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Cyberbullying: a violência virtual

Na internet e no celular, mensagens com imagens e comentários depreciativos se alastram rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. Como o espaço virtual é ilimitado, o poder de agressão se amplia e a vítima se sente acuada mesmo fora da escola. E o que é pior: muitas vezes, ela não sabe de quem se defender

Beatriz Santomauro

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Cyberbullying. Foto: Marcelo Zocchio

Todo mundo que convive com crianças e jovens sabe como eles são capazes de praticar pequenas e grandes perversões. Debocham uns dos outros, criam os apelidos mais estranhos, reparam nas mínimas "imperfeições" - e não perdoam nada. Na escola, isso é bastante comum. Implicância, discriminação e agressões verbais e físicas são muito mais frequentes do que o desejado. Esse comportamento não é novo, mas a maneira como pesquisadores, médicos e professores o encaram vem mudando. Há cerca de 15 anos, essas provocações passaram a ser vistas como uma forma de violência e ganharam nome: bullying (palavra do inglês que pode ser traduzida como "intimidar" ou "amedrontar"). Sua principal característica é que a agressão (física, moral ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação específica. Mais recentemente, a tecnologia deu nova cara ao problema. E-mails ameaçadores, mensagens negativas em sites de relacionamento e torpedos com fotos e textos constrangedores para a vítima foram batizados de cyberbullying. Aqui, no Brasil, vem aumentando rapidamente o número de casos de violência desse tipo.

Nesta reportagem, você vai entender os três motivos que tornam o cyberbullying ainda mais cruel que o bullying tradicional.

- No espaço virtual, os xingamentos e as provocações estão permanentemente atormentando as vítimas. Antes, o constrangimento ficava restrito aos momentos de convívio dentro da escola. Agora é o tempo todo.

- Os jovens utilizam cada vez mais ferramentas de internet e de troca de mensagens via celular - e muitas vezes se expõem mais do que devem.

- A tecnologia permite que, em alguns casos, seja muito difícil identificar o(s) agressor(es), o que aumenta a sensação de impotência.

Raissa*, 13 anos, conta que colegas de classe criaram uma comunidade no Orkut (rede social criada para compartilhar gostos e experiências com outras pessoas) em que comparam fotos suas com as de mulheres feias. Tudo por causa de seu corte de cabelo. "Eu me senti horrorosa e rezei para que meu cabelo crescesse depressa."

Esse exemplo mostra como a tecnologia permite que a agressão se repita indefinidamente (veja as ilustrações ao longo da reportagem). A mensagem maldosa pode ser encaminhada por e-mail para várias pessoas ao mesmo tempo e uma foto publicada na internet acaba sendo vista por dezenas ou centenas de pessoas, algumas das quais nem conhecem a vítima. "O grupo de agressores passa a ter muito mais poder com essa ampliação do público", destaca Aramis Lopes, especialista em bullying e cyberbullying e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ele chama a atenção para o fato de que há sempre três personagens fundamentais nesse tipo de violência: o agressor, a vítima e a plateia. Além disso, de acordo com Cléo Fante, especialista em violência escolar, muitos efeitos são semelhantes para quem ataca e é atacado: déficit de atenção, falta de concentração e desmotivação para os estudos (leia mais na próxima página).

Esse tormento permanente que a internet provoca faz com que a criança ou o adolescente humilhados não se sintam mais seguros em lugar algum, em momento algum. Na comparação com o bullying tradicional, bastava sair da escola e estar com os amigos de verdade para se sentir seguro. Agora, com sua intimidade invadida, todos podem ver os xingamentos e não existe fim de semana ou férias. "O espaço do medo é ilimitado", diz Maria Tereza Maldonado, psicoterapeuta e autora de A Face Oculta, que discute as implicações desse tipo de violência. Pesquisa feita este ano pela organização não governamental Plan com 5 mil estudantes brasileiros de 10 a 14 anos aponta que 17% já foram vítimas de cyberbullying no mínimo uma vez. Desses, 13% foram insultados pelo celular e os 87% restantes por textos e imagens enviados por e-mail ou via sites de relacionamento.

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=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====
=== PARTE 5 ====

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Daniel - Postado em 12/12/2013 11:47:06

A internet também já conta com um aliado contra isso. Aos pais: www.imediatto.com Ajuda emocional e psicológica a partir de casa, pela webcam. É preciso ajuda de um psicólogo para esses momentos e através do video chat utilizamos um meio que é mais efetivo para os jovens.

Edson Martins - Postado em 23/01/2013 15:50:39

O texto é bastante falho e vago. A afirmação ".. crianças ... são capazes de praticar pequenas e grandes perversões" permite deduzir que a violência do mundo é relativamente normal. Claro que não! A violência que as crianças paticam é apenas uma reprodução do que elas aprenderam no mundo. Será que acontece com a mesma forma e intensidade em todos os "tipos" de escola ou linhas pedagógicas? Claro que não!

carlos tadeu nunes beltrão - Postado em 08/11/2011 09:10:32

Sou pai do Carlos Gabriel Saager Beltrão do 5º Ano 'C' O Bullying realmente é uma realizade assustadora, a sociedade perdeu valores e conceitos, o que faz com que as crianças e jovens banalizem o respeito mútuo. Ausentes respeito, estima, consideração, afeto e temor, os valores de uma convivência saudável praticamente inexistem, e surge diferentes maneiras de agressões. As crianças/jovens, por acreditar cada vez mais serem inatingíveis, procuram sobrepor-se a outros mais frágeis, agredindo-os fisicamente e verbalmente. Creio que a reeducação dos pais, na presença dos seus filhos é uma maneira de realinhar o comportamento social. Parabéns pela iniciativa do colégio, esse tipo de iniciativa ajuda e complementa a educação da garotada. Tadeu



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 233, Junho/Julho 2010, com o título Violência virtual
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