Ana Rita Martins

"Fica livre dele eh a melhor coisa do mundo! Além de surdo eh chato!"
"Ela eh ridícula."
"Aquele vesgo do inferno sempre me dá nota baixa."
As frases acima estão ou estiveram publicadas na internet. No mundo virtual, fica mais fácil tornar públicos imagens e comentários depreciativos, usando para isso blogs, fotologs e sites de relacionamento, de forma anônima ou assumindo a autoria.
Alguns docentes tentam não se incomodar. O professor de Química George Lopes, de Silvânia, a 80 quilômetros de Goiânia, diz não se importar com a comunidade em que é citado (veja imagem acima), que existe há três anos. Quando foi publicada, ele apenas quis saber o teor dos comentários. Descobriu frases como "Dar uma pedrada nele é o meu sonho" e outras ainda mais ofensivas. "Todo educador é visto como chato pelos jovens. Eu sempre fui rígido, por isso os estudantes criaram essa forma de protesto. Além disso, sei que alguns adolescentes se sentem bem humilhando os outros. Mas não ligo, não me atinge", afirma.
Inconformismo e atitude
Outros, como Sidnei Raimundo de Melo, que leciona Matemática em Manaus, não escondem a indignação. Ele não quis ser fotografado, mas declarou que até pensou em abandonar a carreira ao ler na internet "O professor Raimundo é bisonho". "Fiquei triste, tive insônia e perdi a vontade de trabalhar". Sem o apoio da direção da escola, ele procurou o responsável pela publicação para conscientizá-lo do caráter agressivo de sua atitude. O jovem pediu desculpas e deletou tudo. "É meu dever ajudar a construir valores éticos na sala de aula", afirma Sidnei. Ele estava disposto a prestar uma queixa formal caso a conversa não surtisse efeito: "Os jovens precisam aprender que não dá para desrespeitar impunemente".

Chocada também ficou Maria Aparecida de Carvalho, que dá aulas de Física no Rio de Janeiro, ao descobrir que uma de suas aulas fora gravada em vídeo e estava num site com o título "Maria recebendo um santo". Ela costumava fazer paródias de músicas e adaptar as letras com conteúdos da disciplina para cantá-las com as turmas. Os comentários diziam que ela era ridícula e adorava aparecer. O vídeo foi deletado após a professora avisar que tomaria providências legais.
Esforço conjunto
Tentar evitar essas manifestações deve ser uma preocupação da escola e dos familiares para que não seja preciso partir para medidas extremas (leia os quadros abaixo). Trata-se de uma situação que exige a reflexão sobre o convívio entre membros da comunidade escolar. Quando as agressões ocorrem, o problema está na escola como um todo. Em uma reunião com todos os educadores, pode-se descobrir se a violência está acontecendo com outras pessoas da equipe para intervir com medidas que restabelecem as noções de respeito - palestras, atividades que estimulem a solidariedade e a discussão do regimento interno da escola.
Se for uma questão pontual, com um professor apenas, é necessário refletir sobre a relação entre o docente e o aluno ou a classe. O jovem que faz esse tipo de coisa normalmente quer expor uma relação com o professor que não está bem. Existem comunidades na internet, por exemplo, que homenageiam os docentes. Então, se o aluno se sente respeitado pelo professor, qual o motivo de agredi-lo?, questiona Adriana Ramos, pesquisadora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora de pós-graduação da Universidade de Franca (Unifran).
Como se prevenir
O psicoterapeuta José Augusto Pedra sugere algumas ações para evitar a agressão virtual:
- Converse com os alunos sobre o tema para que eles não vejam essa atitude como brincadeira.
- Chame os pais para palestras que tratem do assunto.
- Envolva os adolescentes em atividades solidárias para fortalecer o senso humanitário e de cidadania.
- Verifique se o regimento interno da escola prevê sanções a quem pratica atos agressivos. Em caso negativo, discuta com colegas e direção a possibilidade de incluir o tema.
