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Alimentação

Por que sentimos mais fome no inverno?

Eliza Kobayashi

Fondue de queijo. Foto: Bia Parreiras
Um saboroso e quente fondue de queijo. 
Só de ver, já dá vontade de comer.
Foto: Bia Parreiras. Clique para ampliar

Muitas pessoas creem que, no inverno, comemos mais porque precisamos repor a energia gasta para manter estável a temperatura interna do corpo. "Em parte, isso é verdade", confirma Monica Inez Elias Jorge, nutricionista do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP. Porém, a especialista esclarece que o inverno brasileiro não é tão rigoroso a ponto de exigir grandes esforços de nosso organismo para manter o equilíbrio térmico. Então por que, mesmo assim, sentimos vontade de comer mais durante essa época do ano? "Nosso país não tem longos meses de frio, mas temos, sim, alguns dias de queda mais elevada nas temperaturas. E, de fato, nesses dias as pessoas sentem vontade de comer mais", afirma. Para ela, a principal razão está relacionada à sensação de bem estar que a comida gera em nosso corpo. "Quando comemos, produzimos calor para a transformação e a digestão dos alimentos, o que nos dá uma sensação de conforto térmico". Mas isso não tem a ver com a necessidade de reposição de energia. A nutricionista explica que não basta nos aquecermos somente de fora pra dentro. Por mais que nos agasalhemos bem, sentimos necessidade de gerar calor de dentro para fora. E acabamos buscando isso nos alimentos. "Muitas vezes nem estamos com fome, mas procuramos ingerir bebidas e alimentos quentes para nos sentirmos aquecidos", acrescenta.

Outra tendência que temos no inverno é a de comer alimentos mais calóricos e ricos em gordura. "Provavelmente isso está ligado a questões culturais, pois em outras épocas a estação do frio estava relacionada à escassez de alimentos. Não era possível armazenar verduras e frutas, então a ideia era utilizar os alimentos disponíveis. E o que as culturas antigas conseguiam fazer era matar animais e conservar sua carne em sal, guardando-a para o inverno. Isso foi ficando como herança cultural, passando de geração para geração", explica Monica. Além disso, no frio, acabamos dando preferência às preparações culinárias quentes, que, em geral, são à base de alimentos mais ricos em gordura. "Quase sempre optamos por sopas mais elaboradas e calóricas, fondues ou carnes com molhos quentes, deixando de lado as saladas e as frutas". No entanto, se isso passar a ser um hábito, pode ameaçar seriamente a saúde do nosso corpo. "O exagero na ingestão de alimentos ricos em gordura pode provocar aumento no nível de colesterol, e pratos mais salgados ou mais temperados podem levar a uma elevação na pressão arterial", alerta a nutricionista.

Para evitar o desequilíbrio na alimentação, Monica dá algumas dicas para que continuemos ingerindo frutas e verduras durante o inverno. "Podemos preparar caldos com verduras, assar frutas com pouca água - sem jogá-la fora na hora de consumir, senão os nutrientes vão embora - e jogar canela por cima ou ainda fazer saladas com legumes quentes".

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Publicado em Junho 2009,
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