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Atividade Permanente

CO2, principal vilão do efeito estufa

Conteúdos específicos
Efeito estufa, redução do dióxido de carbono na atmosfera 

Ano
8º e 9º anos

Objetivo
Perceber o alcance das diferentes propostas para conter o aquecimento global

Tempo estimado
Três aulas de 50 minutos

Leia mais no site do Planeta Sustentável 

 

Introdução
Demorou mas aconteceu: as questões ambientais chegaram à mídia. Em meio à enxurrada de materiais sobre o tema, as opiniões de Frank Rowland, "o guardião da atmosfera", aparecem como um sopro de ar fresco. Com a autoridade de quem recebeu um Prêmio Nobel de Química por suas pesquisas sobre os danos causados à camada de ozônio pela humanidade, ele não hesita em apresentar claramente sua opinião sobre uma série de temas considerados polêmicos. Rowland afirma, por exemplo, que somos responsáveis pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2.) o fator mais importante na mudança do clima, associado à queima de gás, carvão e petróleo; o que nos resta fazer é reduzir as emissões desse gás, superando as resistências e as manobras protelatórias de governos como o dos Estados Unidos e das corporações que lidam com combustíveis fósseis.

É interessante comparar essas declarações inequívocas com as chamadas megassoluções para o problema. São sete projetos de alcance planetário, que foram apresentadas na edição 1989 de VEJA. O prazo para que entrem em funcionamento pode chegar a 50 anos, enquanto o custo varia de 1 bilhão a 5,5 trilhões de dólares. Mas todos eles pressupõem a intocabilidade dos alicerces da economia de massa (produção, consumo, desperdício, obsolescência planejada, controle e retenção de tecnologia etc.).

Qual desses modelos é mais viável? O de Rowland, que define a emissão de CO2 como inimigo principal e admite implicitamente a necessidade de mudanças em nosso estilo de vida para enfrentá-lo, ou aqueles que se propõem a gastar quantias colossais para manter os atuais padrões de consumo? A comparação vai tornar mais nítidos para seus alunos os laços entre os problemas políticos, socioeconômicos e ecológicos e os complexos meandros que regem a ordem mundial.

Desenvolvimento

1ª aula
Examine com a turma as megassoluções para reduzir as emissões de CO2.

Trocar o carvão pelo átomo

Essa idéia significa substituir a emissão de dióxido de carbono pela produção de resíduo atômico. Deixa como legado às gerações futuras o desafio tecnológico de dar destino ao lixo nuclear. Na prática, fará com que os países pobres se tornem depósitos mundiais de descarte radioativo em troca de migalhas dos ricos. Enfatize que a tecnologia nuclear hoje é relativamente simples, porém perigosa. A proliferação de seu domínio, apesar de democratizar o poder político no mundo, carrega a ameaça de uso para finalidades bélicas em conflitos periféricos. Os subprodutos do processo de geração de energia termelétrica nuclear, como o urânio 238 e o plutônio, servem para fabricação de armas, tanto de longo alcance e amplo espectro, capazes de destruir cidades inteiras, como de curto alcance e ação restrita.

E o que é mais assustador: podem ser facilmente construídas em fundo de quintal, transportadas e usadas por uma pessoa. Não há estrutura eficaz para controlar e fiscalizar nem mesmo as usinas existentes, quanto mais as eventualmente vindouras. Peça que os jovens imaginem a situação de países pobres dominando a tecnologia nuclear sem que sequer tenham resolvido como tratar e fornecer água potável a todos os seus cidadãos. E quanto ao transporte e armazenamento em grande escala de resíduos nucleares? Para evitar o pesadelo de um vazamento nessas etapas, seria necessário desenvolver tecnologias de controle e contenção muito mais eficazes do que aquelas disponíveis atualmente.

Enterrar os gases tóxicos

Brinque com a moçada, dizendo que essa estratégia lembra um pouco Jason, personagem da série de terror Sexta-Feira 13, capaz de ressurgir a qualquer momento num lago. Mas esse não é o medo maior que se deve ter. Realce que a proposta é levar o dióxido de carbono para o lugar antes ocupado por petróleo e gás natural. Considerações quanto ao custo energético para filtrar, comprimir, transportar e bombear o CO2 às profundezas constituem pesadelos mais verossímeis. Supondo que seja viável filtrar em larga escala o gás, por que não separar o carbono do oxigênio (vendido nos hospitais a preço de ouro) e usar um e outro em aplicações industriais? Ficção por ficção, vale a pena investir um pouquinho mais em audácia. Essa idéia leva em conta a reação inversa da oxidação do carbono e pode ser examinada com os professores de Química e Biologia. Afinal, as plantas verdes e a energia solar fazem esse trabalho de graça.

Multiplicar o fitoplâncton

Esta é uma proposta de trocar a catástrofe global descontrolada por um pretenso desequilíbrio ecológico controlado: adicionar ferro aos oceanos para estimular a multiplicação do fitoplâncton. Esses microorganismos são a base da cadeia alimentar marinha e respondem pela produção de boa parte do oxigênio atmosférico. Assim como as plantas, o fictoplâncton realiza a fotossíntese, usando a luz solar, o CO2 e a água para sobreviver. Quando morre, afunda até o solo oceânico e ali permanece por séculos, com parte do gás que captou. Mas não há garantia de que, no futuro, o dióxido de carbono retido no solo marinho não seria liberado de volta à atmosfera. Também não se conhece o impacto que a adição de ferro aos oceanos teria a longo prazo. Na verdade, as conseqüências da reprodução excessiva do fitoplâncton são quase imprevisíveis, e a parte que não é quase é o extremamente danoso fenômeno do florescimento (o chamado bloom), que ocorre quando a água se torna esverdeada pelo excesso de algas e, depois, acastanhada. Nessas condições, todos os nutrientes se esgotam e o plâncton (fito e zôo) morre. Como resultado, o oxigênio da água acaba e grandes quantidades de peixes e outros animais aquáticos sucumbem.

