Artur Lopes
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A carreira de professor vem sendo sacudida como há muito tempo não acontecia. O terremoto pretende acabar com os professores leigos — aqueles que não têm curso superior ou, em alguns casos, nem o Ensino Médio. Isso é bom para sua carreira porque vai representar uma alta nos salários a médio prazo, além de melhorar a aprendizagem em todos os níveis. Por outro lado, quem não tiver curso superior, mesmo não perdendo o direito já adquirido de lecionar, pode ficar para trás no preenchimento de novas vagas, já que o mercado estará mais qualificado e exigente. A principal mudança que se anuncia é a criação do curso Normal Superior, a partir do ano que vem.
As mudanças devem vigorar apenas a partir de 2005. Mas um reflexo já está sendo sentido: muitos professores iniciaram uma corrida em busca do diploma. Quem não tem dinheiro para pagar um curso particular nem um parente que faça as vezes de mecenas, pode achar que está fora do páreo. Engano. Existem algumas formas de conseguir financiamento. A primeira alternativa que deve ser levada em conta é o Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior, o Fies. Ligado ao Ministério da Educação, substitui o antigo crédito educativo e financia até 70% da mensalidade de instituições cadastradas no programa.
De acordo com Floriano Pesaro, diretor do Fies, os cursos de licenciatura têm tratamento especial, com 15% a mais de recursos, justamente para suprir a atual demanda por professores formados. É necessário que o aluno já tenha passado no vestibular e esteja matriculado. Os selecionados, após análise de questionário e entrevista, podem garantir o financiamento e pagar juros de 9% ao ano sobre o valor do empréstimo. Como o estudante devolve o dinheiro aos poucos, e depois de formado, é necessário apresentar um fiador. Além disso, o aluno precisa ter 75% de aprovação nas disciplinas matriculadas para continuar recebendo o crédito.
Trabalho por bolsa
Outra forma de financiar a graduação é conseguir uma bolsa de estudos, integral ou parcial, nos programas de auxílio das próprias instituições. Quase todas possuem algum tipo de bolsa, das Pontifícias Universidades Católicas ao recém-criado Instituto Luterano do Tocantins. Algumas vezes, a ajuda vem na forma de uma bolsa-trabalho, na qual o professor/aluno recebe uma remuneração em torno de um salário mínimo por mês para exercer atividades em bancos de dados, bibliotecas ou funções administrativas na própria instituição. Com isso ganha uma redução na mensalidade.
É possível, também, vincular-se a uma atividade acadêmica ou propor um projeto de pesquisa e receber uma bolsa para isso. A vantagem é que ela não precisa ser devolvida após o término do curso. Uma bolsa de iniciação científica, a única possível para a graduação, tem valores mensais que variam dos 241,51 reais, oferecidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), até os 330 reais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A maioria dos Estados brasileiros possui sua Fundação de Amparo à Pesquisa.
Aumentar o número de vagas nas universidades públicas seria, sem dúvida, a melhor solução. Enquanto isso não acontece, a saída é tentar algumas dessas alternativas. Infelizmente, elas são poucas para tantos que esperam conseguir um diploma. Mas pode ser que uma delas seja o que você precisa para agarrar o canudo, cada vez mais necessário.
Fies (MEC), tel. 0800-616161, internet: www.mec.gov.br
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tel: (61) 410-8860, internet: www.capes.gov.br
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tel: 0800-619796, internet: www.cnpq.br
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), tel: (11) 838-4000, internet: www.fapesp.br
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