Geyson Magno / Agência Lumiar
[img2]Estudantes jogam xadrez na internet: laboratório de informática traz motivação extra
Uma escola do Recife e outra de Itacuruçá, distrito do município de Mangaratiba, no litoral fluminense, entraram há pouco tempo na era dos computadores, mas já estão fazendo usos criativos e proveitosos da tecnologia. Elas fornecem exemplos de projetos que podem ser desenvolvidos nos estágios iniciais da inclusão digital. A EE Clóvis Beviláqua, na capital pernambucana, ganhou no início do ano o laboratório de informática que era esperado havia um bom tempo. Pouco mais de seis meses depois, a escola vive uma nova rotina, com os computadores integrados ao trabalho didático. O professor de Educação Física Samuel Farias da Silva e seus alunos de 5a a 8a série utilizam os micros para jogar xadrez. A garotada exercita suas habilidades em sites (existem vários especializados). Os parceiros podem ser tanto o próprio computador como jovens conectados em outros lugares. Dessa forma, os estudantes ganham não só familiaridade com o mundo virtual mas também com os meandros do próprio xadrez. "Eles se sentem mais motivados jogando no computador", diz Samuel. O mesmo acontece com as atividadestradicionais de sala de aula. "As turmas têm interesse maior pelos conteúdos quando ganham a oportunidade de digitar seus trabalhos e fazer pesquisas em sites de busca", afirma a coordenadora do laboratório, Fabiana do Nascimento Gomes. Apenas uma parcela dos 2 mil alunos da escola já tinha alguma prática no manejo das máquinas. Vários estão tomando contato com elas pela primeira vez. Atender tanta gente requer organização. O professor interessado agenda horários no laboratório e entrega com antecedência a Fabiana o planejamento de sua aula. Isso permite que ela também programe sua parte - horários e apoio técnico e didático. Nessa fase de implantação do laboratório, a coordenadora desempenha papel-chave: muitos professores não têm computador em casa nem sabem como trabalhar com ele. Nos próximos meses, Fabiana quer promover um curso de capacitação para os colegas - embora, participando dos trabalhos no laboratório, eles já estejam avançando muito em seus conhecimentos. Em todas as atividades, quem opera as máquinas são os alunos, que também podem explorar novos recursos por conta própria durante os intervalos entre as aulas e no contraturno do período letivo. Um projeto de monitores voluntários também está nos planos da escola.
Computadores na praia
Alunos-monitores já são uma realidade há mais de um ano na sala de informática da Escola Municipalizada Caetano de Oliveira, em Itacuruçá (leia o quadro abaixo). Um grupo de 11 estudantes do Ensino Médio dá apoio aos professores. Em conjunto, eles orientam as crianças da 1a série, que estão sendo alfabetizadas, a escrever as primeiras palavras no computador. "O contato com o teclado aumentou o interesse pela escrita", diz a professora Thirley Reink, selecionada para atuar como formadora no projeto mantido por uma empresa de telecomunicações que promoveu a inclusão digital da escola. Foram alcançados dois objetivos de uma vez: promover a inclusão social e digital e, de quebra, diminuir a evasão escolar entre os jovens que se tornaram monitores - todos moradores da Ilha da Marambaia, a mais de uma hora de barco da escola. Como só existe transporte de volta para casa no fim da tarde, esses alunos, que estudam de manhã, ficavam ociosos durante um bom tempo. Agora, eles encontram na informática um modo de se ocupar, adquirir conhecimento e estreitar o contato com outros estudantes. A garotada da 3a série, por exemplo, aprendeu a abrir contas de e-mail graças ao auxílio dos monitores. Com seus endereços eletrônicos cadastrados no projeto de inclusão digital, eles recebem dicas de sites educativos, fazem cursos on-line e se correspondem com colegas de outras cidades. A chegada da tecnologia estimulou alguns projetos. A professora de Artes Rogéria Medeiros elaborou um trabalho sobre pontilhismo com a 8a série, começando por uma pesquisa na internet sobre o francês Georges Seurat (1859-1891), principal representante dessa técnica de pintura. Lendo sobre ele, os alunos entenderam melhor como se fazem e que efeito causam as pequenas manchas sobrepostas, características do pontilhismo. Isso teve repercussão direta na etapa seguinte, quando eles produziram desenhos. "É difícil abordar temas e artistas de que os estudantes nunca ouviram falar", diz Rogéria. "A internet permite essa aproximação." Na Matemática, o professor Richard Arroio dos Santos passou a buscar na rede joguinhos para desenvolver o raciocínio lógico. Um deles é a Torre de Hanói, que consiste em três bastões; num deles estão empilhadas argolas de tamanhos diferentes, da maior para a menor. O objetivo é transferir a torre para outro eixo, usando o terceiro como intermediário, com uma argola de cada vez e sempre na ordem de tamanho. "No computador não dá para trapacear, por isso o desafio é maior", brinca o professor.
Gilvan Barreto
[img_1]Monitores ensinam os mais novos: e-mailpara receber dicas de sites educativos
Adote um monitor
Identifique os alunos que participarão do projeto, suas habilidades e potenciais.A escolha pode ser feita também por questionário aos interessados. Deixe claro que será uma tarefa voluntária e que o maior ganho será o conhecimento.
Não deixe de fora os que têm dificuldades de aprendizagem ou que "dão trabalho"em sala de aula. A responsabilidade e a valorização podem ajudá-los a mudar.
Após o período de formação, organize o trabalho, com datas e horários, e defina compromissos e regras. Tudo que for combinado deve ser escrito e repassado aos pais, para que eles autorizem os filhos a ficar na escola em horário extra-aulas
Providencie camisetas de monitor ou certificados de participação que comprovem a condição de voluntário no laboratório de informática.
Oriente os monitores a pesquisar na internet e deixe-os à vontade para trazer contribuições ao laboratório. Reserve um horário livre para que explorem softwares e a internet.
Apresente-os à comunidade escolar, deixando clara sua importância e os objetivos do projeto.
Entreviste os voluntários de tempos em tempos: o que aprenderam? Quais foram os maiores desafios? O que sugerem para o fututo?
Vale destacar que monitores não substituem professores nem técnicos.
consultoria: Mary Grace Martins, consultora na formação de professores para ensino a distância e assessora de projetos de educação on-line, de SÃO PAULO
CONTATOS
EE Clóvis Beviláqua, Pça. Tertuliano Feitosa, 111, 52041-621, Recife, PE, tel. (81) 3244-8074, rn.cbevilaqua@educacao.pe.gov.br
Escola Municipalizada Caetano de Oliveira,R. Cecília, 213, 23860-000, Mangaratiba, RJ, tel. (21) 2680-8174
INTERNET
O jogo matemático Torre de Hanói está disponível em http://www.psicologia.freeservers.com/piaget/hanoi.htm
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