2ª aula 
Pergunte quais são os maiores emissores de gás carbônico do planeta. Provavelmente serão mencionados os veículos, as indústrias etc. A resposta está correta, mas um exame mais profundo pode trazer revelações surpreendentes. Informe que um levantamento dos vilões do aquecimento no ano 2000 mostrou que as indústrias e os transportes, concentrados nos países mais desenvolvidos, contribuíram respectivamente com 13,8% e 13,5% das emissões de CO2. Já o desmatamento, que ocorre basicamente nos países em desenvolvimento como o Brasil, respondeu por nada menos que 18,2% do total.
Explique que o gás carbônico sempre esteve presente na atmosfera. Em boa medida, é graças a ele que o planeta não congelou: o efeito estufa natural é essencial para a existência.

Os animais contribuem para o aumento da concentração de CO2, pois a respiração tem como produto o dióxido de carbono. O problema é o crescimento vertiginoso nas emissões desde a industrialização. Apresente o gráfico deste plano de aula, que registra o aumento da concentração de gás carbônico nos últimos 1000 anos. Destaque a observação de Rowland de que a concentração de dióxido de carbono vem crescendo mais rapidamente do que na década de 1960. Isso reforça a necessidade de adotar medidas urgentes para enfrentar o problema. E o CO2 não é o único vilão: somam-se a ele, entre outros gases, o óxido de nitrogênio (NO), vindo das combustões em altas temperaturas e dos fertilizantes, e o metano (CH4), associado a queimadas, aterros sanitários e pecuária.

A reflexão sobre esses pontos vai evidenciar que todos os países, e não apenas os mais industrializados e de maior número de automóveis, têm sua parcela de responsabilidade no aumento da temperatura do planeta.

 

Evolução da emissão de CO2



3ª aula 
Depois do diagnóstico da aula anterior, analise com a classe as alternativas para enfrentar o problema. É uma boa oportunidade para conversar sobre o estilo de vida na sociedade atual. Ressalte que os sete colossais projetos pouco interferem no nosso conforto. Já as propostas de Rowland pressupõem algumas mudanças nos padrões de produção e consumo da sociedade em que vivemos. Recorde que isso já ocorreu depois de suas investigações sobre a camada de ozônio: o fim das emissões do gás clorofluorcarbono (CFC), usado em refrigeradores e sprays para os cabelos e causador dos danos, foi determinado por tratado internacional em 1987.

Conte que segmentos da sociedade e grupos de países também sugeriram medidas para combater o aquecimento global. A Europa sinalizou, recentemente, sua intenção de aumentar para 20% a taxa de redução de emissão de gases de efeito estufa. Mas exige que outros Estados (se não todos) façam o mesmo. Claro: economizar na emissão de CO2 significa crescer menos. Qual seria a provável reação dos Estados Unidos, campeões mundiais de consumo e de poluição, a esse convite? E de países como a China e a Índia, que hoje crescem a todo vapor e sonham com padrões de consumo em níveis ocidentais? Na verdade, uma pauta ambiental que implique menor desenvolvimento econômico ou redução do nível de vida é difícil de concretizar.

Já as sugestões setoriais podem ser mais viáveis. Uma pesquisa realizada por um grande fabricante de pneus indicou que, se todos os carros da França estivessem com os pneus calibrados corretamente, seriam economizados cerca de 500 milhões de litros de combustível por ano (aproximadamente 2% do total consumido naquele país). A empresa decidiu investir em ações de conscientização e na produção de pneus mais resistentes à pressão, que se mantenham calibrados por mais tempo.

Lembre que também se costuma pensar a preservação do ambiente sob um aspecto cotidiano, pontual. Seria algo parecido com o trabalho de formigas ou abelhas operárias: acreditava-se (e essa idéia não pode ser descartada jamais!) que pequenas ações locais seriam a resposta para os problemas globais.

Encaminhe um debate sobre o alcance dessas propostas. É importante perceber que os megaprojetos e a mobilização geral contra as emissões de CO2 defendida por Frank Rowland talvez sejam inevitáveis e não se excluem necessariamente. Já as iniciativas setoriais, embora limitadas, sem dúvida representam um passo adiante, enquanto o trabalho cotidiano das abelhas operárias gera frutos imediatos, porém numa escala incomparavelmente menor.

Com essa discussão, os estudantes vão verificar que não existe fórmula mágica para resolver um megaproblema como esse. Muito provavelmente, a chave de nosso futuro estará no entrelaçamento dessas diferentes formas de enfrentar o desafio ambiental. Daí a importância e a urgência de repensar hábitos de consumo, desde o supérfluo até o descarte. Qualquer atitude apta a colaborar para a recuperação do planeta, seja ela mega ou mini, deve ser levada em conta e analisada pela sociedade. E, para exercer nossa cidadania e nosso poder de decisão, precisamos estar esclarecidos sobre elas.

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