, da USP, referindo-se ao tempo que a garotada fica no Ensino Fundamental e no Médio. Segundo ele, "todos temos conhecimentos que precisam ser reconhecidos e ampliados pela escola". Essa concepção é conhecida como perspectiva cultural. Além dela, outras três polarizam as discussões sobre a Educação Física hoje no Brasil.

"Não há caminho certo ou errado nem proposta melhor que outra, mas é preciso saber que aluno a escola quer formar", diz Fábio d'Ângelo, selecionador do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10. Todas as correntes têm em comum, é claro, o objeto de estudo da disciplina: o movimento. O que varia é a maneira de desenvolver as atividades em classe e a prioridade dada a um ou outro aspecto. A perspectiva cultural é tão recente que poucos dos professores de hoje tiveram aulas assim enquanto eram estudantes. "Até a década de 1980, ninguém falava em jogos, brincadeiras, expressão corporal. Eram só técnicas esportivas e muita repetição", lembra Marcelo Barros da Silva, formador de professores e consultor de programas socioeducativos.

Um bom exemplo de como levar isso para a prática é o projeto de José Carlos dos Santos, que ensinou esportes de taco e raquete para turmas de 5ª série, o que lhe rendeu o troféu de Educador Nota 10 no ano passado. "Antes de ser um professor de Educação Física, é preciso ser professor da escola. Os cursos de formação têm de incorporar um novo paradigma de informação. Não dá mais para ter uma grade que privilegia o fazer. Espera-se é um reforço na parte pedagógica e didática", afirma Osvaldo Luiz Ferraz, da USP, que ajudou a reformular o currículo da universidade, concluído em 2006. "Buscamos um equilíbrio entre os aspectos biológicos e esportivos e a abordagem sociocultural."

O curso de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também passou por mudanças em 2005. "Precisamos mostrar aos futuros professores que a disciplina é uma área do conhecimento, não um espaço para o exercício de aptidões físicas", destaca Alex Branco Fraga, coordenador do bacharelado e da licenciatura. Para isso, o estudante de graduação precisa sistematizar uma série de conhecimentos. "Existem cerca de 300 modalidades esportivas, mas poucas são exploradas. Que tal apresentar aos alunos esportes em que uma equipe entra no campo da outra ou mostrar a riqueza da ginástica olímpica como uma cultura corporal?", exemplifica Fraga. Em Duque de Caxias, na Grande Rio, a professora Tânia Casali de Oliveira é um bom exemplo das transformações pelas quais o ensino vem passando (leia a entrevista abaixo).

Outra deficiência que se quer combatida é a separação entre teoria e prática, com a ampliação da carga horária dos estágios, de 150 para 450 horas (antes eles começavam no oitavo semestre, e agora, no sexto). "O programa foi dividido em três etapas para que o aluno tenha experiência de docência na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio." Quanto maior a pluraridade de vivências, melhor para o grupo. "Nesse contexto, o papel do professor é construir uma ponte entre essas manifestações culturais locais e os conteúdos previstos", diz Souza Neto, da Unesp. Sim, é muito importante ter clareza dos conteúdos - como em qualquer disciplina, aliás - para alcançar os objetivos.

5 perguntas Tânia Casali de Oliveira 

Foto: Gilvan Barreto

Professora de Educação Física da EE Duque de Caxias, em Duque de Caxias, na Grande Rio, mostra o que mudou em seus 21 anos de experiência. 

Como era a prática nos anos 1980?
Quando me formei, em 1987, a abordagem dominante era a da psicomotricidade. Dizia-se que o trabalho com o corpo ajudava nas outras matérias.

Quando sua atuação mudou?
Cinco anos atrás, fiz um curso no Rio de Janeiro que funcionou como uma segunda faculdade porque pude refletir sobre minha prática.

Quais as principais mudanças?
Antes o professor de Educação Física era um treinador, agora é um educador. A disciplina deve promover a inclusão e precisa ampliar o repertório sobre as culturas corporais.

Que atividades são feitas hoje?
Eu proponho jogos na quadra e aulas teóricas em classe, onde abordo a história dos esportes, conhecimentos sobre o corpo e temas do cotidiano. Como nas demais disciplinas, os alunos registram tudo no caderno.

Como você procura se atualizar?
Participo de congressos e seminários e estou fazendo um curso de pós-graduação em Psicopedagogia. 

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 215, Setembro 2008. Título original: Novo status para a expressão corporal
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