Paula Sato

Quando se fala em quantidade de pessoas que morreram em um curto espaço de tempo, a pior epidemia foi a da peste negra, que assolou a Europa e a Ásia no século 14. Também conhecida como peste bubônica, a doença apareceu em 1348 e, em dois anos, matou um terço da população européia (estimada em 75 milhões de pessoas). A peste é transmitida por uma bactéria, que tem como vetor a pulga do rato. A vítima é picada pelo inseto e o patógeno entra no sistema sanguíneo. De lá, ela pode se alojar nos gânglios, criando os bulbos, mas também pode ir para o sangue, criando uma infecção generalizada, ou ainda comprometendo os pulmões. Quando a bactéria era responsável por uma pneumonia, passava a ser expelida pelas secreções e a doença era transmitida de uma pessoa a outra, facilitando sua disseminação. "A mortalidade foi grande porque, na época, não havia antibióticos e a população não entendia como a bactéria se disseminava", explica o infectologista Stefan Cunha Ujvari. O médico ainda conta que a bactéria nunca desapareceu, mas depois de varrer a Europa continuou vivendo nos ratos e, de tempos em tempos, causava pequenos surtos da doença. Até hoje é possível encontrar a peste bubônica em algumas regiões do mundo, mas atualmente ela é facilmente curada com a ajuda de antibióticos.
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Outra epidemia importante é a que dizimou os povos indígenas nas Américas. Quando os europeus chegaram ao Novo Continente, trouxeram consigo doenças desconhecidas dos nativos, como a varíola, o sarampo e a gripe. "As pessoas não dão muita ênfase a essa epidemia porque ela foi progredindo e durou um grande período de tempo. Mas entre os séculos 16 e 19, essas três doenças mataram mais de 80% da população indígena do continente", afirma Stefan.
Também entra no ranking de epidemias mais mortais a da gripe espanhola, que surgiu em 1918. "Há polêmica sobre o número de vítimas que o vírus causou. Mas, em dois anos, entre 20 e 40 milhões de pessoas morreram em decorrência da gripe", diz Stefan. Ele conta que a taxa de mortalidade da doença variou muito. Em países desenvolvidos, como nos Estados Unidos, ficou em cerca de 0,5% (muito próxima à da gripe comum), mas em nações como a Índia, até 6% dos infectados morreram. Depois de se espalhar pelo mundo, a gripe espanhola sumiu quando a população desenvolveu anticorpos, deixando de ser suscetível à doença. A partir de então, o vírus sofreu mutações e passou a causar gripes comuns. "Algo similar deve acontecer com a gripe H1N1 (a gripe suína). Ela deve ficar em circulação até o final de 2009 e, depois, as pessoas devem criar anticorpos para o vírus", afirma Stefan.
Quer saber mais?
A História da Humanidade Contada Pelo Vírus, Stefan Cunha Ujvari, 208 págs., Ed. Contexto, 37 reais.
Cristina Portela de Lima Veloso - Postado em 30/08/2009 21:43:48
Simplesmente excelente. Todos os assuntos abordados pela revista são interessantes, fáceis de compreender e ótimos para trabalhar com os alunos.
Maria de Lourdes Calazans - Postado em 15/05/2009 16:18:08
Também estou interessada em saber mais sobre a peste negra para trabalhar em conjunto com a História, sou prof de Ciências e gostaria de maiores informações sobre o assunto. Muito Obrigado Maria de Lourdes
Paulo Pereira de Araujo - Postado em 15/05/2009 11:07:05
Há muito tempo li a respeito da peste negra que um dos facilitadores da expansão da doença foi o fato de tirem sido mortos muitos gatos por causa da inquisição, o que aumentou bastante a população de ratos na Europa. Os gatos, principalmente os negros, eram caçados, pois estavam associados a bruxarias. Existe alguma pesquisa a respeito? Paulo Pereira de Araujo pauloaraujo14@hotmail.com