Como se defender
O advogado Rodrigo Santos, de São Paulo, especializado em crimes virtuais, afirma que as vítimas têm o direito de prestar queixa e pedir sanções penais. Caso o autor das ofensas tenha menos de 16 anos, os pais serão processados por injúria e difamação; se tiver entre 16 e 18 anos, responderá junto com os pais; e, se for maior, assumirá a responsabilidade pelos crimes. Algumas formas de se defender:
- Salve e imprima as páginas dos sites.
- Consiga testemunhas do ocorrido.
- Preste queixa em delegacia comum ou em uma especializada em crimes virtuais, se houver em sua cidade.
gilda lima mafra - Postado em 10/10/2011 01:18:23
Eu quero postar aqui o que tenho observado nas escolas sobre o bullying. Nós educadores é que estamos nos sentindo ameaçados pelos alunos de 4ºs e 5ºs anos. Eles nos fazer temer por agressões físicas e frequentemente nos ofendem com observações ridicularizando nosso excesso de peso, nossos cabelos brancos, o fato de usarmos óculos, enfim hoje nós é que temos medo de que nos joguem água, de que nos dêem uma rasteira, de que nos passem a mão... Na semana passada um aluno jogou uma bexiga de água no nosso Assistente de Diretor e quando esse quis levá-lo à Direção para orientação, foi perseguido por uma turba enraivecida e munida de outras tantas bexigas cheias de água. Bastante molhado, teve de se retirar da escola para mudar de roupa. Comentava-se posteriormente pela escola que "_Se eles fizeram isso com o Fulano, o que não farão conosco que somos mulheres?" Um absurdo, vocês não acham? O que fazer? Como proceder? A gente protege os alunos que sofrem o bullying mas, como proteger a nós mesmos???
Comentário do Autor - Olá professora, O problema é sério e precisa ser combatido. Separamos aqui algumas reportagens que podem te ajudar: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamento/bullying-escola-professor-alvo-610525.shtml . http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/indisciplina-503228.shtml Um abraço
Elena Roque de Souza Almeida - Postado em 05/10/2011 19:49:49
Existe uma série de fatores que levam os jovens e adolescentes a agirem de alguma forma agressiva para com colegas e professores. Por isso, não se pode ignorar tais situações. Pelo contrário, precisa mesmo é diagnosticar tal ação, se é proveniente de reação, de hábitos ou mesmo de atitudes repentina ou revoltadas. Após disgnóstico, reunir direção, coordenação e os profissionais da educação a fim de descobrirem soluções para resolver a problemática antes mesmo que aconteça algo mais sério ou uma tragédia. É possível que profissionais entrem em depressão por depara com situações que não estejam ao seu alcance. Portanto uma sugestão que poderia ajudar seria o diálogo.Passei por várias experiências nesse sentido, quando estava na coordenação pedagógica. Às vezes, alguns professores (as) ficavam "possessos" porque mandavam alunos para falar comigo na esperança de eu iria "passar sermão" ou puni-los de alguma forma, mas eu preferia dialogar, aconselhar e através do diálogo conseguia descobrir o que levava tal aluno a agir daquela forma. Conversava com os (as) professores (as) e orientava como agir com aquele aluno. Porém, pouco me ouviam e achando que eu estava !passando as mão na cabeça", tomavam a providência que achavam correta punindo verbalmente em sala de aula ou expulsando-o da sua aula sem consentimento da coordenação. O que por muitas vezes vi os alunos se revoltarem, cortavam pneu do carro desse professor, riscavam seu carro, escreviam palavrões nos banheiros usando o nome do professor, influenciavam outros colegas a fazerem o mesmo e caso não obedecessem eram espancados... Enfim, não era o fato de eu, enquanto coordenadora pedagógica "passar mãos na cabeça" deles, que eles voltavam pior para a sala como diziam os (as) professores (as), mas, o fato de não serem ouvidos, reconhecidos como pessoas capazes de ser, sentir e fazer... Claro, como disse no começo, existem outros fatores. Por isso temos que levar em contas as suas dimensões humanas: psicológicas (afetivas e cognitivas), biológicas e culturais. Desculpe. Empolguei.
Maria Aparecida da Silva Delavy - Postado em 26/03/2011 11:31:04
Deve haver uma conversa entre o agressor e o agredido sobre o assunto, deixando claro que aquele ato não foi legal e que pode acarretar consequências graves ao agressor.