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Entenda como o vírus da gripe A ataca o organismo

Um minipôster mostra como o vírus da gripe A agride o corpo. Use-o para explicar o funcionamento do sistema imune

Paulo Gama

Desde abril deste ano, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou as primeiras mortes causadas pela gripe A nos Estados Unidos e no México, o assunto dominou as primeiras páginas dos jornais e tornou-se tema inevitável tanto para os professores como para os alunos. A nova gripe é provocada por uma variação do conhecido vírus Influenza, o mesmo que causa as gripes sazonais. A questão é que a população mundial ainda não tem anticorpos desenvolvidos para combater esse vírus modificado e uma vacina ainda levará algum tempo para ficar pronta.

Como abordar uma questão tão midiatizada e que chegou a alterar a rotina dos estudantes, com o adiamento da volta às aulas? "Ignorar a existência da doença é um erro, mas não se deve supervalorizá-la, criando uma situação de pânico", aconselha Marcos Engelstein, professor do Colégio Móbile e assessor de Ciências do Colégio Anglo- Brasileiro, ambos em São Paulo.

O melhor a fazer é realizar bate-papos para esclarecer dúvidas tendo em mente que as características dessa gripe são as mesmas das que surgem sazonalmente. Para mediar o debate, use o minipôster encartado nesta edição. O material traz informações essenciais sobre a doença: esclarece as formas de contágio e os sintomas, indica em que locais do corpo o vírus se instala e explica como ocorre a multiplicação desse invasor - especialmente quando nossas defesas não agem.

Pôster: O vírus da gripe em ação

Reprodução
Reprodução

Clique aqui para visualizar o pôster exclusivo de NOVA ESCOLA sobre a gripe suína.

 

 

 

 

O sistema imune e a ação das vacinas 

O surgimento da gripe A e sua rápida disseminação pelo mundo também serve de mote para trabalhar temáticas específicas do currículo de Ciências de 8º e 9º anos que se relacionam a doenças virais. Ao orientar os estudantes com informações práticas e objetivas sobre a nova gripe, é possível aproveitar o contexto para explicar o funcionamento do sistema imune e a forma de produção e atuação das vacinas (leia a sequência didática). Com base no minipôster, destaque os mecanismos de que o corpo humano se vale para reagir à presença de um vírus de gripe - qualquer que seja ele. A ideia é ajudar a turma a compreender como o sistema imune e suas estruturas celulares estabelecem uma sequência de barreiras de defesa e de proteção contra os agentes invasores.

Para dar um panorama mais completo sobre o alcance de uma pandemia como essa, explore o quadro de informações sobre outros surtos do tipo provocados por vírus e que já foram ou ainda são enfrentados pela humanidade. Reforce o debate apresentando dados de fontes oficiais, como a OMS, que no mês de agosto estimava em 1.799 o número de mortes causadas pela pandemia - 368 delas ocorridas no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Isso colocava o país na segunda posição em quantidade de vítimas na lista das nações que divulgam constantemente esse acompanhamento.

Ao abordar formas de contágio e de prevenção de doenças infectocontagiosas, é importante que os adolescentes percebam como elas se espalham e qual a participação de cada pessoa no processo de transmissão, além do grande impacto das medidas preventivas no número final de doentes. "Faz parte dos objetivos de Ciências discutir como o indivíduo afeta o coletivo", aponta Marcos Engelstein.

Uma análise crítica da repercussão na mídia 

Com classes de 7º a 9º ano, há ainda outra abordagem possível: promover uma discussão crítica a respeito do teor das informações que têm sido divulgadas pelos meios de comunicação. Um primeiro aspecto a tratar é o nome dado à doença. A OMS logo abandonou a nomenclatura "gripe suína" para adotar "gripe A (H1N1)". Apesar de o vírus ter se formado com base em dois outros já encontrados em porcos, o que está causando a pandemia foi detectado pela primeira vez em humanos. Os meios de comunicação que continuam utilizando o nome antigo justificam a atitude como uma maneira de não confundir a população, que poderia achar se tratar de uma nova doença.

A moçada pode ser orientada ainda a comparar o conteúdo de textos que tratam a nova gripe como uma catástrofe a outros que apontam dados oficiais do Ministério da Saúde sobre a letalidade da doença (a quantidade de mortes em relação ao número de infectados). Cálculos feitos no fim de julho indicavam que essa taxa variava em torno de 0,5%, número bem próximo ao da gripe sazonal. Tal análise desmistificaria o tom sensacionalista assumido por algumas reportagens.

Quer saber mais?

CONTATO
Marcos Engelstein

BIBLIOGRAFIA
Aventuras da Microbiologia
, Isaías Raw e Osvaldo Augusto Sant'anna, 170 págs., Ed. Hacker/Ed. Esfera, tel. (11) 3285-3605, 25 reais
Imperialismo Ecológico, Alfred Crosby, 336 págs., Ed. Cia. das Letras, tel. (11) 3707-3500 (edição esgotada) 

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 225, Setembro 2009, com o título Gripe turbinada

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