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PESQUISA | Os pais e a escola

Um futuro melhor

E também professores e diretores eficientes, computadores para garantir um bom trabalho para os filhos e menos violência. É isso que as famílias de alunos de escolas públicas esperam

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Uma parceria estreita entre família e escola é determinante para o sucesso da aprendizagem de crianças e jovens. Mas qual é a visão dos pais sobre a Educação recebida pelos filhos, especificamente na rede pública? Para chegar à resposta, o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial e a Fundação Victor Civita realizaram uma pesquisa de campo com 840 responsáveis por estudantes do1º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Médio de escolas municipais e estaduais na capital paulista.

O estudo, divulgado em primeira mão por NOVA ESCOLA, mostra, entre outros pontos, que o ensino é visto como fator de mobilidade social. De acordo com Nilson Vieira de Oliveira, coordenador da pesquisa, os familiares sabem que precisam e querem acompanhar a qualidade da Educação, mas faltam-lhes meios para isso. Os governos poderiam identificar os pais mais atuantes e aproveitar seu potencial de mobilização para que envolvam os demais em programas de melhoria da escola, sugere. Outros seis temas se destacaram. Confira, a seguir, as principais conclusões.

Foto:Emília Brandão

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''Fim um esforço para comprar um computador, pagar a internet e curso de computação para minhas filhas poderem pesquisar e ler notícias''. Jailda Oliveira, dona-de-casa, mãe de Mayara e Maely

 

1 Sim à inclusão digital

As lan-houses foram citadas por 12,6% dos entrevistados como sendo o local utilizado pelos alunos para estudar e fazer lição de casa e trabalhos, superando de longe a biblioteca escolar (4,5%) e a pública (3,3%). Para as famílias, a informatização tem extrema importância. De acordo com Patricia Mota Guedes, do Fernand Braudel, quando foi perguntado que atividades extra-escolares gostariam que a escola oferecesse, cursos de computação ficaram em primeiro lugar, com 36%, na frente de opções importantes como aulas de reforço em Matemática (11%) e em Português (9%).
Em casa, o acesso à informática está se expandindo: 35,6% dos entrevistados declararam possuir computador. A internet está presente em 27,1% das residências, como a da dona-de-casa Jailda Oliveira, mãe de Mayara, 12 anos, que está na 7ª série, e Maely, 14, que acaba de ingressar no Ensino Médio. "Eu e meu marido compramos um computador, assinamos um plano de internet e matriculamos as meninas numa escola para aprender a lidar com o equipamento", afirma. "Agora elas não precisam ir à lan-house para ler notícias e fazer pesquisas."

foto: Emília Brandão

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''Já presenciei cenas de violência na escola das minhas filhas e me preocupo. Mandei uma carta à escola, mas a direção se sentiu ofendida''. Fátima Oliveira, dona-de-casa, mãe de Camila e Gabriela

 

2 A violência que preocupa

O estudo revela que esse problema é um dos que mais afligem os pais. A presença de policiamento está entre os três atributos mais importantes para uma boa escola, mencionada por 15,2% dos entrevistados. Reduzir a violência e a indisciplina é a segunda medida mais indicada (16%) entre as que deveriam compor as prioridades da rede. Entre os problemas mais lembrados estão agressão física e roubo ou furto. O impacto dos casos divulgados pela mídia contribui para aumentar o sentimento de medo, opina Vitor Paro, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
A situação apavora a dona-de-casa Fátima Oliveira, mãe da Gabriela, 14 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio, e de Camila, 15, que está no 2º ano. A preocupação começou quando ela presenciou uma briga durante um campeonato escolar. Os garotos se agrediram verbalmente e depois partiram para a pancadaria. Não havia ninguém para apartá-los. Fátima escreveu à escola solicitando melhorias na segurança. "Infelizmente, a crítica não foi bem recebida pela direção, que se sentiu ofendida", lamenta.

3 O valor do bom professor

A pesquisa revelou um dado de extrema relevância: em geral, os responsáveis sabem os pré-requisitos para um ensino de qualidade. Sobre os atributos de uma boa escola, os mais valorizados foram professores que sabem ensinar (31,6%) e um diretor exigente (18,3%). Já no que se refere aos atributos do bom professor, o destaque foi para quem sabe explicar para que todos entendam (mencionado por 30,8% dos pais).
A comerciante Rosirene Melo Correa acompanha de perto o aprendizado do filho Alan, 11 anos, que está na 5ª série. "Eu vou à escola, pergunto aos professores a respeito do rendimento dele e sobre o conteúdo que está sendo ensinado", conta. Além disso, ela comparece a todas as reuniões e apresentações de teatro e música. "Eu também questiono se os professores ensinam bem, o que o Alan aprendeu e se tem dificuldades. Se necessário, mando bilhetes, pedindo que esclareçam dúvidas específicas."
Segundo a psicóloga e psicopedagoga Luciana Maria Caetano, que realizou na Universidade de São Paulo uma pesquisa sobre a relação entre a família e a escola, essa parceria deve ter como ponto de partida a própria escola. "Os professores são os especialistas em Educação. Cabe a eles iniciar a construção desse relacionamento. Os pais pouco sabem sobre as características do desenvolvimento cognitivo, afetivo, moral e social dos filhos, mas estão ansiosos para saber", afirma.
Outra orientação é aproveitar as reuniões de pais para tratar da proposta pedagógica e pedir sugestões, em vez de só discutir problemas de indisciplina.

Foto: Emília Brandão

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''Estou sempre informada sobre a vida escolar do meu filho. Participo de todas as reuniões e converso com ele sobre o conteúdo aprendido'' Rosirene Melo Correa, comerciante, mãe de Alan

 


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