Edição 218 | 12/2008
Daniela Almeida

- OS FATOS "Perdi o controle da classe em uma situação bastante inusitada. Uma garota foi viajar com a família no período de aulas e prometeu aos colegas que traria chocolates para todos na volta. A turma de 4 anos aguardou ansiosamente o retorno. No dia em que a viajante chegou, estávamos sentados no chão, terminando uma roda de conversa. Ela apareceu na porta, com uma enorme caixa enfeitada.
As crianças ficaram hipnotizadas. Peguei o pacote e comecei a distribuição, mas a garotada avançou. 'Também quero!' 'Tem pra mim?' 'Eu vou ficar sem!' Coloquei a caixa em uma prateleira e avisei que comeríamos chocolate apenas na hora do lanche. Tentei organizar a classe, sugerindo que a menina contasse sobre a viagem. Foi tudo em vão. A euforia não acabou, as crianças continuaram nervosas e não consegui fazer mais nada."
Marta Rosa, Escola Miguilim, São Paulo, SP
- O QUE ACONTECEU? Essa é uma manifestação característica de contágio emocional. Ela ocorre quando um determinado fato desencadeia fortes emoções em um grupo. O filósofo e médico Henri Wallon (1879-1962) atribui significativa importância à reação coletiva no âmbito da Educação. Ele afirma que a emoção cria uma relação imediata entre os indivíduos, apontando para a união e para a cooperação (nos casos positivos) e para o conflito (nos negativos). Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), destaca que, no caso de Marta, houve dissonância entre o critério da professora e o dos pequenos. A primeira, como adulto que é, julgou o fato com racionalidade, levando em conta que existe hora certa para comer chocolate, conversar e brincar. Já as crianças queriam atender a seus desejos e fazer o que é mais agradável no momento.
- O QUE FAZER? Como é difícil para os pequenos controlar emoções e reações, a melhor atitude é tentar conciliar os interesses do grupo. "A professora poderia ter distribuído a guloseima ao mesmo tempo em que a garota contava sobre os lugares visitados", sugere Macedo.
- COMO EVITAR? Em casos de emoções descontroladas, a melhor solução é deixálas fluir, em vez de tentar abafá-las com regras que ainda não foram discutidas pelos pequenos (portanto, desconhecidas), e propor uma alternativa para que os desejos sejam atendidos.
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Nome não registrado - Postado em 26/05/2009 13:16:09
Eu quero saber que providência tomar quando seu filho está sendo humilhado na escola, por conta do stress da professroa? Atenciosamente Dionéia
Jane Eyre P. R. Corral - Postado em 03/05/2009 22:11:51
O professor ou professora que nunca se viu diante de uma situação de "caos" provavelmente nunca deu aula numa escola real. É o preparo do educador e a capacidade de manter a calma que conduzem ao final, feliz ou não, da situação. Acredito que o estado emocional do educador também influencia no comportamento da classe. Gostei também do comentário em que se fala que o professor não deveria ficar só com as crianças na sala de aula, pena que isto não seja parte da grande maioria das salas de aula. Jane Eyre professora da rede municipal de Educação de Campinas.
NOÊMIA APARECIDA LOURENÇO - Postado em 30/04/2009 13:09:02
O professor deve ser observador e estar atento às próprias atitudes. Um pequeno deslize, sob a ótica psicopedagógica, pode ser o suficiente para gerar problemas de aprendizagem. A tarefa é difícil, porém ter consciência do papel de educador é fundamental no processo de ensino e aprendizagem. A matéria está excelente e, para uma época em que o mundo está oferecendo um turbilhão de informações mediante acelerada evolução, vem a calhar. Parabéns! Noêmia Ap. Lourenço Psicopedagoga Clínica e Educacional